📷 A vacina quadrivalente Butantan-DV contra a dengue é desenvolvida a partir de vírus atenuados para combater os quatro sorotipos da doença causada pelo mosquito aedes aegypti / Imagens: Divulgação / Instituto Butantan / Redes sociais / (Montagem)
| Brasília (DF)
08 de junho de 2026
Em uma decisão técnica de caráter preventivo, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinaram a suspensão temporária da vacinação com a Butantan-DV, vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
A medida, anunciada na tarde desta segunda-feira (8/jun), foi acionada após o sistema de farmacovigilância identificar 42 casos de reações adversas graves entre aproximadamente 500 mil doses aplicadas, incluindo dois óbitos ainda sob investigação.
A decisão, embora impactante, reflete o rigor técnico necessário para garantir a segurança de uma política pública de imunização em massa, demonstrando que o sistema de vigilância sanitária brasileiro funciona.
A orientação principal do governo é clara: quem já foi imunizado deve manter a calma, pois a vacina já conferiu proteção, mas precisa ficar atento a sinais do corpo.
O que se sabe sobre os casos adversos
Os números, divulgados em coletiva de imprensa pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mostram uma incidência muito baixa.
Dos 500 mil vacinados, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos (0,7% do total), sendo que 42 deles (0,008%) foram classificados como graves, com sinais de alarme.
“Não existem informações suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Também não existem, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses casos graves, mas isso representa um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, afirmou o ministro Alexandre Padilha, segundo o portal g1.
Entre os sintomas graves observados estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e sonolência excessiva.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) reforçou que a maioria das 500 mil doses foi aplicada em profissionais da atenção primária à saúde em todo o país.
Projetos-piloto em cidades como Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE) também foram afetados pela suspensão, embora não haja relato de eventos adversos graves entre os moradores dessas regiões.
Orientações para quem tomou a vacina
A principal dúvida da população agora é sobre os procedimentos para quem já recebeu a dose única.
A orientação do Ministério da Saúde é direta: a vacina não perde sua eficácia e o cidadão continua protegido contra os quatro sorotipos da dengue.
Contudo, é essencial redobrar a atenção.
A recomendação é que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para um acompanhamento de rotina e fiquem atentas aos seguintes sintomas de alarme:
Febre alta;
Dor abdominal intensa e contínua;
Vômitos persistentes;
Tontura ou sinais de desidratação;
Sangramentos (nariz, gengiva ou urina);
Sonolência excessiva ou irritabilidade extrema.
Ao surgir qualquer um desses sinais, a busca por atendimento médico imediata é fundamental.
O diretor do PNI, Eder Gatti, assegurou que a decisão “não invalida a eficácia, mas busca ganhar tempo para fazer estudos adicionais”.
O futuro da vacina e a diferença para a Qdenga
A suspensão é temporária e atinge exclusivamente a Butantan-DV.
A outra vacina contra a dengue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a Qdenga (da farmacêutica Takeda), destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue sendo aplicada normalmente, sem qualquer alteração ou risco identificado.
O episódio expõe a transparência do processo científico brasileiro. Enquanto isso, o Instituto Butantan se comprometeu a colaborar integralmente com as investigações.
Em nota, a instituição afirmou que “seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina”.
Antes da aprovação, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% em estudos publicados em periódicos de grande prestígio, como a Nature Medicine Instituto Butantan.
A Anvisa informou há pouco que uma força-tarefa foi criada para analisar os prontuários médicos dos dois óbitos suspeitos.
Os primeiros laudos periciais devem ficar prontos nas próximas 72 horas.
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FAQ Rápido:
1. Tomei a vacina do Butantan. Devo me preocupar?
Não. A suspensão é uma medida preventiva da Anvisa e do Ministério da Saúde. A maioria das 500 mil pessoas vacinadas não apresentou qualquer reação grave. Você continua protegido contra a dengue, mas deve monitorar sua saúde nos próximos 21 dias e procurar atendimento se surgirem sintomas como febre alta, dor abdominal intensa ou sangramentos.
2. A vacina Qdenga também foi suspensa?
Não. A suspensão atinge exclusivamente a Butantan-DV (dose única do Instituto Butantan). A vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, continua sendo aplicada normalmente no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, sem qualquer alteração ou risco identificado.
3. O que acontece se eu apresentar um dos sintomas de alerta?
Procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima. Ao chegar, informe ao profissional que você recebeu a vacina Butantan-DV recentemente. Os sintomas que exigem atenção redobrada são: febre alta, dor abdominal contínua, vômitos persistentes, sangramentos (nariz, gengiva ou urina), tontura intensa ou sonolência excessiva.
4. Perdi a proteção contra a dengue por causa da suspensão?
Não. A suspensão não anula a eficácia da dose já aplicada. A vacina continua gerando anticorpos contra os quatro sorotipos da dengue no seu organismo. A decisão técnica serve apenas para investigar os casos adversos e garantir a segurança da política de imunização.
5. Quando a vacinação poderá voltar ao normal?
Ainda não há prazo definido. A Anvisa criou uma força-tarefa para analisar os prontuários dos 42 casos graves e dos dois óbitos suspeitos. Os primeiros laudos periciais devem sair nas próximas 72 horas. A volta da aplicação depende da conclusão dessas investigações e de uma nova autorização da agência reguladora.
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