Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Tarifaço: Taurus pode encerrar operação no Brasil e deixar 15 mil sem emprego

    Clickable caption
    Revólver Taurus
    Revólver Taurus RT838 com cabo em madeira e uma referência ao número eleitoral da ocasião, 17, personalizado com o nome e a foto do então presidente no ano de 2021, Jair Bolsonaro, presente do CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, durante a 1ª Feira Brasileira do Grafeno, em Caxias do Sul (RS) | Crédito: LRCA Defense Consulting


    Medida anunciada por Donald Trump contra produtos brasileiros pode forçar a fabricante de armas de fogo a sair do País, impactando economia no Rio Grande do Sul



    Brasília, 27 de julho de 2025

    A Taurus Armas, maior fabricante de armas de fogo do Brasil, enfrenta uma crise sem precedentes devido à tarifa de 50% imposta pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto de 2025.

    Anunciada em 9 de julho, a medida tem como justificativa o tratamento dado pela Justiça brasileira a Jair Bolsonaro, acusado de tramar um golpe de Estado, o que Trump classificou como “perseguição”.

    A empresa cresceu significativamente durante o governo do ex-presidente (2019-2022), impulsionada principalmente pela flexibilização das regras para compra e posse de armas no Brasil e pelo aumento da demanda no mercado americano.

    Segundo dados disponíveis, as vendas da Taurus no mercado brasileiro passaram de 102 mil unidades em 2018 para 372 mil unidades em 2021, o que representa um crescimento de 265% no período.

    No mercado global, as vendas totais da empresa dobraram entre 2018 e 2021, saindo de 1,2 milhão para 2,3 milhões de unidades, um aumento de aproximadamente 91,7%. Além disso, a receita líquida da empresa cresceu 204,7% entre 2019 e 2021, e o lucro líquido registrou um aumento expressivo de 1.059% no mesmo período.

    As ações preferenciais (TASA4) da Taurus valorizaram 161,2%, enquanto as ordinárias (TASA3) subiram 121,2% entre 2 de janeiro de 2019 e 28 de outubro de 2022.

    Esses números refletem o impacto das políticas de Bolsonaro, que incluiu cerca de 30 decretos e atos normativos para facilitar o acesso a armas, além da redução de impostos de exportação.

    Mas agora, a Taurus, que exporta 85% de sua produção para os Estados Unidos, vê seu modelo de negócio ameaçado, já que o mercado americano representa 83% de sua receita líquida em 2024, com 1 milhão de armas vendidas apenas no último ano, segundo o g1.

    O CEO da empresa, Salesio Nuhs, alertou que a taxação de 50% torna a operação no Brasil “inviável”, podendo levar à transferência total da produção para os Estados Unidos, onde a Taurus já mantém uma fábrica em Bainbridge, na Geórgia.

    Essa unidade, porém, produz apenas 28% das armas da empresa, dependendo de peças importadas do Brasil, que também seriam taxadas. A mudança colocaria em risco 15 mil empregos no Rio Grande do Sul, sendo 3 mil diretos na fábrica de São Leopoldo, impactando 4,7% do PIB municipal.

    Nuhs criticou a falta de habilidade do governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, em negociar com os Estados Unidos, apontando “insegurança jurídica” para empresários e trabalhadores.

    Diante do cenário, a Taurus busca alternativas para minimizar os danos. Salesio Nuhs já se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que coordena o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, para discutir soluções.

    A empresa também explora novos mercados, como a possível aquisição da fabricante turca Mertsav, que poderia abrir portas para a Arábia Saudita. Além disso, a Taurus já opera uma fábrica na Índia, participando de uma licitação de 425 mil fuzis do Ministério da Defesa indiano, a maior do mundo.

    Apesar dessas estratégias, especialistas como Fabiano Vaz, da Nord Investimentos, destacam que replicar a estrutura de produção brasileira, com baixos custos e integração vertical, seria um desafio logístico e financeiro, segundo O Globo.

    O impacto do “tarifaço” vai além da Taurus, afetando a economia brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul e em São Paulo, que concentram 53% e 47% das exportações de armas, respectivamente.

    Com os Estados Unidos absorvendo 61,3% das vendas externas do setor, que movimentou US$ 528 milhões em 2024, a taxação pode desencadear uma recessão regional.

    Enquanto Trump prepara uma nova declaração de emergência para justificar legalmente as tarifas, o governo brasileiro tenta abrir canais de negociação, mas sem sucesso até o momento.

    A Taurus, que já perdeu R$ 200 milhões em valor de mercado, enfrenta um futuro incerto, com o risco de demissões em massa e o fim de suas operações no Brasil.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    1 comentário em “Tarifaço: Taurus pode encerrar operação no Brasil e deixar 15 mil sem emprego”

    1. Se for embora não fará falta enjuma, podendo aí abrir portas para outros fabricantes

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading