Uma mulher chora enquanto funcionários da Cruz Vermelha carregam o caixão de uma pessoa que morreu de Ebola, saindo de um centro de saúde em Rwampara, Congo |20.5.2026| Foto: Moses Sawasawa/AP
| Kinshasa (CD)
21 de maio de 2026, 23h00
A Organização Mundial da Saúde declarou, no domingo (17/mai), emergência de saúde pública de importância internacional diante do surto de Ebola causado pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda.
A medida, tomada após consulta aos países afetados, responde ao rápido aumento de notificações na província de Ituri, no nordeste congolês, com transmissão confirmada para Kampala.
Até esta quinta-feira (21/mai), as autoridades sanitárias reportaram 575 casos suspeitos, 51 confirmados por laboratório e 148 mortes suspeitas.
Na República Democrática do Congo, os focos concentram-se nas zonas de saúde de Bunia, Rwampara e Mongbwalu.
Dois casos confirmados, um deles fatal, foram registrados em Uganda entre pessoas que viajaram da RDC.
A OMS África e o Africa CDC coordenam o envio de equipes, suprimentos e vigilância transfronteiriça.
O vírus Bundibugyo, identificado pela primeira vez em 2007 em Uganda, não conta com vacina aprovada específica, o que eleva o risco de amplificação em áreas de conflito e deslocamento populacional.
“A resposta deve ser rápida e coletiva”, afirmou o diretor-geral da OMS em briefing recente.
A OMS já mobilizou toneladas de equipamentos e dezenas de especialistas para Ituri.
ATAQUE INCENDIÁRIO
Nesta quinta-feira (21/mai), moradores incendiaram um centro de tratamento em uma cidade a leste do Congo após serem impedidos de recuperar o corpo de um homem local, reportou a AP News.
O centro em Rwampara foi incendiado por jovens que se revoltaram ao tentar recuperar o corpo de um amigo que aparentemente havia morrido de Ebola. Os trabalhadores humanitários fugiram do centro de tratamento em veículos.
Os corpos de vítimas de Ebola são altamente contagiosos e podem disseminar a doença durante os funerais, levando as autoridades a gerenciar o enterro, o que pode provocar protestos de familiares e amigos.
SEM VACINA E SOB CONFLITO ARMADO
A OMS alerta que o surto de Ebola no Congo é possivelmente maior do que os números indicam.
A detecção precoce do vírus é essencial, mas a infraestrutura de saúde foi debilitada por cortes na ajuda internacional e o conflito armado na região.
A necessidade urgente de suprimentos e pessoal foi destacada, além da ausência de vacinas para a cepa responsável pelo surto.
O vírus se espalhou para a província de Kivu do Sul, com a primeira morte confirmada lá.
O surto já impacta eventos internacionais, como o adiamento de uma cúpula na Índia e o cancelamento de treinos da seleção de futebol do Congo.
Os EUA impuseram restrições a viajantes que visitaram a região recentemente.
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