“Não vamos gastar dinheiro para colher se não houver mercado para vender“, diz agricultor – SAIBA MAIS
Brasília, 24 de julho de 2025
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto está causando alarme no cinturão cítrico do Brasil, especialmente em regiões como Formoso, no estado de Minas Gerais.
A medida, que eleva drasticamente o custo de exportação, ameaça desestabilizar a indústria do suco de laranja, um setor vital para a economia brasileira e para o mercado americano.
Com preços despencando e agricultores considerando deixar frutas apodrecendo nas árvores, o impacto pode ser sentido tanto no Brasil quanto nas prateleiras dos supermercados nos EUA, segundo uma reportagem da agência de notícias Reuters.
O Brasil é responsável por 80% da produção mundial de suco de laranja, sendo o maior exportador global.
Os Estados Unidos, que compram 42% do suco de laranja exportado pelo Brasil, representam um mercado de cerca de US$ 1,31 bilhão na temporada encerrada em junho passado.
No entanto, a nova tarifa, que representa um aumento de 533% em relação ao imposto atual de US$ 415 por tonelada, pode tornar o produto brasileiro inviável no mercado americano. Fabricio Vidal, agricultor de Formoso, resume a situação: “Não vamos gastar dinheiro para colher se não houver mercado para vender.”
A queda nos preços já é uma realidade. Segundo o índice Cepea, da Universidade de São Paulo, o preço da caixa de laranja no Brasil caiu para 44 reais (cerca de US$ 8), quase a metade do valor de um ano atrás.
Essa desvalorização reflete o impacto imediato das políticas comerciais de Trump, que geram incerteza mesmo antes de entrarem em vigor.
Nos Estados Unidos, a dependência do suco de laranja brasileiro é significativa. Marcas populares como Tropicana, Minute Maid e Simply Orange, que respondem por cerca de 60% do mercado americano, dependem diretamente das importações do Brasil.
Metade do suco de laranja consumido no país vem de pomares brasileiros, uma necessidade agravada por problemas locais, como a doença do “citrus greening”, furacões e períodos de frio intenso, que reduziram a produção americana a apenas 108,3 milhões de galões na safra 2024/25, o menor nível em meio século.
Com isso, as importações representam 90% do suprimento de suco de laranja nos EUA até setembro, segundo o Investing.com.
A imposição da tarifa pode elevar os preços do suco de laranja para os consumidores americanos, impactando diretamente o bolso de famílias e empresas.
A Johanna Foods, uma produtora e distribuidora de sucos de Nova Jersey, já entrou com uma ação judicial contra as tarifas, alegando que elas causarão “danos financeiros significativos e diretos” tanto para a empresa quanto para os consumidores.
Grandes marcas como Coca-Cola e Pepsi, que dominam o mercado de sucos, também podem enfrentar dificuldades.
Alternativas limitadas para o Brasil
Substituir o mercado americano não será tarefa fácil. O suco de laranja brasileiro é exportado para apenas 40 países, um número bem inferior ao de outros produtos agrícolas, como a carne, que chega a três vezes mais destinos.
A União Europeia já absorve 52% das exportações brasileiras de suco, tornando improvável um aumento significativo nesse mercado. Outros países, como Índia e Coreia do Sul, impõem altas tarifas, enquanto a China, com baixa renda per capita, não tem demanda suficiente para absorver o excedente.
Uma alternativa mencionada por Arlindo de Salvo, consultor independente do setor, é exportar por meio de Costa Rica, prática já adotada por algumas empresas para evitar tarifas atuais, mas essa solução pode não ser suficiente para compensar as perdas.
Ibiapaba Netto, diretor da CitrusBR, expressou a crescente ansiedade do setor: “À medida que o dia em que as tarifas entrarão em vigor se aproxima, a incerteza sobre o que pode acontecer só aumenta”.
A decisão de Trump também tem motivações políticas. O presidente americano justificou as tarifas citando supostos “ataques do Brasil às eleições livres e aos direitos de liberdade de expressão dos americanos”, além de alegar déficits comerciais, embora os EUA tenham um superávit comercial de US$ 7,4 bilhões com o Brasil em 2024.
A medida parece estar ligada à tentativa de Trump de apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta julgamento no Supremo Tribunal Federal por suposta tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, respondeu prometendo retaliar com medidas recíprocas, conforme previsto na Lei de Reciprocidade Econômica do Brasil.
A tensão entre os dois países já impactou o mercado financeiro, com o real brasileiro caindo mais de 2% após o anúncio e empresas como Embraer e Petrobras enfrentando perdas na bolsa.
Um futuro incerto para o setor
As tarifas de Trump colocam em risco não apenas os agricultores brasileiros, mas também a cadeia de suprimentos global do suco de laranja.
Com a produção americana em declínio e poucos mercados alternativos viáveis, o Brasil enfrenta um cenário de perdas econômicas significativas, estimadas em até US$ 5,8 bilhões para o agronegócio, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Enquanto isso, os consumidores americanos podem esperar preços mais altos e possíveis interrupções no fornecimento de suco de laranja.
A indústria cítrica brasileira, que já enfrenta desafios climáticos e econômicos, agora luta para sobreviver a esse novo obstáculo imposto por decisões políticas internacionais.









Trump e BOZO DESGRAÇADOS!
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