Aliados de Bolsonaro afirmam que ele estaria em “pânico” com a possibilidade de prisão e ministros da Corte veem uma preparação para um asilo político nos EUA
RESUMO <<Ministros do STF veem nas declarações de Donald Trump, que critica o julgamento de Jair Bolsonaro como perseguição política, uma estratégia para justificar uma possível fuga do ex-presidente brasileiro para os EUA sob alegação de asilo político>>
Brasília, 10 de julho de 2025
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em defesa de Jair Bolsonaro (PL) fazem parte de uma estratégia para possibilitar a fuga do ex-presidente brasileiro.
Segundo informações obtidas por aliados de Bolsonaro, ele estaria em “pânico” com a possibilidade de prisão no Brasil.
As falas de Trump reforçam a narrativa de perseguição política. A suspeita é que o discurso sirva para justificar um pedido de asilo político nos EUA.
Em postagens na rede Truth Social, Trump afirmou: “O Brasil está fazendo uma coisa terrível no tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Ele classificou o processo judicial contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e pediu: “Deixem Bolsonaro em paz!”.
Para os ministros do STF, essas declarações têm tom dramático e visam caracterizar Bolsonaro como vítima de perseguição. A corte acredita que o objetivo é criar um ambiente favorável à saída de Bolsonaro do país, segundo a jornalista Mônica Bergamo.
Na segunda-feira (7/jul), Trump intensificou suas críticas, dizendo: “Eu tenho assistido, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de ir atrás dele, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano!”.
Ele também afirmou que “o único julgamento que deveria estar acontecendo é o julgamento pelos eleitores do Brasil”.
As declarações provocaram reações no governo brasileiro, com o presidente Lula afirmando que o Brasil é soberano e não aceita interferências externas. O Itamaraty convocou o encarregado de negócios dos EUA para esclarecimentos.
Na quarta-feira (9/jul), Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, justificando a medida como resposta à suposta perseguição a Bolsonaro.
Em carta ao presidente Lula, ele escreveu: “Este julgamento não deveria estar acontecendo e tem que acabar IMEDIATAMENTE!”.
A Embaixada dos EUA reforçou o discurso, chamando a investigação contra Bolsonaro de “vergonhosa”. O STF, no entanto, mantém que o julgamento, previsto para agosto ou setembro, não será afetado.
A suspeita de fuga ganha força com a atuação de Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do cargo de deputado e vive nos EUA, onde se apresenta como “deputado em exílio”. Ele tem articulado com aliados de Trump, como o deputado Cory Mills, para pressionar o STF.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga Eduardo por tentar obter sanções contra autoridades brasileiras. Para o STF, esses movimentos reforçam a possibilidade de uma estratégia coordenada de fuga.
Bolsonaro, réu no STF por tentativa de golpe de Estado em 2022, já deu sinais de considerar a fuga. Em 2022, viajou aos EUA após as eleições, citando um “pressentimento” de problemas no Brasil.
Magistrados lembram que ele manifestou apoio à evasão de condenados em casos relacionados. O STF negou a devolução de seu passaporte, temendo risco de fuga, o que reforça a tese de que as falas de Trump têm objetivo estratégico.
Os ministros do STF optaram por não responder diretamente às provocações de Trump. O presidente da corte, Luís Roberto Barroso, coordenou com Lula que a resposta será dada pelo Itamaraty.
O ministro Flávio Dino destacou a soberania nacional, afirmando que o STF protege a democracia conforme a Constituição. O julgamento de Bolsonaro segue em fase final, com alegações finais em andamento.








