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Dirceu comemora arquivamento da ação do ‘Mensalão’ pelo STJ: “A justiça prevaleceu”

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    José Dirceu
    José Dirceu – Imagem reprodução X


    Decisão unânime extingue processo de improbidade que abalou o governo Lula e encerra saga judicial de 20 anos – ENTENDA PONTO A PONTO




    Brasília, 21 de outubro 2025

    Em um desfecho que ecoa duas décadas de batalhas judiciais, o ex-ministro José Dirceu celebrou publicamente a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que extinguiu, por erro processual do Ministério Público Federal (MPF), uma ação de improbidade administrativa ligada ao histórico escândalo do mensalão.

    “A justiça prevaleceu”, declarou o petista em postagem nas redes sociais:

    Recebi com tranquilidade a notícia de que o STJ reconheceu, enfim, o erro do Ministério Público Federal e encerrou o processo por improbidade no chamado Mensalão. Hoje, a justiça prevaleceu. Encerro mais esse ciclo acreditando que a verdade, cedo ou tarde, sempre vem à tona“, disse, no X.

    A vitória, anunciada na segunda-feira (20/out), beneficia não só Dirceu, mas também ex-companheiros como José Genoíno, Delúbio Soares e o ex-ministro Anderson Adauto, encerrando um dos últimos fios soltos de um caso que moldou a política brasileira.

    A Primeira Seção do STJ, relatoria do ministro Sérgio Kukina, votou por unanimidade pela exclusão de 15 réus da ação, tramitada na 9ª Vara Federal de Brasília.

    O cerne da decisão? Um “erro grosseiro” do MPF ao recorrer via apelação, quando o instrumento correto seria o agravo de instrumento.

    Sem aplicar o princípio da fungibilidade recursal – que permite trocar recursos em casos de dúvida razoável –, o tribunal manteve a extinção sem julgamento de mérito, revertendo posicionamento anterior da Segunda Turma do STJ em 2015.

    Essa reviravolta processual, divulgada após julgamento em 15 de outubro, põe um ponto final em uma das cinco ações cíveis derivadas do mensalão, sem tocar no mérito das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

    Para contextualizar o impacto dessa notícia fresca, vale revisitar o berço do mensalão: um esquema de compra de votos no Congresso Nacional, revelado em junho de 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson, que abalou o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Acusado de desviar recursos públicos via bancos e empresas para financiar aliados, o caso gerou uma CPI no Legislativo e levou à renúncia de Dirceu como chefe da Casa Civil.

    Em 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a denúncia contra 40 nomes, transformando 38 em réus – um marco na história judiciária brasileira.

    O julgamento no STF, iniciado em agosto de 2012 sob relatoria de Joaquim Barbosa, durou 69 sessões e mais de 200 horas, o mais longo da Corte até então.

    Resultado: 25 condenações iniciais por crimes como corrupção ativa, formação de quadrilha e lavagem, com penas totais superando 100 anos de prisão.

    Figuras centrais como Dirceu (10 anos e 10 meses por corrupção e formação de quadrilha), Genoíno (6 anos e 11 meses) e Delúbio (8 anos e 11 meses) foram presas em regime fechado na Papuda, em Brasília.

    Absolvições pontuaram o processo, como a de Duda Mendonça e Zilda Arns em alguns crimes, e empates 5×5 beneficiaram réus como João Cláudio Genu (lavagem de dinheiro).

    Após embargos infringentes em 2014, o número caiu para 24 condenados, com revisões penais reduzindo sentenças.

    Explicando o legado: o mensalão não só expôs fragilidades no financiamento partidário – levando à Lei da Ficha Limpa anos depois –, mas também dividiu opiniões sobre seletividade judicial.

    Críticos apontam que, apesar das prisões iniciais, todos os condenados estão soltos hoje, graças a progressões de regime, indulto e anistias.

    Dirceu, por exemplo, cumpriu pena de 2013 a 2015, saindo para prisão domiciliar; em 2016, teve perdão judicial. Jefferson, pivô da delação, foi anistiado em 2016 após 8 anos e 11 meses. Delúbio e Genoíno obtiveram regimes abertos em 2014 e perdão em 2016.

    Essa progressão, decidida pelo próprio STF, reflete debates sobre humanização penal, mas alimenta narrativas de impunidade em escândalos políticos.

    A decisão unânime do STJ consolida o arquivamento para os petistas, beneficiando quem já respondia em ações paralelas.

    Dirceu atribui o fim do processo ao reconhecimento de falhas na acusação inicial do MPF. A exclusão se estende a outros réus em situação análoga, sem reabrir o debate criminal – já encerrado pelo STF.

    Olhando para trás, as 24 condenações finais ocorreram após embargos, com absolvições reduzindo penas cumulativas. Foram 50 mil páginas de processo e 600 testemunhas, um “trauma” para o Judiciário.

    Nestes últimos 20 anos, o mensalão pode ter pavimentado caminhos para a Lava Jato. Essa resolução no STJ não apaga as cicatrizes políticas do mensalão, mas sinaliza um alívio para os envolvidos.

    Para Dirceu, aos 79 anos, é mais que um veredicto: é a afirmação de que o tempo, e a justiça, revelam nuances em narrativas polarizadas.



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