| Brasília (DF)
01 de setembro de 2026
O ministro André Mendonça retirou nesta terça-feira (01/set) o sigilo de relatório da Polícia Federal sobre mensagens de Daniel Vorcaro atribuídas a Alexandre de Moraes.
O relator cobrou a PGR e afirmou que o Plenário do STF terá de decidir em sessão pública se abre apuração contra um ministro da própria Corte.
O que aconteceu?
A decisão recai sobre peça da Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas ao Banco Master. Segundo a CNN Brasil , o levantamento do sigilo ocorreu nesta terça-feira (01/set), depois de o Estadão publicar diálogos em que o ex-controlador do banco pedia intervenção junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na segunda-feira (31/ago), Mendonça já havia enviado ofício à PGR com prazo de cinco dias. A informação foi revelada pelo Metrópoles.
Por que o caso foi ao plenário?
Na decisão, o relator escreveu que, “independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”.
Mendonça citou o art. 5º, I, do Regimento Interno do STF, segundo o qual cabe ao colegiado processar e julgar, nos crimes comuns, os próprios ministros da Corte. A data da sessão, escreveu ele, fica com o presidente Edson Fachin.
IMPORTANTE Retirar o sigilo e enviar os autos à PGR não equivale, por si só, à abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes. Fontes jurídicas consultadas pelas reportagens apontam que a investigação formal de um ministro do STF depende de autorização do plenário. Até esta terça-feira (01/set), não havia voto colegiado publicado nesse sentido.
O que a PF atribui às mensagens?
Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro teria escrito que recebeu “informações informais e em confidência” de pessoas do Banco Central sobre pressão da PF e do Ministério Público. No trecho reproduzido pelos veículos, o banqueiro pede: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”.
A PF interpreta “Andrei” e “Paulo” como Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. O “G” do texto, segundo a polícia, seria o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Dois dias antes da primeira prisão, em 15 de novembro de 2025, o banqueiro teria perguntado: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao tentar embarcar em jato particular com destino a Dubai.
Parte do conteúdo teria sido escrita no bloco de notas, fotografada e enviada por WhatsApp em modo de visualização única. A polícia recuperou anotações; respostas em visualização única, segundo o mesmo veículo, não foram decifradas.
Contrato de R$ 131 milhões entra na mesma peça
Na cobertura desta terça-feira (01/set), foram relatadas minuta de cerca de R$ 131 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o banco de Vorcaro. Metadados do arquivo, segundo esses veículos, apontam edição por usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O setor de compliance teria consultado o ministro, na condição de marido da sócia-diretora, sobre impedimentos legais; ele teria concluído que não havia óbice; a banca afirma que os serviços foram prestados e que Moraes nunca julgou causa do Master no STF. O magistrado e esposa confirmam o acesso ao documento e negam ilegalidade.
Houve discussão nos bastidores?
Relatos de bastidor, e não ata oficial, descrevem um encontro reservado na segunda-feira (31/ago), no gabinete de Mendonça. A coluna de Andreza Matais no Metrópoles escreveu que o tom subiu e que, “por pouco, a discussão não descambou para agressões físicas”. A mesma reportagem atribui a Moraes a frase “Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça”, depois de o relator perguntar como o colega soube de peça ainda sigilosa.
A coluna de Bela Megale em O Globo e o Valor Econômico confirmam reunião “muito tensa” ou “pesada”, com cobrança de Moraes sobre a condução da apuração e pergunta inversa de Mendonça sobre o vazamento interno do relatório. Até o fechamento desta matéria, não havia nota pública dos gabinetes desmentindo o encontro.
Como o caso chegou até aqui?
Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025. Dias Toffoli deixou a relatoria em fevereiro de 2026, após menções a ele no material apreendido. Mendonça assumiu o processo. Ao longo de 2026, o relator já havia ora aberto, ora recolocado sob sigilo peças da apuração, e travou divergências públicas com Gilmar Mendes sobre prisões no núcleo familiar do banqueiro.
O ponto novo desta semana não é a existência isolada de contato entre juiz e investigado. O que as reportagens desta terça-feira (01/set) reúnem é a combinação de três elementos no mesmo relatório: pedido de “proteção” junto à cúpula da PF e da PGR, consultas sobre deixar o país às vésperas da prisão e metadados de contrato milionário com o escritório familiar.
O que acontece agora?
A PGR tem cinco dias, contados do ofício de segunda-feira (31/ago), para se manifestar. Mendonça já antecipou que o parecer de Paulo Gonet não trava o envio ao plenário. O relator deve alinhar o passo com Fachin antes de formalizar pedido de investigação. O ministro mapeia votos para eventual deliberação. Isso permanece no campo de bastidor, não de ata.
Análise
A análise deste portal parte do que as fontes documentaram, e não de julgamento antecipado de culpa. Um tribunal constitucional sustenta legitimidade quando a mesma régua serve a todos os seus integrantes. Levar o material ao plenário, em sessão pública, atende a esse critério institucional. Confundir transparência com condenação, no entanto, esvazia o devido processo.
O custo político é evidente: o STF julga, ao mesmo tempo, a maior fraude financeira em curso no país e a conduta de um de seus ministros. A resposta republicana não é silêncio nem espetáculo. É o colegiado decidir, com voto aberto, se os indícios justificam inquérito.
FAQ rápido
Mendonça já abriu inquérito contra Moraes?
Não. Até esta terça-feira (01/set), o relator retirou o sigilo, cobrou a PGR e afirmou que o plenário é o foro competente.
A PF concluiu que Moraes respondeu aos pedidos de Vorcaro?
A polícia atribui a ele o contato salvo no celular e trata as mensagens como enviadas a esse interlocutor. Veículos como SBT News e UOL registram que respostas em visualização única não foram recuperadas por completo.
O escritório da esposa do ministro admite o contrato?
Sim. Conforme a CNN Brasil , a banca confirma a consulta ao ministro sobre impedimentos e nega irregularidade.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
