A ação penal também decide o futuro de aliados e avança para etapa decisiva na Corte máxima de Justiça do Brasil, com impacto político em Brasília
Brasília, 10 de agosto de 2025
A partir da próxima quarta-feira (13/ago), o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus, acusados de planejar um golpe de Estado após as eleições de 2022, entra em sua fase final no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os réus do chamado “núcleo 1“, considerado essencial para o plano, têm até essa data para entregar suas alegações finais, a última chance de suas defesas apresentarem argumentos para convencer os ministros.
Além de Bolsonaro, integram o grupo os ex-ministros Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Anderson Torres, Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier.
O caso, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, pode resultar em condenação ou absolvição em setembro, segundo fontes da CNN Brasil.
As acusações giram em torno de um suposto plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em 2022.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que Bolsonaro teria liderado articulações, incluindo a elaboração de uma minuta para decretar estado de exceção e o monitoramento de autoridades, como parte do plano “Punhal Verde e Amarelo“, que previa até assassinatos de figuras como Lula, o vice Geraldo Alckmin e o próprio Moraes.
Em depoimento, Bolsonaro negou envolvimento, afirmando que discussões sobre medidas como a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ocorreram, mas dentro da legalidade, e classificou apoiadores de intervenção militar como “malucos“.
Mauro Cid, delator, alega ter seguido ordens do então comandante do Exército, general Freire Gomes, que se opunha à ruptura institucional.
A decisão de Moraes de decretar prisão domiciliar para Bolsonaro, sob investigação por obstrução e conspiração nos Estados Unidos, gerou forte reação política.
Manifestantes se reuniram em frente à casa de Bolsonaro em Brasília, com bandeiras do Brasil, enquanto deputados e senadores de oposição, como Altineu Côrtes (PL-RJ), ocuparam a Câmara dos Deputados e o Senado, protestando contra o STF e propondo projetos “anti-STF“, como a anistia aos condenados do 8 de janeiro.
O Departamento de Estado dos EUA criticou Moraes, acusando-o de violações de direitos humanos, mas os ministros do STF, incluindo Cristiano Zanin, reafirmaram a independência da Corte.
Com a entrega das alegações finais, Moraes poderá preparar seu voto, e Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, marcará a data do julgamento.
Enquanto isso, o núcleo 2 da ação golpista também avança, com diligências complementares em curso.
A tensão entre os Poderes cresce, com a oposição articulando impeachment contra Moraes e o STF mantendo firmeza contra pressões externas.
O desfecho do caso pode redefinir o cenário político brasileiro, com impactos para Bolsonaro e seus aliados.








