📷 Flávio Bolsonaro nos EUA / Foto: Divulgação Fernando Pessoa – assessor parlamentar e estrategista de redes sociais do senador | Lula / Foto: Ricardo Stuckert |•| Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
23 de julho de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs nesta quarta-feira (22) uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, incluindo máquinas agrícolas, produtos de madeira, etanol e vestuário.
A medida, que já era esperada após investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ameaça entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para o mercado americano, segundo estimativas do governo brasileiro e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O tarifaço, no entanto, pode ter um efeito colateral politicamente significativo: favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral de outubro.
Pesquisa Quaest divulgada em 16 de julho, encomendada pela Genial Investimentos, mostra que 51% dos brasileiros culpam o senador Flávio Bolsonaro (PL) pela taxação, contra apenas 30% que atribuem a responsabilidade a Lula.
A vantagem do petista aumentou em relação a junho, quando 47% culpavam Flávio e 35%, Lula.
O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho , também revelou que 58% dos entrevistados não acreditam que Flávio Bolsonaro tenha influência suficiente para convencer Trump a reverter as tarifas.
Apenas 34% confiam na capacidade do senador de reverter a medida. Entre os que sabiam da viagem de Flávio aos EUA para tratar do tema, o ceticismo é ainda maior.
O efeito eleitoral
O impacto nas intenções de voto é direto: 42% dos entrevistados afirmaram que o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula, contra 27% que disseram o mesmo em relação a Flávio.
Em junho, esses números eram, respectivamente, 39% e 30%. Ou seja, a medida de Trump, que na teoria deveria prejudicar a economia brasileira, tem fortalecido a imagem de Lula como defensor da soberania nacional e enfraquecido a de Flávio, que tenta se apresentar como ponte com o governo americano.
O economista Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, avalia que Lula tem incentivos eleitorais para não retaliar as tarifas, pois a medida pode reduzir a inflação no Brasil a curto prazo.
A avaliação de Pessôa, segundo a BBC News Brasil, é que a economia deve jogar a favor do petista na corrida eleitoral, com crescimento de cerca de 2% em 2026 e desaceleração que “não chega a machucar muito o mercado de trabalho”.
O Pix como ponto de atrito
O sistema de pagamentos instantâneos Pix, um dos mais bem-sucedidos do mundo, tornou-se um dos principais pontos de atrito entre Brasília e Washington. A administração Trump busca proteger empresas americanas da crescente popularidade do modelo brasileiro, que já inspira iniciativas em dezenas de países.
A investigação do USTR, que culminou na tarifa de 25%, citou o Pix como uma das justificativas para a taxação, ao lado de decisões da Justiça brasileira sobre plataformas digitais, fiscalização ambiental e combate à corrupção.
Para Lula, as tarifas são uma retaliação ao Pix. Para Flávio, seriam uma reação a declarações do petista contra os EUA.
O tarifaço de Trump, ainda que represente um desafio econômico para o Brasil, pode se revelar um trunfo político para Lula.
Ao mesmo tempo que expõe a fragilidade de Flávio Bolsonaro — que tenta se desvencilhar da imagem de subserviência a Trump —, a medida alimenta o discurso do petista de defesa da soberania nacional.
A pergunta que fica é se o governo brasileiro conseguirá transformar essa vantagem eleitoral em política de Estado sem prejudicar a economia real.
O senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington na semana passada para tentar convencer o governo Trump a reverter a decisão.
Em seu depoimento ao USTR, ele afirmou que as tarifas beneficiariam Lula e que “agora seria o pior momento” para implantá-las.
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