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Tarcísio volta a citar IHRA na contramão de Lula; tema é pauta mundial no polarizante debate esquerda x direita

    Governador aderiu à definição internacional de antissemitismo abandonado pelo governo em 2025; mundo desconfia de justificativa para ações em Gaza e de censura a críticas ao sionismo

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    Tarcísio de
    Tarcísio de Freitas em evento em memória ao Holocausto |25.1.2026| Foto: Guilherme Correia/Sputnik
    RESUMO

    Tarcísio de Freitas reiterou a adesão de São Paulo à definição de antissemitismo da IHRA em discurso de 25 de janeiro de 2026, contrastando com a saída do Brasil da aliança federal em 2025 sob Lula. O tema polariza mundialmente esquerda e direita: críticos veem a IHRA como escudo para ações em Gaza, enquanto defensores a consideram essencial contra antissemitismo real, sem censura a críticas legítimas ao sionismo.


    Brasília (DF) · 26 de janeiro de 2026

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, posicionou-se firmemente contra o antissemitismo, destacando a contribuição da comunidade judaica e anunciando medidas concretas para combatê-lo.

    A fala, proferida em evento alusivo ao Holocausto, gerou rebuliço especialmente entre setores da esquerda, que interpretam as declarações como um alinhamento ideológico que silencia críticas ao Estado de Israel e ignora o sofrimento palestino.

    No cerne da controvérsia está o trecho em que Tarcísio afirma: “…ainda tem gente que nos dias de hoje insiste em negar o Holocausto. A gente não pode permitir isso aqui. A comunidade judaica é sempre muito bem-vinda e presta uma série de bons serviços à nossa cidade de São Paulo”.

    É uma comunidade que oferece solidariedade, apoio, suporte, tecnologia e ciência, ajudando-nos em todas as ocasiões. Estamos aqui para dizer muito obrigado, para afirmar que não esqueceremos o que ocorreu e que combateremos e não permitiremos o antissemitismo em nosso estado“, emendou o governador.

    Questionado sobre medidas práticas, ele respondeu: “A primeira delas foi a adesão de São Paulo à definição de antissemitismo (da IHRA). Vamos professar isso e transformar em ações concretas. Após os eventos de 7 de outubro de 2023, reunimo-nos com a comunidade para oferecer suporte e segurança em todas as instalações judaicas, como sinagogas e escolas, além de estender esse apoio ao Consulado de Israel em São Paulo. O Brasil é um país que abraça e agrega, e precisamos ser um exemplo disso“.

    A menção à Aliança Internacional para a Memória do Holocausto remete a uma publicação de março de 2024, no Jerusalem Post, reportando que Tarcísio endossou a definição de antissemitismo, em cujo site oficial da IHRA. o descreve como “uma certa percepção dos judeus que pode ser expressa como ódio aos judeus“, incluindo exemplos como negar o direito à autodeterminação judaica ou comparar políticas israelenses ao nazismo.

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    Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA)

    Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).

    Definição de trabalho juridicamente não vinculativa de antissemitismo da IHRA.

    adotada pela Plenária da IHRA em Bucareste em 26 de maio de 2016.

    No espírito da Declaração de Estocolmo, que afirma: “Com a humanidade ainda marcada pelo… antissemitismo e xenofobia, a comunidade internacional compartilha a solene responsabilidade de combater esses males”, o Comitê sobre Antissemitismo e Negação do Holocausto convocou a Plenária da IHRA em Budapeste, em 2015, para adotar a seguinte definição de trabalho de antissemitismo.

    Em 26 de maio de 2016, a Plenária em Bucareste decidiu:

    Adotar a seguinte definição de trabalho juridicamente não vinculativa de antissemitismo:

    “Antissemitismo é uma certa percepção dos judeus, que pode ser expressa como ódio aos judeus.

    Manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são direcionadas a indivíduos judeus ou não judeus e/ou suas propriedades, a instituições da comunidade judaica e instalações religiosas.”

    Para orientar a IHRA em seu trabalho, os seguintes exemplos podem servir como ilustrações:

    Exemplos contemporâneos de antissemitismo na vida pública, na mídia, nas escolas, no local de trabalho e na esfera religiosa poderiam, levando em conta o contexto geral, incluir, mas não se limitam a:

    Apelar, auxiliar ou justificar a morte ou o ferimento de judeus em nome de uma ideologia radical ou de uma visão extremista da religião.

    Fazer alegações mendazes, desumanizantes, demonizantes ou estereotipadas sobre os judeus como tais ou sobre o poder dos judeus como coletivo — tais como, especialmente mas não exclusivamente, o mito sobre uma conspiração judaica mundial ou de judeus controlando a mídia, economia, governo ou outras instituições sociais.

    Acusar os judeus como povo de serem responsáveis por erros reais ou imaginários cometidos por uma única pessoa ou grupo judeu, ou mesmo por atos cometidos por não judeus.

    Negar o fato, o âmbito, os mecanismos (por exemplo, câmaras de gás) ou a intencionalidade do genocídio do povo judeu às mãos da Alemanha Nacional-Socialista e dos seus apoiadores e cúmplices durante a Segunda Guerra Mundial (o Holocausto).

    Acusar os judeus como povo, ou Israel como Estado, de inventar ou exagerar o Holocausto.

