Setores como construção, serviços de alojamento e empresas ligadas ao agronegócio enfrentam dificuldades para preencher vagas, resultando em alta rotatividade. Há escassez de profissionais em diversos níveis de qualificação, desde auxiliares de cozinha e limpeza até engenheiros civis
Em Goiânia, a taxa de desemprego é de 5,1%, ainda mais baixa que a média do país, 6,9%, a menor em uma década. É boa notícia para os trabalhadores, informa O Globo. Segundo o texto da matéria publicada nesta segunda-feira (19/8), o desemprego de longa duração caiu 17% em junho, o que representa o menor patamar desde 2015.
O mercado de trabalho está no seu melhor momento para o brasileiro. A taxa de desemprego de 6,9% é comparável à de 2014, a mais baixa da série histórica, e os especialistas esperam que caia para perto de 6% no fim do ano, patamar considerado inferior ao pleno emprego, quando a falta de mão de obra tende a elevar salários e pressionar a inflação.
Para Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, o pleno emprego chegou em janeiro, com a taxa próxima de 8%. É esse o nível que o economista calcula como o que não pressiona a inflação. Essa taxa de equilíbrio caiu. Em 2021, Borges estimava 9,5%. A Reforma Trabalhista de 2017 reduziu esse ponto, diz o economista.
Vários setores estão com dificuldade de preencher vagas, e a rotatividade é alta. Construção, serviços de alojamento e empresas que atuam nos estados concentrados no agronegócio demoram a conseguir profissionais, desde o menos qualificado, como um auxiliar de cozinha ou de limpeza, ao mais especializado, como um engenheiro civil.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, no segundo trimestre, foram contratadas 352 mil pessoas na construção civil, alta de 4,9%, acima dos 3% da média geral. Além do aquecimento do mercado, a digitalização, acelerada na pandemia, criou alternativas de trabalho mais atraentes, em plataformas digitais, por exemplo, que o braçal nos canteiros.
Para especialistas, há muita rigidez no mercado de trabalho e alta rotatividade, o que explica termos ainda 7,5 milhões de pessoas procurando trabalho no país enquanto empresas não conseguem mão de obra . No ramo de restaurantes, chega a 50%. É como se o setor repusesse metade do pessoal uma vez por ano. Também entra na conta a falta de qualificação da mão de obra e baixa produtividade. Há vagas, falta pessoal preparado.
O setor de serviços, que vem puxando a oferta de vagas formais e foi muito afetado pela pandemia, agora sofre para contratar. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurans, o setor opera com 20% menos mão de obra que antes da pandemia, apesar de as vendas terem crescido 15%. Há uma demanda de 300 mil trabalhadores, conta o presidente da entidade, Paulo Solmucci.
O setor empregava cerca de 6 milhões antes da crise sanitária. Hoje tem 5,10 milhões. Uma saída para o gargalo é a automação. As cozinhas estão ganhando fornos combinados, que fritam batata, cozinham arroz e fazem carne ao mesmo tempo, diz Solmucci.
No setor, o salário subiu 3,3% em 2023, acima da média nacional, mas o rendimento é de R$ 2.130, ainda 30% abaixo da média geral. Em Goiânia, o piso para o ramo de bares e restaurantes é R$ 1.455, pouco acima de um salário mínimo, mas ninguém consegue contratar se não pagar 20% a 30% mais, diz Vitali.
