📷 Sepultamento de uma das vítimas do Ebola na República Democrática do Congo |•| Foto: Seros Muyia / AF | Urbs Magna
| Uganda (CG)
16 de julho de 2026
O surto de ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) desde maio ultrapassou os 2 mil casos confirmados e já soma 754 mortes, com a doença chegando às províncias de Alto Uele e Tshopo.
Em contraste, Uganda deu alta ao último paciente internado nesta quinta-feira (16/jul) e iniciou a contagem regressiva de 42 dias exigida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para se declarar livre do vírus.
A situação na RDC: quinta província afetada
O último boletim do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) congolês, divulgado nesta semana e reportado pelo portal argelino Ici l’Info, registrou 2.011 casos confirmados em laboratório, um acréscimo de 20 casos em relação ao balanço anterior.
A epidemia, causada pela cepa Bundibugyo — para a qual ainda não existe vacina —, foi oficialmente declarada em 15 de maio na província de Ituri, epicentro do surto, e desde então se espalhou para o Norte do Kivu, o Sul do Kivu e, mais recentemente, para o Alto Uele e a Tshopo, no centro-norte do país, segundo detalhou a Radio Okapi, em reportagem publicada em 13 de julho.
A propagação para Tshopo preocupa autoridades sanitárias porque a capital da província, Kisangani, concentra cerca de 1,6 milhão de habitantes e funciona como importante nó de transporte fluvial e rodoviário na região central do país.
Em atualização mais recente, de 15 de julho, a Radio Okapi noticiou que o governo congolês já desembolsou 50 milhões de dólares na resposta ao surto, incluindo a construção de dez centros de tratamento em cidades como Bunia, Rwampara, Mongbwalu, Nyakunde, Komanda e Aru, embora greves de profissionais de saúde por atraso no pagamento de salários e prêmios ainda comprometam parte da resposta.
Uganda comemora, mas evita triunfalismo
Do outro lado da fronteira, a situação segue trajetória oposta. Segundo o Ministério da Saúde ugandês, citado pela New Vision, o país não registra novos casos desde 22 de junho e recebeu alta o vigésimo e último paciente confirmado nesta quinta-feira (16/jul), no Hospital Nacional de Referência de Mulago, em Kampala.
O ministro da Saúde, Chris Baryomunsi, entregou pessoalmente o certificado de alta ao paciente, um cidadão congolês, e classificou o episódio como uma vitória para os profissionais de saúde do país, conforme registrou o Pulse Uganda.
Dos 20 casos confirmados em Uganda desde a declaração do surto, também em 15 de maio, 15 foram importados de pessoas contaminadas na RDC e cinco foram adquiridos localmente, resultando em duas mortes.
O ChimpReports registrou a frase do próprio Baryomunsi durante a cerimônia de alta, ao afirmar que o certificado “certifica que o sobrevivente não apresenta risco de infectar outras pessoas”.
Autoridades ugandesas, porém, evitam declarar vitória antecipada. As diretrizes da OMS exigem 42 dias consecutivos sem novo caso confirmado — equivalentes a dois períodos máximos de incubação do vírus — antes de qualquer declaração oficial de país livre da doença.
Cooperação transfronteiriça
A resposta ao surto passou a incluir esforços conjuntos entre os dois países. Em visita a Bunia no início de julho, o ministro da Saúde de Uganda anunciou o envio de cerca de 50 especialistas ugandeses à RDC, além do apoio logístico e da instalação de centros de tratamento em zonas fronteiriças como Aru e Kasenyi, conforme noticiou a Radio Okapi em reportagem de 8 de julho.
O acordo prevê o compartilhamento regular de dados epidemiológicos e o reforço da vigilância sanitária conjunta nas fronteiras comuns.
Em maio, a OMS já havia classificado o surto conjunto da RDC e de Uganda como emergência de saúde pública de importância internacional, decisão tomada, segundo a Radio Okapi, antes mesmo da convocação formal do comitê de emergência do órgão — um procedimento inédito na história da instituição.
O contraste entre os dois países ilustra como a velocidade da resposta sanitária nas primeiras semanas de um surto determina seu desfecho. Uganda, que já enfrentou surtos anteriores de ebola em 2022 e conta com protocolos consolidados de vigilância fronteiriça, conseguiu conter a transmissão local rapidamente.
Já a RDC, às voltas com o conflito armado entre forças congolesas e o grupo rebelde M23 em parte do território afetado, enfrenta dificuldades adicionais de acesso e monitoramento que ajudam a explicar por que o surto na Ituri já é classificado como um dos mais extensos da história do país, agora em sua 17ª ocorrência desde 1976.
FAQ rápido
Quantos casos de ebola já foram confirmados na RDC?
2.011 casos e 754 mortes, segundo o último balanço do Instituto Nacional de Saúde Pública congolês.
Uganda já está livre do ebola?
Ainda não oficialmente. O país recebeu alta do último paciente e iniciou a contagem de 42 dias exigida pela OMS antes da declaração formal.
Por que o surto na RDC continua se espalhando?
A doença avançou para novas províncias, como Alto Uele e Tshopo, em meio a conflitos armados na região leste do país que dificultam a vigilância epidemiológica e o acesso das equipes de resposta.
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