Julgamento expõe estratégia da Procuradoria, de unir investigações contra aliados de Bolsonaro para agilizar processos, e destaca papel de ex-autoridades em plano para impedir posse de Lula em 2022 – SAIBA MAIS
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Brasília, 22 de abril de 2025
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (22/abr) o julgamento do segundo núcleo da trama golpista de 2022, que buscava impedir a posse do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após sua vitória sobre Jair Bolsonaro.
Os acusados, incluindo o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, o general Mário Fernandes e o ex-assessor Filipe Martins, são considerados “gerentes” do esquema, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A estratégia da PGR, liderada por Paulo Gonet, consiste em unificar investigações, conectando ações como os bloqueios da PRF no dia da eleição, que visariam suprimir votos em regiões pró-Lula, ao plano maior de golpe de Estado.
O STF, sob relatoria de Alexandre de Moraes, busca celeridade para concluir os julgamentos antes das eleições de 2026, evitando interferências políticas Folha de S. Paulo.
A denúncia da PGR acusa os réus de crimes graves, como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público, deterioração de patrimônio tombado e formação de organização criminosa armada, com penas que podem somar até 46 anos de prisão.
Evidências incluem um rascunho de decreto editado por Bolsonaro para justificar um estado de exceção e o monitoramento do ministro Alexandre de Moraes por Marcelo Câmara, supostamente para planejar sua prisão.
A PGR dividiu os 34 denunciados em cinco grupos para facilitar os julgamentos, com o segundo núcleo sendo julgado em sessões marcadas para 22 e 23 de abril, antecipadas para agilizar o processo.
A inclusão das blitzes da PRF na denúncia reforça a conexão entre ações operacionais e a estratégia golpista.
O julgamento ocorre em um contexto de tensões institucionais, com defesas questionando a robustez das provas, alegando dependência da delação de Mauro Cid e falta de clareza em documentos como o plano “Punhal Verde Amarelo”, que previa assassinatos de autoridades, incluindo Lula, o vice-Presidente do Brasil, Geraldo Alckmin e Moraes.
A PGR, no entanto, sustenta que havia uma organização criminosa liderada por Bolsonaro, com Braga Netto como coarticulador, que só não se concretizou devido à recusa de comandantes das Forças Armadas.
A celeridade imposta por Moraes contrasta com críticas das defesas, que apontam prazos exíguos para análise de milhares de páginas de documentos.
A estratégia da PGR de unificar investigações, incluindo casos como as joias sauditas e a falsificação de cartões de vacina, visa contextualizar as ações de Bolsonaro e aliados em um amplo esquema antidemocrático.
Embora a denúncia contra o núcleo central, que inclui Bolsonaro, já tenha sido aceita, o julgamento do segundo núcleo reforça a narrativa de uma articulação estruturada para subverter a democracia.
A cobertura do caso destaca a gravidade das acusações e o impacto político, com o STF buscando evitar que os processos se prolonguem até o calendário eleitoral de 2026.
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