O “aumento nos empregos com registro no país é o principal motivo para o Brasil ter batido um recorde: o número de trabalhadores contribuindo para o INSS nunca foi tão alto“, diz o telejornal
O Jornal Nacional, principal telejornal da Rede Globo, noticiou nesta sexta-feira (10/11) que sob o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda que sem citá-lo, mas é óbvio, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia) identificou que nunca tantos brasileiros contribuíram com a Previdência Social.
O programa jornalístico exibiu a situação de um entregador, Davi Almeida Mesquita, que há três meses faz entregas de moto pelo Rio de Janeiro sob a proteção da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), ou seja, com carteira assinada. Isso quer dizer que, se antes ele trabalhava por conta própria, agora se tornou um contribuinte da Previdência.
Segundo o JN, “o número de trabalhadores com registro no setor privado está maior: 1,1 milhão a mais de 2022 para cá. Só um restaurante no Rio contratou 30 funcionários com carteira assinada em 2023. Mais gente com registro trabalhando, mais gente contribuindo para a Previdência Social“.
“Esse aumento nos empregos com registro no país é o principal motivo para o Brasil ter batido um recorde: o número de trabalhadores contribuindo para o INSS nunca foi tão alto“, destaca o telejornal.
“No terceiro trimestre de 2023, 64,3 milhões de empregados destinaram uma parcela do salário para o INSS. O maior contingente desde quando o IBGE começou a fazer esse levantamento, em 2012“.
De acordo com o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE) que coordena Sondagens do Comércio e de Investimentos da Superintendência Adjunta para Ciclos Econômicos (FGV IBRE), Rodolpho Tobler, “como a pandemia saiu do radar, quem vai ditar o ritmo dessa recuperação do emprego é a atividade econômica“.
“Com uma atividade econômica mais forte e com menos incerteza, ajuda aí que tenha mais contratação principalmente pelo lado formal. Acaba sendo bom para o governo, porque acaba tendo mais pessoas contribuindo para o próprio programa previdenciário, mas também para as próprias pessoas, que acabam tendo alguma proteção social para alguma necessidade no futuro”, afirma.
Apesar do grande papel do governo federal sob a terceira gestão do estadista, que gera o aumento na contribuição classificado pelo JN como “um bom sinal“, o telejornal mostrou que isso está longe de resolver o déficit na Previdência.
Em 2023, essa defasagem já está em R$ 248 bilhões. O programa defendeu a reforma da Previdência realizada em 2019, que estabeleceu, por exemplo, a idade mínima para aposentadoria e o aumento no valor da contribuição para quem tem salários mais altos.
De acordo com o Professor da PUC-Rio e economista-chefe da Genial Investimentos, “a reforma da Previdência foi super importante. Você tinha, em geral, as despesas da Previdência Social cresciam entre 5% e 6% ao ano. Depois da reforma da Previdência, essas despesas estão crescendo 1,2%, 1,3% ao ano. É uma queda significativa, mas continua crescendo. Você tem que conseguir um modelo que faça com que o aumento de receita seja maior que o aumento da despesa. Aí você vai gerar o equilíbrio lá na frente“.
“Você tendo a carteira assinada, você tem uma segurança. Aí vem o alívio, aí vem a felicidade”, afirma o assistente de barman Laurent Santos do Nascimento.
