Governador aderiu à definição internacional de antissemitismo abandonado pelo governo em 2025; mundo desconfia de justificativa para ações em Gaza e de censura a críticas ao sionismo
Brasília (DF) · 26 de janeiro de 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, posicionou-se firmemente contra o antissemitismo, destacando a contribuição da comunidade judaica e anunciando medidas concretas para combatê-lo.
A fala, proferida em evento alusivo ao Holocausto, gerou rebuliço especialmente entre setores da esquerda, que interpretam as declarações como um alinhamento ideológico que silencia críticas ao Estado de Israel e ignora o sofrimento palestino.
No cerne da controvérsia está o trecho em que Tarcísio afirma: “…ainda tem gente que nos dias de hoje insiste em negar o Holocausto. A gente não pode permitir isso aqui. A comunidade judaica é sempre muito bem-vinda e presta uma série de bons serviços à nossa cidade de São Paulo”.
“É uma comunidade que oferece solidariedade, apoio, suporte, tecnologia e ciência, ajudando-nos em todas as ocasiões. Estamos aqui para dizer muito obrigado, para afirmar que não esqueceremos o que ocorreu e que combateremos e não permitiremos o antissemitismo em nosso estado“, emendou o governador.
Questionado sobre medidas práticas, ele respondeu: “A primeira delas foi a adesão de São Paulo à definição de antissemitismo (da IHRA). Vamos professar isso e transformar em ações concretas. Após os eventos de 7 de outubro de 2023, reunimo-nos com a comunidade para oferecer suporte e segurança em todas as instalações judaicas, como sinagogas e escolas, além de estender esse apoio ao Consulado de Israel em São Paulo. O Brasil é um país que abraça e agrega, e precisamos ser um exemplo disso“.
A menção à Aliança Internacional para a Memória do Holocausto remete a uma publicação de março de 2024, no Jerusalem Post, reportando que Tarcísio endossou a definição de antissemitismo, em cujo site oficial da IHRA. o descreve como “uma certa percepção dos judeus que pode ser expressa como ódio aos judeus“, incluindo exemplos como negar o direito à autodeterminação judaica ou comparar políticas israelenses ao nazismo.
Críticos, porém, argumentam que ela confunde antissemitismo com anti-sionismo, inibindo debates legítimos sobre o conflito israelense-palestino.
Reações da esquerda foram imediatas e veementes, centradas na percepção de que tal adesão serve como escudo para ações de Israel em Gaza.
Em postagens no X (antigo Twitter), figuras progressistas como o usuário @broseph_stalin celebraram a revogação de definições semelhantes em outros contextos, afirmando que a IHRA “trata chamar Israel de empreendimento racista, ou comparar Israel aos nazistas, como antissemitismo“.
Outra postagem de @dylanotes destacou: “Centenas de especialistas se opõem à adoção da definição IHRA, porque ela prejudica a luta contra o antissemitismo real”, referenciando a Declaração de Jerusalém sobre Antissemitismo, que propõe uma alternativa mais restrita para evitar confusões.
No espectro político brasileiro, a esquerda, representada por líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vê o conflito em Palestina como uma luta contra ocupação e colonialismo, rotulando as operações israelenses em Gaza como “genocídio premeditado“, conforme declarações de Lula em fevereiro de 2024 e junho de 2025, reportadas pela Al Jazeera e Global Voices.
Essa visão alinha-se a movimentos progressistas latino-americanos, que historicamente apoiam causas anticoloniais, como visto na retirada do Brasil da IHRA em 2025 sob Lula, tornando-o o primeiro país a abandonar a aliança, segundo a página Antisemitism no Facebook.
Para a esquerda, o sionismo – definido pela BBC News como o movimento pela criação e manutenção de um Estado judeu na terra histórica de Israel – é frequentemente associado a expansionismo, diferenciando-o do semitismo, termo que abrange povos semíticos (incluindo árabes e judeus), mas cujo prefixo “anti” se refere historicamente a preconceito contra judeus, como esclarece a ADL.
Já a direita, exemplificada por Tarcísio e aliados, tende a enxergar Israel como uma democracia sitiada por ameaças terroristas, como o Hamas, e as ações em Gaza como respostas defensivas a ataques, como os de 7 de outubro de 2023.
Essa perspectiva minimiza acusações de “massacres“, priorizando alianças estratégicas e combatendo o antissemitismo em todas as formas, incluindo o que a IHRA classifica como anti-sionismo extremado.
Confusões surgem quando anti-sionismo – oposição ao sionismo como ideologia política, sem necessariamente odiar judeus – é equiparado a antissemitismo, uma distinção crucial defendida pela Jewish Voice for Peace, que alerta para o risco de weaponizar definições para calar dissidentes.
A pergunta final direcionada a Tarcísio sobre a retirada federal da IHRA em 2025 sob Lula – vista pela esquerda como correção de uma ferramenta que “conflui crítica a Israel com antissemitismo“, conforme a Evolve – não foi respondida no trecho, mas sublinha o abismo ideológico.
Em um Brasil polarizado, onde a mídia como o Al Jazeera Media Institute acusa coberturas enviesadas pró-Israel, a fala de Tarcísio não só reafirma compromissos locais, mas reacende um debate global sobre memória, identidade e justiça.
Postagens recentes no X, como de @shaneocurry, neste domingo (25/jan), criticam endossos à IHRA em contextos semelhantes.
Mais detalhes sobre a polêmica podem emergir de fontes como openDemocracy.

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