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Tarifaço de Trump derruba 18% das exportações do Brasil aos EUA, mas País cresce com China e Mercosul

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    O Presidente
    O Presidente da República Federativa do Brasil, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (PT), faz gesto de Hang Loose, de origens no Havaí, símbolo de positividade e boas vibrações | Ao fundo, o presidente dos Estados Unidos, DONALD TRUMP, em foto de Valery Sharifulin, da agência russa TASS | Sobreposição de Imagens / Arte UrbsMagna


    Brasília, 04 de setembro de 2025

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram uma queda de 18% em agosto de 2025, impactadas pelo tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, que aplicou uma alíquota de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

    Apesar disso, o comércio exterior do Brasil registrou crescimento no período, impulsionado por um aumento de quase 30% nas vendas para a China e os países do Mercosul em comparação com o mesmo mês de 2024.

    Esse desempenho elevou o saldo comercial brasileiro, demonstrando a capacidade do país de redirecionar suas exportações para outros mercados estratégicos em meio à guerra tarifária global.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a redução nas exportações para os EUA reflete o impacto imediato das barreiras comerciais impostas por Trump, que justificou a medida como resposta a supostas “práticas comerciais desleais” do Brasil e questões políticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Produtos como petróleo bruto, aço semiacabado, café e suco de laranja, que representam uma parcela significativa das vendas brasileiras aos EUA, foram diretamente afetados. Em 2024, os EUA receberam 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,4 bilhões, mas a nova tarifa comprometeu setores estratégicos, como a indústria de suco de laranja, que exporta 41,7% de sua produção para o mercado norte-americano.

    Por outro lado, a China, principal parceira comercial do Brasil, absorveu parte da demanda impactada. Em 2024, o país asiático respondeu por 28% das exportações brasileiras, com destaque para soja, carne bovina e petróleo.

    Em julho, as exportações de carne bovina para a China atingiram um recorde de 276,88 mil toneladas, gerando US$ 6 bilhões em faturamento, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec).

    Além disso, a liberação de 183 novas empresas brasileiras para exportar café e 30 para gergelim reforça a estratégia chinesa de diversificar fornecedores em resposta às tensões comerciais com os EUA.

    “A China tem buscado alternativas em nações com boas relações diplomáticas, e o Brasil surge como um parceiro relevante”, afirmou Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), em entrevista à CNN Brasil.

    Os países do Mercosul, especialmente a Argentina, também contribuíram para o crescimento das exportações brasileiras.

    Em 2024, a Argentina importou 4% dos produtos brasileiros, com destaque para automóveis, camionetas e peças automotivas.

    O aumento de quase 30% nas vendas para o bloco em agosto de 2025 reflete a consolidação do Mercosul como um mercado estratégico, especialmente após a validação do acordo comercial com a União Europeia em dezembro de 2024, que promete ampliar ainda mais as oportunidades para o bloco sul-americano.

    A guerra comercial entre EUA e China abriu espaço para o Brasil redirecionar produtos como soja e carne, antes destinados aos EUA, para o mercado asiático.

    No entanto, especialistas alertam para os desafios logísticos e a concorrência acirrada no mercado chinês, especialmente para produtos manufaturados.

    “Abrir novos mercados para manufaturados na China exige preparação logística e parcerias locais”, destacou Célio Hirakuta, professor da Unicamp, em análise publicada pelo O Globo.

    O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem intensificado esforços para diversificar mercados e minimizar a dependência de parceiros específicos.

    A Lei da Reciprocidade Econômica (15.122 de 2025), aprovada em abril, é uma das medidas para responder às tarifas unilaterais dos EUA.

    Além disso, missões comerciais à China estão planejadas para o segundo semestre de 2025, com o objetivo de ampliar a presença de produtos brasileiros no mercado asiático, conforme informou Fagner Santos, da JF Comex Consultoria, à CNN Brasil.

    Apesar do crescimento das exportações totais, a dependência da China levanta preocupações.

    “Um choque na economia chinesa poderia impactar negativamente o Brasil, alertou Celso Amorim, assessor especial da Presidência, em entrevista à Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

    Para mitigar riscos, o Brasil busca fortalecer laços com outros mercados, como a União Europeia e países asiáticos, enquanto negocia isenções tarifárias com os EUA.



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