O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Ernesto Araújo, em 2018, seu então recém escolhido para ocupar o cargo de ministro de Relações Exteriores, quando viesse a assumir o Planalto em 2019, em foto de Dida Sampaio para o Estadão. Ao fundo, o ex-presidente LULA, favorito nas eleições de 2022, discursa na Espanha / O ex-presidente disse que o acordo UE/Mercosul será revisto, caso ele vença a eleição de 2022 | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
Da forma que está, o tratado poderia levar a uma desindustrialização do Brasil. LULA chamou o acordo de “precipitado“. “Devemos levar em conta as necessidades dos países“, disse
O acordo comercial assinado por Jair Bolsonaro entre o Mercosul e a UE, em 2019, quando com apenas seis meses de governo, o presidente fechou a negociação estabelecendo o fim de barreiras e impostos aduaneiros entre os dois blocos, foi “mal negociado” e terá de ser reavaliado, disse LULA, para o caso de ele voltar ao poder. Da forma que está, o tratado poderia levar a uma desindustrialização do Brasil. LULA chamou o acordo de “precipitado“. “Devemos levar em conta as necessidades dos países“, disse.
Na época, o portal Agência Brasil deu ênfase exagerada sobre o tema, ao afirmar, sob a gestão do pior chanceler do mundo*: “Mercosul e UE fecham maior acordo entre blocos do mundo“.
*Ernesto Araújo era o então ministro das Relações Exteriores do governo de Jair Bolsonaro que, em gestão desastrosa no Itamaraty, fez com que o historiador Andre Pagliarini escrevesse um texto altamente crítico a ele, na revista americana Jacobin, sob título “O pior chanceler do mundo“.
Nas palavras do ex-presidente LULA, nesta semana, na Europa, o acordo assinado por Bolsonaro foi um “erro“: “Os parceiros europeus precisam entender que nós devemos exportar produtos acabados que tenham maior valor agregado para que possamos avançar”, disse. “Não queremos apenas exportar soja, milho e minérios”.
Lula disse que “depois de 2022, após o processo de eleição em diferentes países, será necessário sentar-se em torno de uma mesa” para repensar o acordo, conforme mostrou Jamil Chade, no UOL.
Entreguismo de Bolsonaro e Guedes
Fontes dentro do próprio governo indicam que, para falsamente fazer crer que havia sido capaz de negociar um acordo com a UE, Bolsonaro e Paulo Guedes entregaram setores estratégicos e aceitaram algumas poucas quotas adicionais de exportação de produtos agrícolas.
Negociadores admitem que a UE conseguiu impor a Bolsonaro um conjunto de exigências que abririam o Brasil rapidamente às exportações industriais europeias.
Ou seja, o acordo representaria o livre comércio industrial, bom para a UE. Mas um acordo de limitação de comércio agrícola, ruim para o Brasil.
Os próprios dados da Comissão Europeia apontam para essa realidade. A cota dada para a carne bovina no Mercosul foi de 99 mil toneladas, menos de 1% que o Brasil produz anualmente. No que se refere à carne de frango, a cota de 180 mil toneladas concedida ao Mercosul representa apenas 1,2% do consumo da UE. Uma taxa similar é registrada para o açúcar. A cota negociada por Bolsonaro prevê o abastecimento de apenas 1% do consumo europeu.
O ex-chanceler brasileiro, Celso Amorim, também sugeriu uma revisão do tratado
“Não precisávamos entregar tudo“. “Nem está assinado ainda. É um pré-acordo e tem que ser assinado por parlamentos“, disse o ex-chefe da diplomacia de Lula, Celso Amorim, que esteve com o ex-presidente durante sua turnê pela Europa nesta semana.
“Lula foi um grande impulsionador da aproximação com a Europa“, disse.
“Eu tenho muitos anos de negociador. Mas uma coisa que um negociador não pode ter é pressa“, alertou.
“Em 2019, existia uma pressa dupla. Por um lado, o Brasil queria mostrar alguma coisa em política externa, por não ter uma política externa. Por outro lado, a Argentina queria reeleger Maurício Macri, e também precisava mostrar alguma coisa. O acordo foi muito mal negociado“, explicou.
“A relação com a Europa é muito importante, inclusive do ponto de vista estratégico“, disse. “Não podemos permitir que o mundo caia numa divisão entre EUA e China e cada um caia numa área de influência“, insistiu.
“Mas não precisávamos entregar tudo em compras governamentais, serviços, propriedade intelectual e essas cotas ridículas, enquanto baixamos a zero nossas tarifas“, lamentou.
