As elevadas temperaturas são consequências do El Niño – fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico ao longo da costa do Peru, interferindo no clima de todo o planeta, promovendo temporadas de calor anormal nos Hemisférios Norte e Sul
As temperaturas subiram de novo neste fim de semana em todo o país por consequência do El Niño, que está provocando “a onda de calor mais intensa a atingir o Brasil em máximas nominais desde o começo das medições meteorológicas no começo do século XX“, segundo o Instituto ‘Metsul‘.
No Rio de Janeiro, um termômetro de rua (foto principal), localizado na Avenida Maracanã, onde se localiza o estádio de futebol homônimo mais conhecido dos brasileiros, registrou a incrível marca de 46°C, o que causa um grande susto na população, apesar do excedente em relação às temperaturas oficiais (leia mais sobre isso no final da matéria).

Estamos vivendo a oitava onda de calor do ano, com temperaturas que devem ultrapassar os 42°C, segundo alerta do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O ano deverá ser o mais quente da história.
As primeiras ondas foram entre janeiro e março, com temperaturas em torno de 40,7 °C. No mês passado, duas ondas de calor assolaram os brasileiros, com temperatura máxima de 44,3 °C em Cuiabá (MT).
EL NIÑO
O El Niño é o fenômeno natural que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico ao longo da costa do Peru, interferindo no clima de todo o planeta, promovendo temporadas de calor anormal nos Hemisférios Norte e Sul.
Nesta semana, cientistas alertaram que o atual fenômeno, iniciado em julho, vem ganhando força e deverá ser um dos mais fortes que se tem registro. É o que os climatologistas classificam como Super El Niño.
Nos últimos dias, a anomalia de temperatura do mar se elevou para 1,8ºC. Trata-se do maior valor semanal de anomalia informado pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), agência de clima do governo dos Estados Unidos.
Segundo a NOAA , trata-se do maior aquecimento nesta parte do Oceano Pacífico desde a semana de 9 de março de 2016, quando aconteceu o último Super El Niño.
Com isso, novos extremos de chuva e seca devem ser esperados no Brasil, acendendo o alerta para o verão. Segundo o MetSul, temporais com volumes muito acima da média podem acontecer nos próximos meses na região Sul do país.
Também há risco de acumulados acima do normal em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, principalmente no Mato Grosso do Sul e São Paulo. No Norte, que sofre com a longa estiagem e as queimadas na floresta amazônica, a chuva deve seguir abaixo da média.
E no Nordeste, o instituto afirma que a seca pode se agravar nos primeiros meses de 2024.
TERMÔMETROS DE RUA NÃO SÃO PRECISOS
Os termômetros de rua muitas vezes marcam valores muito superiores a 40°C em dias de primavera ou do verão. A diferença é que a meteorologia oficial usa uma casinha branca – abrigo com venezianas duplas, com um termômetro de vidro que afere a temperatura oficial junto com um termômetro digital.
Assim também são as estações meteorológicas das universidades e do Inmet, que seguem padrões internacionais de medição de temperatura para tornar possível a comparação entre um lugar e outro.
Por este motivo, a medição oficial é diferente da que assusta a população em relógios digitais espalhados pelas cidades brasileiras.
Isso acontece porque o sensor fica localizado próximo da placa de ferro da propaganda, ela retém calor. Além disso, estas peças estão expostas a radiação solar e normalmente são da cor preta, pois superfícies escuras absorvem mais radiação do que superfícies claras.
Os termômetros de rua também não estão calibrados, como são constantemente os aparelhos das estações meteorológicas. Devido estarem localizados, em geral, próximos a grandes avenidas, com grande circulação de pessoas e veículos, recebem mais calor.
