Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Tarifa de Trump derruba anistia de Bolsonaro: como a pressão dos EUA afetou o Congresso

    Clickable caption
    Cartaz em
    Cartazes em ato progressista na avenida Paulista afirmam que o Congresso é “inimigo do povo” e diz não ao projeto de “anistia” que tramita no Legislativo |10.7.2025| Imagem reprodução


    Interferência na política brasileira promove o fracasso do projeto para favorecer envolvidos no 8 de Janeiro

    RESUMO <<A pressão do presidente americano Donald Trump, que anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acabou enfraquecendo a tramitação de um projeto de lei (PL) de anistia no Congresso Nacional. A proposta, que visava reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, perdeu força após a vinculação explícita da tarifa à aprovação da anistia, gerando rejeição entre parlamentares e reforçando a percepção de interferência externa. Líderes de diferentes espectros políticos avaliam que o tema se tornou politicamente inviável no momento>>



    Brasília, 12 de julho de 2025

    A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (9/jul), abalou não apenas as relações comerciais entre Brasil e EUA, mas também a dinâmica política interna no Congresso Nacional.

    A medida, justificada por Trump como uma resposta à suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, teve um efeito inesperado: enfraqueceu significativamente a tramitação de um projeto de lei (PL) de anistia que beneficiaria condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    A proposta, que já enfrentava resistência, tornou-se politicamente tóxica após a vinculação direta entre a tarifa e a exigência de anistia, gerando um recuo generalizado entre parlamentares.

    Em uma carta publicada no Truth Social, Trump criticou duramente o governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de atacar empresas americanas de tecnologia e de perseguir politicamente Bolsonaro.

    A tarifa de 50%, que entrará em vigor a partir de 1º de agosto de 2025, foi apresentada como uma retaliação à condução do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), liderado pelo ministro Alexandre de Moraes.

    Trump classificou o processo como uma “desgraça internacional” e exigiu que a “caça às bruxas” fosse interrompida imediatamente.

    No Brasil, a reação foi imediata. Lula afirmou que o Brasil é uma nação soberana e não aceitará interferências externas, prometendo retaliar com medidas recíprocas baseadas na Lei de Reciprocidade Econômica.

    A pressão de Trump, no entanto, foi interpretada por aliados de Bolsonaro, como seus filhos Eduardo e Flávio Bolsonaro, como uma oportunidade para impulsionar o PL da anistia, que tramitava no Congresso sob articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de setores do centrão.

    O Projeto de anistia e sua derrota

    O PL da anistia visava excluir dois tipos penais dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, permitindo que presos cumprissem penas em regimes semiaberto ou aberto, reduzindo a severidade das condenações.

    A proposta, que não incluía inicialmente os apontados como autores intelectuais do golpe, como Jair Bolsonaro, estava sendo costurada pela cúpula do Congresso para ser apresentada ainda em julho de 2025. No entanto, a intervenção de Trump e as declarações de Eduardo e Flávio Bolsonaro, que condicionaram o recuo da tarifa à aprovação da anistia, mudaram o cenário político.

    Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do cargo de deputado federal e vive nos EUA desde março de 2025, intensificou a pressão ao publicar uma nota com o jornalista Paulo Figueiredo, exigindo uma “anistia ampla, geral e irrestrita” como condição para suspender a tarifa.

    Ele chegou a chamar a medida de “tarifa-Moraes“, atribuindo a culpa ao ministro do STF. Flávio Bolsonaro, por sua vez, reforçou o discurso em entrevista à CNN Brasil, sugerindo que o STF deveria reduzir pressões sobre o Congresso para facilitar a aprovação da anistia.A estratégia bolsonarista, no entanto, saiu pela culatra.

    Líderes partidários de diferentes espectros políticos avaliaram que a vinculação da anistia à tarifa americana transformou o projeto em um símbolo de submissão à pressão externa, algo inaceitável em um contexto de defesa da soberania nacional.

    Parlamentares de direita, que inicialmente apoiavam a proposta sob a liderança de Hugo Motta, recuaram diante da repercussão negativa. A percepção de que o Brasil estaria “cedendo aos EUA” inviabilizou até mesmo uma proposta alternativa, que já era vista como improvável na quinta-feira, 10 de julho de 2025.

    Nos bastidores, setores da direita admitiram a possibilidade de incluir Jair Bolsonaro em um destaque durante a tramitação do PL, mas a crise comercial e a rejeição à interferência americana tornaram essa possibilidade remota.

    O cientista político Rafael Cortez, em entrevista à BBC News Brasil, destacou que o tom político da carta de Trump pode, paradoxalmente, fortalecer Lula, que tem enfatizado a soberania brasileira em sua resposta à crise.

    Impactos Políticos e Econômicos

    A pressão de Trump expôs as tensões entre os dois países e resgatou o debate sobre a influência de potências estrangeiras na política brasileira. Para o economista americano Paul Krugman, a tarifa não tem justificativa econômica, sendo uma tentativa clara de Trump de proteger Bolsonaro, a quem ele considera um aliado ideológico. No Brasil, a queda do real em mais de 2% após o anúncio da tarifa, demonstra os impactos econômicos imediatos da medida.

    Enquanto isso, a narrativa bolsonarista de culpar Lula e o STF, amplificada por deputados como Eduardo e Flávio Bolsonaro, enfrentou resistência até mesmo entre aliados. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, focou suas críticas em Lula, evitando mencionar o STF, enquanto outros bolsonaristas, como Gustavo Gayer e Bia Kicis, seguiram a mesma linha.

    No entanto, o consenso entre líderes partidários é de que a anistia, agora associada à pressão de Trump, tornou-se um tema “tóxico” no Congresso.

    A tentativa de vincular a suspensão da tarifa de 50% à aprovação do PL da anistia revelou a fragilidade da articulação bolsonarista no Congresso e expôs os riscos de alinhamentos internacionais que comprometam a soberania brasileira.

    A pressão de Trump, ao invés de fortalecer a causa de Jair Bolsonaro, acabou por enterrar as chances de avanço do projeto, pelo menos no curto prazo.

    Com a cúpula do Congresso recuando e líderes de esquerda e direita rejeitando a proposta, o Brasil enfrenta agora o desafio de responder à crise comercial sem ceder à interferência externa, enquanto o destino político de Bolsonaro permanece nas mãos do STF.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading