Comércio exterior brasileiro aumenta 30% com vendas para a República Popular e o Mercado Comum do Sul, compensando e superando a queda em relação aos Estados Unidos
Brasília, 04 de setembro de 2025
As exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram uma queda de 18% em agosto de 2025, impactadas pelo tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, que aplicou uma alíquota de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
Apesar disso, o comércio exterior do Brasil registrou crescimento no período, impulsionado por um aumento de quase 30% nas vendas para a China e os países do Mercosul em comparação com o mesmo mês de 2024.
Esse desempenho elevou o saldo comercial brasileiro, demonstrando a capacidade do país de redirecionar suas exportações para outros mercados estratégicos em meio à guerra tarifária global.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a redução nas exportações para os EUA reflete o impacto imediato das barreiras comerciais impostas por Trump, que justificou a medida como resposta a supostas “práticas comerciais desleais” do Brasil e questões políticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Produtos como petróleo bruto, aço semiacabado, café e suco de laranja, que representam uma parcela significativa das vendas brasileiras aos EUA, foram diretamente afetados. Em 2024, os EUA receberam 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,4 bilhões, mas a nova tarifa comprometeu setores estratégicos, como a indústria de suco de laranja, que exporta 41,7% de sua produção para o mercado norte-americano.
Por outro lado, a China, principal parceira comercial do Brasil, absorveu parte da demanda impactada. Em 2024, o país asiático respondeu por 28% das exportações brasileiras, com destaque para soja, carne bovina e petróleo.
Em julho, as exportações de carne bovina para a China atingiram um recorde de 276,88 mil toneladas, gerando US$ 6 bilhões em faturamento, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec).
Além disso, a liberação de 183 novas empresas brasileiras para exportar café e 30 para gergelim reforça a estratégia chinesa de diversificar fornecedores em resposta às tensões comerciais com os EUA.
“A China tem buscado alternativas em nações com boas relações diplomáticas, e o Brasil surge como um parceiro relevante”, afirmou Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), em entrevista à CNN Brasil.
RECEBA NOSSAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS EM SEU E-MAIL
Os países do Mercosul, especialmente a Argentina, também contribuíram para o crescimento das exportações brasileiras.
Em 2024, a Argentina importou 4% dos produtos brasileiros, com destaque para automóveis, camionetas e peças automotivas.
O aumento de quase 30% nas vendas para o bloco em agosto de 2025 reflete a consolidação do Mercosul como um mercado estratégico, especialmente após a validação do acordo comercial com a União Europeia em dezembro de 2024, que promete ampliar ainda mais as oportunidades para o bloco sul-americano.
A guerra comercial entre EUA e China abriu espaço para o Brasil redirecionar produtos como soja e carne, antes destinados aos EUA, para o mercado asiático.
No entanto, especialistas alertam para os desafios logísticos e a concorrência acirrada no mercado chinês, especialmente para produtos manufaturados.
“Abrir novos mercados para manufaturados na China exige preparação logística e parcerias locais”, destacou Célio Hirakuta, professor da Unicamp, em análise publicada pelo O Globo.
O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem intensificado esforços para diversificar mercados e minimizar a dependência de parceiros específicos.
A Lei da Reciprocidade Econômica (15.122 de 2025), aprovada em abril, é uma das medidas para responder às tarifas unilaterais dos EUA.
Além disso, missões comerciais à China estão planejadas para o segundo semestre de 2025, com o objetivo de ampliar a presença de produtos brasileiros no mercado asiático, conforme informou Fagner Santos, da JF Comex Consultoria, à CNN Brasil.
Apesar do crescimento das exportações totais, a dependência da China levanta preocupações.
“Um choque na economia chinesa poderia impactar negativamente o Brasil”, alertou Celso Amorim, assessor especial da Presidência, em entrevista à Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Para mitigar riscos, o Brasil busca fortalecer laços com outros mercados, como a União Europeia e países asiáticos, enquanto negocia isenções tarifárias com os EUA.







