O Serviço Federal de Segurança da Rússia vê envolvimento da Ucrânia, apesar da reivindicação de responsabilidade feita pelo Estado Islâmico
As autoridades russas prenderam 11 pessoas relacionadas ao ataque à sala de concertos perto de Moscou, onde mais de 100 pessoas ficaram feridas e o número de mortos subiu para 133, conforme noticiaram mídias locais, neste sábado (23/3).
Na sexta-feira (22/3), homens armados abriram fogo com armas automáticas contra o público durante a noite de apresentação da banda de rock Picnic.
O presidente Vladimir Putin classificou a ação como “ato terrorista bárbaro“, declarou um dia de luto nacional e prometeu punir os envolvidos, enquanto as investigações continuavam para identificar os cúmplices dos detidos.
Uma afiliada do ISIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) assumiu a responsabilidade pelo ataque.
O ‘Amaq Outlet‘, canal de mídia do Estado Islâmico, publicou um vídeo com imagens do ataque terrorista na sala de concertos Crocus City Hall (ASSISTA AQUI) – as imagens são muito fortes.
O local foi incendiado pelos terroristas, o que resultou na morte de várias pessoas por inalação de fumaça. Cerca de 107 delas ainda estavam hospitalizadas na manhã de hoje.
Vídeos mostraram pessoas tentando se proteger e correndo dos tiros, para as saídas da sala de concerto. Outras imagens mostraram homens atirando nas pessoas. Algumas vítimas ficaram imóveis em poças de sangue.
Autoridades russas reforçaram a segurança nos aeroportos, estações ferroviárias e no sistema de metrô de Moscou. O prefeito cancelou reuniões e teatros e museus foram fechados durante o fim de semana. Outras regiões da Rússia também reforçaram a segurança.
O político russo Alexander Khinshtein disse que os assassinos fugiram em um veículo ‘Renault‘, que foi localizado pela polícia na região de Bryansk, a cerca de 340 quilômetros a sudoeste de Moscou. Dois deles foram presos, outros dois fugiram para uma floresta. Uma pistola, um carregador para um rifle de assalto e passaportes do Tadjiquistão foram encontrados no carro.
O ISIS postou uma foto no ‘Telegram‘ mostrando os quatro homens que lançaram o ataque em Moscou, alegando que a ação terrorista fazia parte da “guerra violenta” do grupo contra os países que lutam contra o Islã. As autoridades russas não comentaram a reivindicação de responsabilidade.
Murat Aslan, coronel reformado do exército turco e analista militar, afirmou que o ISIS-K (Estado Islâmico de Coraçone ou Estado Islâmico Khorasan) é uma organização militar salafita jihadista, um ramo do grupo Estado Islâmico, ativo no Afeganistão e no Paquistão que tem objetivos globais e pode realizar mais ataques em outras capitais.
Kabir Taneja, membro do ‘think tank‘ Observer Research Foundation, destacou o crescimento significativo do ISIS-K no Afeganistão, assim como o aumento das capacidades operacionais do ISIS no Iraque e na Síria. Ele enfatizou que, apesar de sua redução política, o ISIL (Islamic State of Iraq and the Levant) continua sendo ideologicamente poderoso.
No discurso de sábado, o Presidente Putin afirmou que os agressores foram detidos ao tentarem fugir para a Ucrânia, sugerindo o envolvimento do país. Por outro lado, o assessor de Zelensky rejeitou essa ideia, considerando-a insustentável.
O presidente ucraniano acusou Putin de tentar desviar a culpa ao mencionar sua nação, argumentando que a presença de “terroristas” enviados pelo líder russo para a Ucrânia deveria ter sido suficiente para evitar o ataque.
Três dias antes do ataque em Moscou, Putin rejeitou avisos ocidentais, considerando-os propaganda. A Casa Branca alertou sobre um ataque terrorista planeado, mas a fonte de segurança russa indicou falta de detalhes. O Conselho de Segurança da ONU condenando veementemente a ação terrorista.
Com informações do Al Jazeera e outras agências de notícias
