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Tarifas de Trump são “ineficazes” para os EUA e seus interesses, diz Economista de Harvard

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    Dani Rodrik
    Dani Rodrik, da Harvard Kennedy School, durante a conferência Além do Neoliberalismo, no painel plenário “Criando a Nova Economia”, presidido por Rana Foroohar, do Financial Times, com participações de Heather Boushey, da Harvard Kennedy School, e Jayati Ghosh – economista de desenvolvimento indiano que lecionou economia na Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Delhi, por quase 35 anos, e desde janeiro de 2021 é professora de economia na Universidade de Massachusetts Amherst, EUA |12.6.2025| Imagem reprodução | O presidente dos EUA, Donald Trump |27.6.2025| Foto: Ken Cedeno/REUTERS


    Para Dani Rodrik, medidas do republicando “não alcançam os objetivos nacionais” e “beneficiam apenas setores manufatureiros específicos, sem evidências claras de aumento na inovação ou investimento



    Brasília, 23 de agosto de 2025

    Na quarta-feira (20/ago), o economista da Universidade de Harvard, Dani Rodrik, lançou duras críticas às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificando-as como ineficazes para os interesses nacionais americanos.

    Em um seminário organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com a Open Society Foundations, no Rio de Janeiro, Rodrik afirmou que “o problema não é que as tarifas representem nacionalismo econômico, mas que elas não alcançam os objetivos nacionais”.

    Segundo ele, as medidas não promovem o fortalecimento da classe média, um dos supostos objetivos de Trump, e beneficiam apenas setores manufatureiros específicos, sem evidências claras de aumento na inovação ou investimentos.

    Rodrik, de origem turca, destacou três desafios globais: a reconstrução da classe média, o combate às mudanças climáticas e a redução da pobreza. Ele alertou que a erosão das classes médias tem enfraquecido democracias em todo o mundo, e que “se você quer uma democracia estável e coerente, precisa de uma classe média forte”.

    Para o economista, as tarifas de Trump não contribuem para esses objetivos, já que “não é claro quem elas beneficiam, quais interesses elas servem”, disse, conforme transcrição no Valor International. Ele defendeu que tarifas podem ser úteis temporariamente, desde que integradas a uma estratégia doméstica mais ampla, o que não parece ser o caso das políticas atuais.

    No mesmo evento, Alexander Soros, presidente da Open Society Foundations, foi além, sugerindo que as tarifas e sanções contra o Brasil são uma tentativa de Trump de interferir no sistema político brasileiro, favorecendo o ex-presidente Jair Bolsonaro em detrimento do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    É claramente uma tentativa de mudar o regime contra Lula e a favor de Bolsonaro”, afirmou Soros, referindo-se a uma carta enviada pelos EUA ao Brasil. Ele alertou, no entanto, que essa estratégia “pode sair pela culatra”, já que Bolsonaro está inelegível e as medidas são impopulares.

    Soros ainda observou que, politicamente, “é muito pior ser amigo de Trump do que seu inimigo”, citando o caso da Polônia, onde a interferência de Trump favoreceu o nacionalista Karol Nawrocki em junho.

    CONTEXTO E REAÇÕES NO BRASIL

    As tarifas americanas, que incluem um imposto de 50% sobre produtos brasileiros, têm gerado tensões nas relações bilaterais.

    O governo brasileiro, sob a liderança de Lula, respondeu formalmente ao Departamento de Comércio dos EUA, argumentando que as acusações americanas são infundadas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as políticas brasileiras investigadas são “transparentes, não discriminatórias e totalmente alinhadas” com as regras internacionais.

    A decisão do Brasil de contestar as tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC) foi elogiada pelo professor japonês Tomohiko Kobayashi, que, em outra matéria com uma entrevista ao Valor International, destacou o compromisso do país com as regras multilaterais.

    Recentemente, a Associated Press reportou que as tarifas de Trump estão impactando negativamente o turismo em Las Vegas, com resorts e centros de convenções registrando menos visitantes estrangeiros, o que sugere um efeito colateral das políticas protecionistas no setor de serviços.

    Apoiadores de Trump, como seu vice-presidente JD Vance, alegam que as tarifas geram receita para aliviar impostos dos americanos e críticos, conforme mostrou a revista The Economist, afirmam que o custo recai sobre os consumidores e que o impacto econômico será sentido a longo prazo.

    IMPLICAÇÕES GLOBAIS E O FUTURO DO COMÉRCIO

    As críticas de Rodrik e Soros ecoam preocupações mais amplas sobre o impacto das políticas de Trump no comércio global.

    A OMC, já enfraquecida desde o primeiro mandato de Trump (2017-2021), enfrenta desafios para manter sua relevância em meio ao aumento do protecionismo.

    Kobayashi, em sua análise, destacou que “todos os países perdem com tarifas imprevisíveis e flutuantes”, reforçando a necessidade de reformas na organização para lidar com crises como a paralisia de seu Órgão de Apelação.

    Enquanto isso, o Brasil busca alternativas para mitigar os impactos das tarifas, incluindo negociações sobre minerais críticos, como nióbio e manganês, nos quais o país detém reservas significativas.

    Em uma publicação distinta, o Ministério de Minas e Energia afirmou ao Valor International que propostas de cooperação internacional estão em análise, respeitando a soberania nacional e visando benefícios para a sociedade brasileira.



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