Decisão ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, defender o ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, chamando as investigações do STF de “caça às bruxas”
RESUMO <<O Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, prorrogou por mais 60 dias o inquérito que investiga o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por supostos crimes de co *ação no curso do processo e obstrução de investigação. A decisão, publicada em 8 de julho de 2025, atende a um pedido da Polícia Federal (PF) para aprofundar apurações sobre tentativas do parlamentar de incitar o governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras>>
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu prorrogar por 60 dias o inquérito que apura supostos crimes de coação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O magistrado atende a um pedido da Polícia Federal (PF) sobre as ações do parlamentar nos Estados Unidos contra democracia brasileira.
udo começou em maio de 2025, quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a abertura do inquérito ao STF.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA em março deste ano após pedir licença de 122 dias do mandato, estaria articulando com autoridades americanas para pressionar o governo dos Estados Unidos a impor sanções contra Moraes e outros membros do STF, da PGR e da PF.
Essas ações, segundo a denúncia, teriam o objetivo de interferir no andamento de processos judiciais no Brasil, especialmente aqueles relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é réu.
O inquérito, relatado por Moraes – que também conduz as investigações sobre fake news e a trama golpista – aponta que Eduardo teria feito declarações públicas e postagens em redes sociais com tom intimidatório.
O parlamentar estaria buscando apoio de figuras como o senador americano Marco Rubio, o que levantou críticas de ministros do STF e do governo Lula por falta de uma resposta mais contundente do Itamaraty.
A PGR alega que essas movimentações podem configurar, além de coação e obstrução, o crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com penas que podem chegar a oito anos de prisão.
A prorrogação do inquérito ocorre em um momento delicdo, logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, defender Jair Bolsonaro nas redes sociais, chamando as investigações do STF de “caça às bruxas”.
A postagem, publicada na segunda-feira (7/jul), provocou uma resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendendo a soberania do Brasil contra interferências externas.
Esse contexto internacional adiciona camadas de complexidade ao caso, já que as ações de Eduardo nos EUA são vistas como uma tentativa de retaliar autoridades brasileiras envolvidas no julgamento de seu pai.
A decisão de Moraes, justificada pela necessidade de realizar “diligências ainda pendentes”, mantém a pressão sobre Eduardo Bolsonaro.
O inquérito já incluiu o depoimento de figuras como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, que apresentou documentos e vídeos para sustentar as acusações, e até mesmo do próprio Jair Bolsonaro, que admitiu financiar a estadia do filho nos EUA com doações de apoiadores.
Para muitos, o caso é mais do que uma investigação criminal: é um teste para a soberania das instituições brasileiras diante de pressões externas e internas.
A narrativa de “perseguição política”, usada por Eduardo e aliados, ganhou eco entre apoiadores, mas também reforça a percepção de que suas ações nos EUA podem ter ultrapassado limites legais.
Enquanto o STF avança nas apurações, o Brasil observa com atenção os desdobramentos de um caso que mistura política, justiça e relações internacionais.
Com mais 60 dias de investigação, a PF deve aprofundar a análise de postagens, comunicações e possíveis articulações de Eduardo nos EUA.








