Corte se posiciona contra medidas que favoreçam o ex-presidente e aliados, enquanto governador de SP busca apoio para projeto de perdão aos envolvidos no 8/1
Brasília, 03 de setembro de 2025
Em um embate político que esquenta o cenário brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) está se mobilizando para impedir qualquer tentativa de indulto ou anistia que beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A Corte, com maioria formada, considera que tais medidas violariam o Estado Democrático de Direito, conforme fontes próximas aos magistrados.
A articulação, liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem gerado críticas e tensões, especialmente por sua tentativa de emplacar um projeto de anistia no Congresso Nacional.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre anunciou que apresentará uma proposta alternativa de anistia, buscando diferenciar os mandantes dos ataques de 8 de janeiro daqueles que, supostamente, “se envolveram sem intenção de apoiar crimes contra a democracia”.
A iniciativa de Alcolumbre visa reduzir penas para réus considerados de menor relevância, mas exclui benefícios a líderes como Bolsonaro e ex-ministros, conforme revelado pelo g1.
Essa proposta, articulada com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e ministros do STF, tenta esvaziar o projeto original defendido pela oposição, que enfrenta resistência tanto na cúpula do Congresso quanto no Judiciário.
Enquanto isso, Tarcísio de Freitas acelera sua articulação em Brasília, buscando apoio de partidos do Centrão, como União Brasil e PP, para garantir a aprovação do projeto de anistia.
Deputados acreditam que as conversas entre Tarcísio e Motta podem levar à inclusão do projeto na pauta após o julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para terminar em 12 de setembro de 2025.
A pressão sobre Motta aumentou, com líderes cobrando posicionamento.
“Os líderes estão cobrando, estamos avaliando e temos que conversar mais”, declarou o presidente da Câmara, conforme noticiado pela Folha de S. Paulo.
Por outro lado, ministros do STF criticam a movimentação de Tarcísio, alertando que sua insistência pode “fechar as portas” da Corte para o governador, segundo fontes internas.
A resistência do Supremo se intensificou após postagens em redes sociais, como a do perfil @meioindep no X, onde Tarcísio critica o STF e defende a anistia, afirmando que é necessário “exigir a anistia daqueles que receberam penas desarrazoadas”.
A Corte teme que a aprovação de uma anistia ampla gere um precedente perigoso, especialmente em meio ao julgamento de Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, iniciado na terça-feira (2/set).
A oposição, liderada pelo Partido Liberal (PL), aposta na pressão política para avançar a proposta. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o partido rejeita qualquer “anistia light” e insiste em um texto que inclua Bolsonaro, visando reverter sua inelegibilidade para as eleições de 2026.
No entanto, a resistência de Motta e Alcolumbre, aliados ao receio de uma crise institucional com o STF, pode dificultar o avanço do projeto.
Em 15 de novembro de 2024, um atentado próximo ao STF, perpetrado por Francisco Wanderley Luiz, ligado ao PL, reacendeu o debate sobre a anistia, com aliados de Bolsonaro intensificando a narrativa de perseguição política.
O perfil oficial do STF nas redes sociais reforça a postura firme da Corte, destacando a independência e a transparência no julgamento dos réus do 8 de janeiro.
O embate entre os poderes evidencia a polarização política no Brasil, com o STF determinado a proteger o Estado Democrático de Direito e Tarcísio buscando consolidar sua influência entre a base bolsonarista, de olho em 2026.
Resta saber se as articulações no Congresso superarão a resistência do Supremo ou se a proposta de Alcolumbre conseguirá pacificar o debate.







