“Ondas de calor, processos de resfriamento, chuvas torrenciais e secas“, alertou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima durante a 25ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios‘
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez um alerta, nesta quarta-feira (22/5), para a necessidade de que sejam tomadas medidas para prevenir e reduzir eventos climáticos extremos, como os que ocorreram no Rio Grande do Sul.
A historiadora e ambientalista defendeu a redução do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento, bem como a adoção de medidas para evitar a perda da biodiversidade.
A ministra destacou os compromissos assumidos pelos países na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992 e a importância de lidar com as causas das mudanças climáticas.
Ela elogiou a Confederação Nacional dos Municípios por trazer o debate sobre mudanças climáticas para a agenda municipal, ao propor uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para enfrentar as mudanças climáticas, incluindo a criação do Conselho Nacional de Mudança Climática e do Fundo Nacional de Mudança Climática, financiado em parte pela arrecadação de impostos.
“Temos que nos adaptar às mudanças do clima e temos que nos preparar, porque isso que está acontecendo agora, infelizmente, vai continuar acontecendo: ondas de calor, processos de resfriamento, chuvas torrenciais e secas. Ano passado vimos duas vezes enchentes no Vale do Taquari e seca no Rio Grande do Sul, seca na Amazônia e cheia na Amazônia”, argumentou a ministra durante a ‘25ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios‘, organizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), conforme transcreveu a ‘Agência Brasil‘.
“Isso foi há 32 anos e nós não fizemos o dever de casa e estou me referindo aos 185 países que assinaram aquele acordo, inclusive nós“, disse. “Hoje é o Dia da Biodiversidade e 75% da alimentação dos países mais vulneráveis dependem da biodiversidade e ela está sendo rapidamente destruída. Precisamos fazer o enfrentamento das causas que estavam levando à desconfiguração do sistema climático global“, conclamou.
“Quero um discurso que nos mobilize, é possível mitigar para não agravar o problema, é possível nos adaptarmos para termos as medidas certas da forma certa”, disse Marina. “Temos que estar preparados, tem que ter rota de fuga, lugar para as pessoas se alojarem, estoque de alimento, de água potável, de medicamentos, de equipamentos como hospitais de campanha para se houver necessidade, um esforço de preparação para o enfrentamento dos desastres. É preciso que se tenha uma ação de prevenção”.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destacou que os gestores municipais não estão preparados para lidar com as mudanças climáticas. Ele defendeu a criação do Consórcio Nacional para Gestão Climática e Prevenção de Desastres para ajudar os municípios a lidar com emergências climáticas. Segundo a CNM, o modelo tradicional de aplicação de recursos públicos não tem produzido resultados adequados na promoção de medidas efetivas para prevenir e enfrentar as consequências da mudança climática.
Ziulkoski ressaltou a necessidade de uma política nacional mais forte para lidar com desastres e destacou que o consórcio será uma ferramenta transparente e legal, ajudando os municípios, estados e a União a lidar com desastres.
“Tem que haver uma política nacional, um aprofundamento para o enfrentamento dos desastres. O consórcio ser uma ferramenta transparente e legal”, disse. “O consórcio vai, pela lógica dos municípios, ajudar os estados e a União a fazer esse enfrentamento. Vamos estimular, por meio de orientações, busca em rede, alguma coisa estruturada para que um município sozinho não enfrente a crise”, concluiu.