    Acusar os cidadãos judeus de serem mais leais a Israel, ou às alegadas prioridades dos judeus em todo o mundo, do que aos interesses das suas próprias nações.

    Negar ao povo judeu o seu direito à autodeterminação, por exemplo, alegando que a existência de um Estado de Israel é um empreendimento racista.

    Aplicar padrões duplos ao exigir de Israel um comportamento não esperado ou exigido de qualquer outra nação democrática.

    Usar os símbolos e imagens associados ao antissemitismo clássico (por exemplo, alegações de judeus matando Jesus ou libelo de sangue) para caracterizar Israel ou os israelenses.

    Estabelecer comparações entre a política israelense contemporânea e a dos nazistas.

    Responsabilizar os judeus coletivamente pelas ações do Estado de Israel.

    As manifestações podem incluir o direcionamento ao Estado de Israel, concebido como uma coletividade judaica.

    No entanto, críticas a Israel semelhantes às dirigidas a qualquer outro país não podem ser consideradas antissemitas.

    O antissemitismo frequentemente acusa os judeus de conspirarem para prejudicar a humanidade e é frequentemente usado para culpar os judeus por “por que as coisas dão errado”.

    Ele se expressa na fala, na escrita, em formas visuais e na ação, e emprega estereótipos sinistros e traços de caráter negativos.

    Atos antissemitas são criminosos quando assim definidos por lei (por exemplo, a negação do Holocausto ou a distribuição de materiais antissemitas em alguns países).

    Os atos criminosos são antissemitas quando os alvos dos ataques, sejam pessoas ou propriedades — tais como edifícios, escolas, locais de culto e cemitérios — são selecionados porque são, ou são percebidos como sendo, judeus ou ligados a judeus.

    A discriminação antissemita é a negação aos judeus de oportunidades ou serviços disponíveis para outros e é ilegal em muitos países.

    Críticos, porém, argumentam que ela confunde antissemitismo com anti-sionismo, inibindo debates legítimos sobre o conflito israelense-palestino.

    Reações da esquerda foram imediatas e veementes, centradas na percepção de que tal adesão serve como escudo para ações de Israel em Gaza.

    Em postagens no X (antigo Twitter), figuras progressistas como o usuário @broseph_stalin celebraram a revogação de definições semelhantes em outros contextos, afirmando que a IHRA “trata chamar Israel de empreendimento racista, ou comparar Israel aos nazistas, como antissemitismo“.

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    Outra postagem de @dylanotes destacou: “Centenas de especialistas se opõem à adoção da definição IHRA, porque ela prejudica a luta contra o antissemitismo real”, referenciando a Declaração de Jerusalém sobre Antissemitismo, que propõe uma alternativa mais restrita para evitar confusões.

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    No espectro político brasileiro, a esquerda, representada por líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vê o conflito em Palestina como uma luta contra ocupação e colonialismo, rotulando as operações israelenses em Gaza como “genocídio premeditado“, conforme declarações de Lula em fevereiro de 2024 e junho de 2025, reportadas pela Al Jazeera e Global Voices.

    Essa visão alinha-se a movimentos progressistas latino-americanos, que historicamente apoiam causas anticoloniais, como visto na retirada do Brasil da IHRA em 2025 sob Lula, tornando-o o primeiro país a abandonar a aliança, segundo a página Antisemitism no Facebook.

    Para a esquerda, o sionismo – definido pela BBC News como o movimento pela criação e manutenção de um Estado judeu na terra histórica de Israel – é frequentemente associado a expansionismo, diferenciando-o do semitismo, termo que abrange povos semíticos (incluindo árabes e judeus), mas cujo prefixo “anti” se refere historicamente a preconceito contra judeus, como esclarece a ADL.

    Já a direita, exemplificada por Tarcísio e aliados, tende a enxergar Israel como uma democracia sitiada por ameaças terroristas, como o Hamas, e as ações em Gaza como respostas defensivas a ataques, como os de 7 de outubro de 2023.

    Essa perspectiva minimiza acusações de “massacres“, priorizando alianças estratégicas e combatendo o antissemitismo em todas as formas, incluindo o que a IHRA classifica como anti-sionismo extremado.

    Confusões surgem quando anti-sionismo – oposição ao sionismo como ideologia política, sem necessariamente odiar judeus – é equiparado a antissemitismo, uma distinção crucial defendida pela Jewish Voice for Peace, que alerta para o risco de weaponizar definições para calar dissidentes.

    A pergunta final direcionada a Tarcísio sobre a retirada federal da IHRA em 2025 sob Lula – vista pela esquerda como correção de uma ferramenta que “conflui crítica a Israel com antissemitismo“, conforme a Evolve – não foi respondida no trecho, mas sublinha o abismo ideológico.

    Em um Brasil polarizado, onde a mídia como o Al Jazeera Media Institute acusa coberturas enviesadas pró-Israel, a fala de Tarcísio não só reafirma compromissos locais, mas reacende um debate global sobre memória, identidade e justiça.

    Postagens recentes no X, como de @shaneocurry, neste domingo (25/jan), criticam endossos à IHRA em contextos semelhantes.

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    Mais detalhes sobre a polêmica podem emergir de fontes como openDemocracy.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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