Abrafrutas aponta que preços de alguns produtos podem ser reduzidos em até 80% se produção destinada aos EUA não for entregue
Brasília, 29 de julho de 2025
A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, está mudando o cenário econômico no Brasil.
A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, dificulta a exportação de itens como carne bovina, café e frutas, resultando em maior oferta no mercado interno e queda nos preços.
Segundo o economista Fábio Romão, da LCA 4Intelligence, a arroba do boi gordo caiu por três semanas consecutivas nas praças pecuárias de São Paulo, impulsionada por incertezas da taxação e pela sazonalidade do inverno, que reduz pastagens e aumenta abates.
Essa dinâmica deve chegar aos consumidores entre agosto e setembro, trazendo alívio ao bolso, conforme mostra matéria em O Globo.
No setor de frutas, a Abrafrutas (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados), liderada por Guilherme Coelho, aponta que no Vale do São Francisco, responsável por 90% das exportações de mangas e uvas, os preços já caem.
A manga Tommy, por exemplo, foi negociada a R$ 1,50 por quilo entre 14 e 18 de julho, caindo para R$ 1,36 na semana seguinte, uma redução de 4%.
Se as 48 mil toneladas destinadas aos EUA permanecerem no Brasil, o preço pode despencar para R$ 0,30. Neste caso, a redução seria de 80% e geraria grandes prejuízos a produtores.
Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea/USP, explica que frigoríficos, como JBS e Minerva, redirecionam produção para o mercado interno, intensificando a baixa de preços.
Por outro lado, o café enfrenta um cenário diferente. Apesar da maior oferta interna, os preços subiram devido a fatores como safra menor e custos logísticos elevados.
André Perfeito, economista, destaca que produtos perecíveis, como café e suco de laranja, são difíceis de armazenar ou redirecionar, aumentando a oferta doméstica e pressionando preços para baixo, mas o dólar alto pode neutralizar esse efeito.
A JBS, com fábricas na Austrália, e a Minerva, com unidades na Argentina, Uruguai e Colômbia, podem exportar de outros países para os EUA, mas o impacto no mercado brasileiro segue forte, com mais produtos disponíveis localmente.
A guerra tarifária traz benefícios de curto prazo para consumidores brasileiros, com preços mais baixos de carne e frutas, mas preocupa o setor produtivo.
Guilherme Coelho alerta que preços muito baixos podem levar produtores a não colher, enquanto Sidney Sanches Zamora Filho, do grupo agropecuário Zamora, prevê queda nas exportações e busca por mercados alternativos como China e Oriente Médio.
A Confederação Nacional da Indústria teme impactos no emprego, e o Ministério da Fazenda, liderado por Fernando Haddad, trabalha em um plano de contingência para mitigar prejuízos.
A disputa comercial exige equilíbrio entre alívio imediato e estabilidade econômica de longo prazo.









O Trump quer ver o caos no Brasil para ele meter as mãos nos nossos minérios, lítio ,NIÓBIO e terras raras.
O BRASIL é dos brasileiros, não podem se dobrar a esse fascista mor.
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