📷 O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, durante live em seu canal no YouTube |25.6.2026| Imagem reprodução | A senadora Soraya Thronicke em entrevista ao Metrópoles |25.3.2026| Imagem reprodução
| Brasília (DF)
30 de junho de 2026
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) encaminhou, nesta segunda-feira (29/jun), uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o influenciador Paulo Figueiredo.
O documento pede a abertura de investigação por violência política de gênero após declarações misóginas feitas em transmissão ao vivo no YouTube.
O vídeo, publicado em 25 de junho, teve como gatilho a divulgação de dois vídeos pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nos quais ela afirma ter sido humilhada e apunhalada pelo enteado, o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em defesa do senador, Figueiredo atacou Michelle, comparando-a a madrasta ruim e classificando-a como infantil, narcisista e feminista.
A notícia-crime, no entanto, não se limita às ofensas contra a ex-primeira-dama. O foco central da representação de Soraya são as declarações sobre o voto feminino, conforme reportou o UOL.
Figueiredo afirmou: “Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido”.
A senadora classifica a fala como “discurso discriminatório” que atribui ao gênero feminino uma “incapacidade de exercer o voto de forma autônoma”, reforçando estereótipos de submissão da mulher ao marido.
O episódio teve um segundo ato na rede social X (antigo Twitter). Diante da repercussão, Figueiredo reiterou a declaração: “Mulher não vota muito mal, mulher vota mal para caralho”.
Na publicação, ele também atacou a Folha de S.Paulo e classificou o feminismo como “ideologia demoníaca que está destruindo a vida das mulheres”.
Essa reiteração da conduta, segundo a notícia-crime, reforça o pedido de investigação.
Outra declaração que gerou indignação e consta na peça processual foi a sugestão de que as mulheres insatisfeitas poderiam “arrancar os pentelhos das calcinhas”.
A representação classifica a fala como de conotação sexual e caráter depreciativo, usando o corpo feminino como instrumento de ridicularização, especialmente contra mulheres identificadas como feministas.
“Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”
A ação de Soraya pede ainda que o Ministério Público Federal avalie a adoção de medida cautelar para proibir Figueiredo de usar redes sociais ou publicar conteúdos relacionados aos fatos investigados enquanto durar a apuração.
O influenciador, que se descreve como “jornalista censurado pelo Alexandre” (referindo-se ao ministro do STF Alexandre de Moraes, já teve contas suspensas anteriormente e informa em seu perfil que esta é sua “oitava conta” na rede.
O caso expõe uma estratégia crescente da extrema-direita: a tentativa de deslegitimar o voto feminino como forma de minar a democracia representativa.
A fala de Figueiredo ecoa um movimento que ganha força nos Estados Unidos, onde influenciadores e líderes religiosos de extrema-direita defendem a revogação da 19ª Emenda, que garante o direito de voto às mulheres americanas.
A conexão não é casual: Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura militar João Figueiredo, vive nos Estados Unidos e é uma das principais pontes entre o governo de Donald Trump e a família Bolsonaro.
A notícia-crime ocorre em um momento de tensão eleitoral, pois uma pesquisa Datafolha divulgada no último sábado (20/jun) mostrou que Lula (PT) venceria Flávio Bolsonaro no segundo turno por 52% a 37% entre as mulheres.
O senador enfrenta dificuldades nesse público e a situação piorou com o vídeo de Michelle. Figueiredo, ao apoiar Flávio, pode ter aumentado a rejeição do candidato entre as eleitoras.
A PGR agora analisará a notícia-crime para decidir se instaura ou não um inquérito.
O caso, por sua gravidade e repercussão, promete aquecer o debate sobre os limites da liberdade de expressão, a violência política de gênero e o papel das redes sociais na disseminação de discursos de ódio.
A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou oficialmente sobre a notícia-crime apresentada pela senadora Soraya Thronicke.
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