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Tarifaço de Trump pode impactar mais de 10 mil empresas brasileiras, diz Haddad

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    Fernando Haddad
    Fernando Haddad, ministro da Fazenda | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


    Caso o Brasil retalie com tarifas sobre produtos americanos, Trump prometeu elevar ainda mais as taxas, criando uma “escada tarifária



    Brasília, 25 de julho de 2025

    A economia brasileira enfrenta um novo desafio com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto de 2025.

    Anunciada em 9 de julho, a medida pode impactar mais de 10 mil empresas brasileiras, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comprometendo setores estratégicos como petróleo, ferro, aço, aeronaves e agronegócio.

    Em 2024, o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões para os EUA, equivalente a 12% do total exportado, com destaque para óleos brutos (US$ 7,5 bilhões), produtos de ferro e aço (US$ 5,3 bilhões) e aeronaves (US$ 2,7 bilhões).

    A tarifa, que se soma a outras já existentes, encarecerá os produtos brasileiros no mercado americano, reduzindo sua competitividade e ameaçando empregos e o crescimento econômico do país.

    A justificativa de Trump para a tarifa mistura questões comerciais e políticas. Ele alega que a relação comercial com o Brasil é “injusta”, citando barreiras tarifárias e não tarifárias, além de um suposto déficit comercial americano – argumento contestado por dados que mostram um superávit dos EUA de US$ 88,61 bilhões na balança comercial com o Brasil desde 2009.

    Além disso, Trump criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por supostos “ataques à liberdade de expressão” e pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado, chamando-o de “caça às bruxas”.

    A medida também inclui a abertura de uma investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o que pode levar a novas sanções.

    Os impactos no Brasil podem ser profundos. Especialistas preveem uma possível desaceleração econômica, com risco de desvalorização do real, aumento da inflação e perda de empregos – a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cada R$ 1 bilhão exportado aos EUA gera 24,3 mil empregos no Brasil.

    Setores como o agronegócio (café, carne e suco de laranja) e a indústria (Embraer e siderúrgicas) estão entre os mais vulneráveis.

    Caso o Brasil retaliar com tarifas sobre produtos americanos, Trump prometeu elevar ainda mais as taxas, criando uma “escada tarifária”. No entanto, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, aposta no diálogo diplomático e na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, para responder à medida sem escalar o conflito.

    A reação no Brasil tem sido de preocupação e mobilização. Empresas em São Paulo e Minas Gerais estão acelerando a produção para antecipar entregas antes de 1º de agosto, enquanto o governo busca negociar com os EUA, embora os canais formais de diálogo estejam travados.

    A Câmara Americana de Comércio (Amcham) alerta que a tarifa também prejudicará os consumidores americanos, especialmente em produtos como café e suco de laranja, onde o Brasil é um fornecedor estratégico.

    Alternativas como redirecionar exportações para Ásia ou União Europeia são consideradas, mas especialistas destacam que nenhum mercado substitui totalmente os EUA.

    A tensão comercial é fruto de um embate político-ideológico. O desfecho dependerá de negociações delicadas nos próximos dias.



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