Após cair nas pesquisas, governador de SP tenta escapar da sombra do trumpismo e bolsonarismo ajustando discurso visando se distanciar de polêmicas, mas apoio pesa em sua imagem
Brasília, 08 de agosto de 2025
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está no centro de uma tempestade política após o chamado “tarifaço” imposto pelo presidente americano Donald Trump, que elevou em 40% as tarifas sobre produtos brasileiros como carne, café e calçados, totalizando 50%.
Segundo Gilberto Kassab, conforme mostra O Globo, o presidente do PSD, Tarcísio ajustou sua comunicação para evitar parecer alinhado ao tarifaço, que gerou tensões entre Brasil e Estados Unidos.
A medida, em vigor desde 6 de agosto, ameaça a economia paulista, e o governador, inicialmente crítico ao governo Lula, suavizou o tom e passou a defender negociações com os EUA, buscando proteger setores como a indústria e o agronegócio.
Antes do tarifaço, Tarcísio já havia chamado atenção ao apoiar abertamente a reeleição de Trump em 2024, inclusive usando o famoso boné MAGA (“Make America Great Again”) em eventos públicos.
A imagem, que viralizou nas redes, reforçou sua ligação com o bolsonarismo, corrente política liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, essa associação tem custado caro: Tarcísio enfrentou críticas por parecer priorizar alianças ideológicas em vez dos interesses econômicos de São Paulo.
A postura gerou atritos com empresários paulistas, que cobram ações para reverter os impactos das tarifas americanas, enquanto bolsonaristas radicais, como Eduardo Bolsonaro, o acusam de “subserviência às elites” por negociar com os EUA.
Pesquisas recentes mostram que o apoio de Tarcísio ao chamado “bolsonarismo vira-latas” – termo usado por críticos para descrever a subserviência de políticos brasileiros a figuras como Trump – está prejudicando sua popularidade.
Uma pesquisa da Genial/Quaest indica queda no apoio entre eleitores que antes viam o governador como uma alternativa moderada para 2026.
A ligação com Bolsonaro, que enfrenta prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e as polêmicas com o tarifaço fizeram Tarcísio adotar uma postura mais cautelosa, reduzindo postagens e entrevistas.
Analistas, como Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, apontam que ele tenta equilibrar a base bolsonarista e o eleitorado moderado, mas o “muro” está cada vez mais instável.
Com a eleição de 2026 no horizonte, Tarcísio enfrenta um dilema: manter a fidelidade ao bolsonarismo ou se reposicionar como líder pragmático capaz de dialogar com Lula, Alckmin e até governadores dos EUA para mitigar os danos do tarifaço.
Sua estratégia de “jogar parado”, como dizem aliados, pode evitar conflitos imediatos, mas não apaga a imagem do boné MAGA ou as críticas de que sua lealdade a Bolsonaro compromete São Paulo.
Enquanto isso, o governador busca linhas de crédito para exportadores e negociações diplomáticas, mas o peso das escolhas passadas continua a desafiar sua imagem de gestor eficiente e independente.








