Medida contra prorrogação de impostos equilibra contas públicas via cobrança sobre setores privilegiados, em meio a negociações tensas no Legislativo
Brasília, 07 de outubro 2025
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) disparou um alerta nas redes nesta terça-feira (7/out): “Já estão todos sabendo que a tag do dia é TAXAÇÃO BBB JÁ?”.
O parlamentar, conhecido por sua defesa ferrenha de pautas progressistas, compartilhou um print de manchete impactante – “TAXAÇÃO BBB – Medida Provisória que taxa bancos, bets e bilionários vence na quarta e precisa ser aprovada no Congresso – Medida Provisória foi alternativa criada pelo Executivo à crise gerada pelo aumento do IOF“ – para convocar a militância.
Segundo ele, “a medida provisória do presidente Lula vence amanhã, e HOJE será apreciada pelo Congresso“.
E completou com tom de confronto: “Os ricaços e poderosos contam com o lobby dos bolsonaristas”, alertando que “o povo tá de olho” e conclamando: “Vamos pra cima!”.
🚨 Já estão todos sabendo que a tag do dia é TAXAÇÃO BBB JÁ?
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) October 7, 2025
A medida provisória do presidente Lula vence amanhã, e HOJE será apreciada pelo Congresso. Os ricassos e poderosos contam com o lobby dos bolsonaristas, mas o povo tá de olho. Vamos pra cima! pic.twitter.com/3xYuSNeeNq
A Taxação BBB, apelido que resume a cobrança sobre bets (apostas esportivas online), bancos (aplicações financeiras isentas como LCI e LCA) e bilionários (rendimentos de alta renda e juros sobre capital próprio), surge como resposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva à derrubada de decretos que elevavam o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Explicando
LCI (Letra de Crédito Imobiliário): É um título de renda fixa emitido por bancos para financiar o setor imobiliário. O investidor “empresta” dinheiro à instituição, que o usa para conceder crédito habitacional, e recebe juros em troca. É isento de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que o torna atraente, mas está sujeito à tributação proposta na Taxação BBB.
LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): Similar à LCI, é um título de renda fixa emitido por bancos para financiar o agronegócio. O investidor aplica recursos, que são direcionados a atividades agrícolas, e recebe rendimentos. Também isento de IR para pessoas físicas, mas incluído na proposta de tributação da MP 1.303/2025.
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): É um imposto federal cobrado sobre operações financeiras, como empréstimos, câmbio, seguros e investimentos. No contexto da Taxação BBB, decretos que aumentavam o IOF foram derrubados, levando o governo Lula a criar a MP 1.303/2025 para taxar bets, LCIs/LCAs e rendimentos de alta renda como alternativa para compensar a perda de arrecadação.
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Em resumo, a Taxação BBB substitui o aumento do IOF, visando taxar investimentos antes isentos (LCI e LCA) e outros setores para equilibrar as contas públicas.
Editada em junho como MP 1.303/2025, a norma visa compensar perdas de até R$ 15 bilhões em arrecadação, garantindo o equilíbrio fiscal para 2026 e evitando cortes em programas sociais.
Entre as mudanças, destacam-se o aumento da alíquota sobre bets de 12% para 18%, a tributação de 5% sobre investimentos antes isentos e elevação do IR sobre JCP (Juros sobre Capital Próprio) – tributação aplicada aos juros pagos por empresas aos acionistas.
Na Taxação BBB, parte da MP 1.303/2025 do governo Lula, a alíquota subiria para 20% para aumentar a arrecadação, compensando a queda de decretos que elevavam o IOF, visando equilibrar as contas públicas para 2026.
No Congresso Nacional, o cenário é de negociações de última hora. A MP, prorrogada automaticamente até esta quarta-feira (8/out), enfrenta resistência de parlamentares do Centrão e oposição, que protocolaram mais de 20 projetos para derrubá-la.
O governo, liderado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinaliza concessões, como aliviar a taxação sobre bets – o que reduziria o impacto fiscal em R$ 1,7 bilhão em 2026 – para atrair votos essenciais.
O adiamento da votação para esta terça reflete o impasse, com líderes partidários reunidos em busca de consenso.
Como bem resumiu o deputado Bohn Gass (PT-RS) em postagem no X: “ATENÇÃO, POVO! AGORA A LUTA É PELA TAXAÇÃO BBB! Enquanto bancos e bets lucram bilhões, o povo paga a conta.”
ATENÇÃO, POVO! AGORA A LUTA É PELA TAXAÇÃO BBB!
— Bohn Gass (@BohnGass) October 7, 2025
💰 Enquanto bancos e bets lucram bilhões, o povo paga a conta. Esta semana, a Câmara pode votar a Taxação BBB. Pressione seu deputado e defenda o Brasil!
Meu voto é SIM! pic.twitter.com/xkRdb2HxtD
A repercussão nas redes sociais amplifica a pressão popular. A hashtag #TAXAÇÃO_BBB_JÁ ganhou tração imediata, com milhares de compartilhamentos pedindo que deputados e senadores priorizem a justiça tributária.
Movimentos como o do PSOL e aliados petistas, incluindo a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), classificam o Legislativo como “inimigo do povo” por travar medidas que beneficiam os mais pobres, como a isenção de IR para rendas até R$ 5 mil.
Analistas preveem que a aprovação, mesmo desidratada, seria uma vitória simbólica para o Executivo, mas a rejeição total poderia aprofundar a crise entre os Três Poderes.
Enquanto o plenário se prepara para a sessão decisiva, o debate expõe as fissuras no sistema tributário brasileiro: de um lado, a defesa de uma carga mais equitativa sobre os super-ricos; do outro, o lobby de setores financeiros que faturam bilhões anualmente.
O desfecho, esperado para as próximas horas, definirá não só o Orçamento de 2026, mas o tom da relação entre Planalto e Congresso rumo às eleições de 2026.







