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Tabata Amaral: ‘Desde a eleição de Bolsonaro, células neonazistas saíram das redes’

    A deputada Tabata Amaral na ocasião do debate sobre nazismo, no Flow Podcast / imagem reprodução YouTube | o símbolo máximo do nazismo, representado pela figura de Adolf Hitler / imagem reprodução YouTube | a deputada alemã Beatrix von Storch, vice-líder do partido de ultradireita AfD, durante encontro com o presidente Jair Bolsonaro (PL) / imagem reprodução Instagram /  beatrix.von.storch / Instagram | a filósofa Marcia Tiburi no momento em que deixa a Rádio Guaiba após a chegada de Kim Kataguiri / imagem reprodução YouTube | o apresentador do Flow Podcast, Monark | e o comentarista Adrilles Jorge supostamente fazendo saudação nazista | Sobreposição de imagens


    PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

    Entre o início deste governo e 2021″, as “células neonazistas cresceram 270,6%”, diz a deputada federal. Estima-se “que haja 10 mil pessoas nesses núcleos”

    A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) afirmou, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, sob o título ‘Omitir-se jamais é opção’, que “desde a eleição do presidente [Jair Bolsonaro (PL)], o  símbolo da suástica  já apareceu no  logo de um supermercado, em um parque no Rio Grande do Sul e no acervo de um homem preso por pedofilia no Rio. E, conforme mostrado pelo programa Fantástico, da TV Globo, as células neonazistas saíram das redes, com ataques como o ocorrido em um bar antifascista“.

    Após a polêmica sobre o nazismo, durante programa Flow Podcast, quando o apresentador Monark e Kim Kataguiri defenderam o regime de Adolf Hitler e, depois, o comentarista Adrilles Jorge supostamente fez uma saudação ao estilo do Füher, a deputada Tabata Amaral demonstra um profundo incomodo com o episódio em que tentou rebatê-los com o diálogo, em vão.

    Com a viralização do assunto, usuários de redes sociais resgataram um vídeo, do ano de 2018, em que a filósofa Marcia Tiburi se surpreende com a aparição repentina de Kim Kataguiri, ainda quando era um dirigente do MBL, no estúdio da Rádio Guaíba. Tiburi, ao vê-lo, quase não acredita e imediatamente se levanta reclamando de sua presença sob o argumento de que não fora avisada, e deixa a emissora após falas para justificar sua decisão. Perfis compartilharam as imagens usando o suposto ditado alemão que diz, mais ou menos, que “quando em uma mesa há dez pessoas e chega um nazista e ninguém se levanta, então há onze nazistas“. Internautas ainda tomaram o exemplo de Tiburi para sugerir à Tabata: “É assim que se faz“.

    Em seu texto a deputada do PSB lembra que o ex-secretário da Cultura, Roberto Alvim fez discurso reproduzindo falas do ministro da Propaganda do nazismo,  Joseph  Goebbels, “com uma fotografia de  Jair Bolsonaro  ao fundo e a bandeira do Brasil à sua esquerda“, sob música de Richard Wagner, o compositor favorito de Hitler. E cerca de um ano depois,  o próprio Bolsonaro e deputados bolsonaristas se encontraram com uma deputada de um partido da ultradireita alemão, Beatrix von Storch, que é neta de um ministro do Füher. Além disso, diz Tabata, recentemente Bolsonaro utilizou um lema fascista em sua visita à Hungria, quando disse  “Deus, pátria,  família  e liberdade“.

    Tabata diz que “o nazismo não foi erradicado do planeta; e, sim, defender a sua existência é extremamente perigoso. Foi essa compreensão que fez com que eu rebatesse de forma enfática a  fala do podcaster  Monark  enquanto participava do podcast Flow com o  deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), quando o primeiro disse que “o nazista tinha que ter um partido nazista reconhecido pela lei”.

    A deputada pessebista recorda que respondeu que “liberdade de expressão termina onde a existência ou integridade do outro é colocada em risco. O nazismo tem por base o ódio contra judeus, ciganos, negros, LGBTQIA+ e todos aqueles considerados diferentes e, por isso, não deve ser tolerado. É o paradoxo da tolerância, de Karl  Popper: “Se estendemos a tolerância ilimitada até àqueles que são intolerantes, os tolerantes acabam sendo destruídos, juntamente com a tolerância”.

    Mas e a discussão sobre a possibilidade da existência de um partido nazista? Por que seria inaceitável? Para responder a esse questionamento, trago a

    Conforme discursos que, até então, eram intoleráveis e se tornam meras opiniões, movemos a janela [da  Teoria da Janela, de Overton, que diz respeito aos debates ou ideias políticas que são ou não aceitos por uma sociedade, dependendo de quão radicais e inadmissíveis sejam considerados]”. diz Tabata.

    E é justamente aí que está o perigo: lentamente, normalizamos discursos e até mesmo comportamentos absurdos. Bolsonaro é o maior exemplo disso. O que aconteceria se FHC se encontrasse com uma deputada alemã nazista? Ou se um ministro de Lula fizesse um vídeo com alusões a Hitler?“, disse a deputada acreditando que o presidente e seus seguidores alardeariam o assunto de um jeito peculiar.

    Segundo a  antropóloga Adriana Dias“, diz Tabata, “as células neonazistas cresceram 270,6% entre o início deste governo e 2021. Ela estima que haja 10 mil pessoas nesses núcleos. Isso mesmo: 10 mil neonazistas“.

    Precisamos sim ser intolerantes com ideologias que ameaçam a existência dos outros. Em um podcast com 3,7 milhões de inscritos, decidi fazer esse enfrentamento com um discurso firme. O nazismo é um perigo real e atual. Independentemente de qual seja a reação de cada um, omitir-se ou calar-se jamais dever ser uma opção”, pontua a deputada.

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