
Vista aérea mostra o bairro Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa, Paraíba, com destaque para o edifício mais alto, o Tour Geneve, um complexo de uso misto (residencial, comercial e lazer) com 182 metros de altura / Imagem reprodução redes sociais
Brasília (DF) 04 de maio de 2026
Enquanto o Brasil registra um avanço de apenas 0,39% no acumulado dos dois primeiros meses de 2026, a região Nordeste dispara na liderança do crescimento nacional com uma alta expressiva de 2,98%.
O índice, quase oito vezes superior à média do país, representa uma virada histórica na geografia econômica brasileira, de acordo com os dados mais recentes do Índice de Atividade Econômica (IBC) do Banco Central.
Este movimento não é um acaso, mas o reflexo de políticas de transferência de renda, investimentos em infraestrutura e a força do mercado de trabalho local, que sustentam o consumo mesmo diante de juros elevados.
“O Nordeste passa por um processo de diversificação econômica que o torna mais resiliente”, avalia a consultoria Tendências, que projeta um crescimento de 2,3% para a região em todo o ano de 2026, bem acima da média nacional estimada de 1,6%.
O ranking dos estados e a situação do Ceará
Dentro da região, os desempenhos são variados e revelam polos de desenvolvimento distintos. Pernambuco aparece como o grande destaque do primeiro bimestre, com uma verdadeira explosão de 6,97%, influenciada pela retomada do refino de petróleo em Abreu e Lima e uma base de comparação favorável.
O Ceará, embora abaixo do ímpeto pernambucano, mantém uma trajetória sólida. O estado ocupa a 6ª posição no ranking nacional do BC e a 2ª no comparativo nordestino monitorado pelo órgão, com crescimento de 0,82% no acumulado de janeiro e fevereiro.
A resiliência cearense é creditada ao dinamismo do mercado de trabalho e à força dos pequenos negócios, que seguram a economia mesmo em momentos de aperto.
O Governo da Paraíba, por sua vez, projetou um crescimento de 4,4% para 2026, liderando o Nordeste nas estimativas do Banco do Brasil, ancorado na construção civil e nos investimentos públicos.
Os ventos globais e os alertas do Banco do Nordeste
Apesar do otimismo, o economista Allisson Martins, colunista do Diário do Nordeste e gerente do Etene/BNB, emite um sinal de cautela em meio à euforia. A análise do portal aponta que o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos — sobretaxas de 50% sobre produtos — pode afetar duramente as exportações nordestinas.
Estudo técnico assinado por Allisson Martins, Rogério Sobreira e Marcos Falcão Gonçalves estima que cerca de 70% das exportações da região para os EUA estão na mira das novas barreiras .
“Os efeitos projetados indicam redução do PIB regional já em 2025, podendo chegar a até 0,67 ponto percentual no Ceará em 2026”, alertou o estudo disponível no repositório do Banco do Nordeste (BNB).
Investimentos e a nova economia
Para sustentar o ritmo, o Consórcio Nordeste estruturou uma carteira robusta de R$ 113,1 bilhões em investimentos. Os recursos estão focados em áreas estratégicas como transição energética, bioeconomia e economia digital. Um dado revelador é que 74% dos projetos aprovados são de micro, pequenas e médias empresas, mostrando que o crescimento vem de baixo para cima.
Além disso, a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil devem injetar mais de R$ 8 bilhões na economia da região ainda em 2026, aquecendo o setor de serviços, que responde pela maior fatia do PIB nordestino.
Mesmo diante dos desafios estruturais e das tensões geopolíticas, o Nordeste solidifica seu papel como motor da economia brasileira, reequilibrando o peso histórico entre as regiões Sul-Sudeste e o restante do país.
RANKING DOS ESTADOS:
QUEM GANHA E QUEM PERDE EM 2026
Economia nordestina em 2026, com dados do Banco Central e do Banco do Brasil.
RANKING IBC DO BANCO CENTRAL (JANEIRO/25 – FEVEREIRO/26)
Crescimento acumulado no 1º bimestre de 2026 entre os 13 estados monitorados pelo BC:
| POSIÇÃO | ESTADO | CRESCIMENTO (%) |
|---|---|---|
| 1º | Pernambuco | 6,97% |
| 2º | Santa Catarina | 1,48% |
| 3º | Goiás | 1,01% |
| 4º | Mato Grosso | 0,99% |
| 5º | Rio Grande do Sul | 0,83% |
| 6º | Ceará | 0,82% |
| 7º | São Paulo | 0,73% |
| 8º | Paraná | 0,70% |
| 9º | Bahia | 0,56% |
| 10º | Minas Gerais | 0,46% |
| 11º | Rio de Janeiro | 0,33% |
| 12º | Pará | 0,11% |
| 13º | Distrito Federal | 0,07% |
Fonte: Nordeste Investing com dados do IBC/Banco Central
Análise do ranking: Pernambuco disparou na liderança nacional com impressionantes 6,97%, revertendo a lanterna de 2025. O Ceará ocupa a 6ª posição no país e a 2ª no Nordeste (atrás de Pernambuco e à frente da Bahia).
RANKING DAS PROJEÇÕES DO BANCO DO BRASIL PARA 2026 (ANO COMPLETO)
A Resenha Regional do Banco do Brasil (fevereiro/26) projeta o desempenho para todo o ano de 2026:
Ranking Nordeste 2026 (projeção BB)
| POSIÇÃO | ESTADO | CRESCIMENTO PROJETADO (%) |
|---|---|---|
| 1º | Ceará | 3,8% |
| 2º | Paraíba | 3,5% |
| 3º | Rio Grande do Norte | — |
| 4º | Pernambuco | — |
| 5º | Alagoas | — |
| 6º | Sergipe | — |
| 7º | Maranhão | — |
| 8º | Piauí | — |
| 9º | Bahia | — |
Ranking Nacional 2026 (projeção BB)
| POSIÇÃO | ESTADO | CRESCIMENTO PROJETADO (%) |
|---|---|---|
| 1º | Rio Grande do Sul | 4,6% |
| 2º | Roraima | 4,5% |
| 3º | Amapá | 4,5% |
| 4º | Ceará | 3,8% |
| 5º | Rondônia | 3,6% |
| 6º | Paraíba | 3,5% |
Fontes: Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará / WSCOM / Revista Nordeste
RESUMO COMPARATIVO DOS RANKINGS
| INDICADOR | 1º LUGAR | 2º LUGAR | 3º LUGAR (NE) |
|---|---|---|---|
| IBC BC (1º bim/26) | Pernambuco (6,97%) | Santa Catarina (1,48%) | Ceará (0,82%) |
| Projeção BB para 2026 | Ceará (3,8%) | Paraíba (3,5%) | — |
Dois fatores explicam a diferença:
Período de medição – O IBC do BC mede apenas janeiro/fevereiro de 2026. Pernambuco teve um “pico atípico” nesses dois meses, o que pode não se sustentar ao longo do ano.
Projeção x Realizado – As projeções do Banco do Brasil são para o ano completo (janeiro a dezembro de 2026) e indicam que o Ceará terá o melhor desempenho acumulado do Nordeste, com 3,8%.
CONCLUSÃO DO RANKING: O Ceará lidera as projeções anuais do BB (3,8%), enquanto Pernambuco dispara no 1º bimestre do BC (6,97%). Ambos os estados, junto com a Paraíba (3,5%), formam o triângulo de ouro do crescimento nordestino em 2026.
Fonte consolidadada: Nordeste Investing
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