Temos a maior safra da história e falta comida porque não tem governo, diz Mercadante

21/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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“O Brasil é o segundo maior exportador de alimentos. A previsão é que em 2024 seremos o primeiro do mundo. Como é que um país como esse não tem comida para alimentar o seu povo?” diz o ex-Ministro, que também apresentou projeto para geração de 5 milhões de empregos em 6 meses, durante sua fala no ‘Plano de Reconstrução do Brasil’ promovido pelo Partido dos Trabalhadores

Aloizio Mercadante, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação; da Educação; da Casa Civil (todos cargos ocupados no Governo de Dilma Rousseff) e presidente da Fundação Perseu Abramo – imagem reprodução

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, foi incisivo na apresentação do ‘Plano de Reconstrução do Brasil’ promovido pelo Partido dos Trabalhadores na manhã desta segunda (21).

Mercadante disse que o projeto prevê três níveis: as medidas emergenciais, as medidas de reconstrução do país, “diante deste processo de devastação”, e as medidas de transformação para abertura de um novo horizonte para o país.

Segundo o ex-ministro, o diagnóstico da situação em que o Brasil está inserido é o de uma crise global e multidimensional, que se retroalimenta, uma crise sanitária, uma crise econômica, uma crise social e uma crise política, “no caso do Brasil”.

“A pandemia não acabou e há outros países vivendo uma segunda onda”, disse Mercadante. “Portanto, o negacionismo deste governo que foi incapaz de criar uma política nacional de covid e uma política de fortalecimento do SUS colocou o país em uma ‘situação histórica'”, continuou referindo-se às mortes por coronavírus que poderiam ter sido evitadas.

“A primeira prioridade é a defesa da vida”, disse o ex-ministro. “E para defender a vida precisamos de renda e emprego. Porque as vítimas deste processo são sobretudo os pobres, especialmente a população negra da periferia”, continuou.

“E pra defender a vida, por iniciativa do PT, os partidos de oposição propuseram no Congresso Nacional o auxílio emergencial de R$ 600”, relembrou Mercadante, que em seguida disse que o governo Bolsonaro não tinha proposto absolutamente nada e somente depois lançou a possibilidade de gerar R$ 200. “Propomos um salário mínimo por família e chegamos a um acordo para o valor atual”, disse.

Segundo Mercadante, o problema deste processo é que a verba de R$ 250 bilhões destinadas ao pagamento do auxílio emergencial durante 5 meses foi reduzida para R$ 67 bilhões.

“Agora, não é que caiu para a metade, R$ 300, eles reduziram o valor para os proximos 4 meses”, disse. “Portanto, dois terços do que era auxilio emergencial vão desaparecer, ou pela redução do valor ou por uma multidão que vai deixar de receber qualquer auxílio”, explicou o presidente da Fundação Perseu Abramo.

“Essa é nossa primeira grande prioridade”, enfatizou Mercadante. “Nós queremos o auxílio de R$ 600 até o final desta pandemia. É isso que pode permitir que a gente proteja os pobres, especialmente a população carente exposta a essa situação”, disse energicamente.

O desmonte das políticas públicas e a falta de comida… “porque não tem governo”

Mercadante disse que há um segundo problema, que é a falta de uma cesta básica a preço acessível para as famílias carentes em um momento que a inflação atinge especialmente os pobres, quando o Brasil mantém a segunda colocação mundial em exportação de alimentos tendo inclusive uma safra recorde.

Aos 27 minutos do vídeo disponibilizado nas redes sociais, o ex-ministro diz: “Nós temos uma supersafra de alimentos, de 247 milhões de toneladas de grãos, a maior da história. A renda do setor do agronegócio está estimada em 105,6 bilhões de dólares, meio trilhão de reais, e nós temos carestia, inflação e falta de comida para o povo”

“A cebola cresceu 72%, o leite longa vida 32%, o arroz 27%, o feijão 18%. Tudo isso porque não tem governo”, exclamou Mercadante.

“O Brasil é o segundo maior exportador de alimentos. A previsão é que em 2024 seremos o primeiro do mundo. Como é que um país como esse não tem comida para alimentar o seu povo?”, questionou Mercadante, que em seguida passou a explicar o motivo:

“Porque eles desmontaram o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que hoje deveria estar direcionado para a agricultura familiar e camponesa; para alimentação. Arroz, feijão, mandioca, não têm crédito, não têm apoio”, disse.

“O Governo Lula distribuiu 80 mil tratores para a agricultura familiar. Estão desmontando a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), estão desmontando todos os principais instrumentos de políticas públicas e seus órgãos reguladores”, explicou Mercadante que prosseguiu:

“Porque a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) está toda imobilizada. É léi: eles tinham que ter estoque para garantir o abastecimento e o fornecimento de alimentos à população”, disse com indignação.

“Então nós precisamos de uma nova política agrícola e precisamos repensar inclusive, é muito importante, o agronegócio”, disse Mercadante. “Gera divisas para o país, gera emprego, gera renda, mas não podemos continuar com essa agricultura predatória do meio ambiente”.

“Não tem como importar alimentos em um país do tamanho do Brasil na escala que precisaríamos”, explicou o ex-ministro. “Precisamos urgente de uma nova política agrícola”, pontuou sobre o assunto.

Projeto do PT prevê geração de 5 milhões empregos

“Paralelamente estamos defendendo emprego já”, disse Aloizio Mercadante, que afirma que o projeto pretende retomar obras paradas. Segundo o ex-ministro, “isso seria indispensável para que a gente possa gerar 5 milhões de empregos em 6 meses”.

Mercadante afirma, com razão, que “é mais importante para as pessoas estarem trabalhando do que simplesmente receberem o auxílio emergencial”.

“Nós precisamos desencadear esse processo para acelerar a retomada econômica do país”, pontuou.

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