Show de artistas contra projetos que ferem meio ambiente leva multidão à frente do Congresso Nacional

Imagem reprodução Twitter / @reporterenato/Twitter


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Do lado dentro, deputados votaram projeto que autoriza mineração em terras indígenas

Um grande Show de artiscas, como Caetano Veloso, Emicida, Criolo, dentre outros, ocorreu na noite desta terça-feira (9/3) em frente ao Congresso Nacional, para protestar contra projetos do governo que levam à degradação do meio ambiente, arrastou uma multidão enquanto, do lado de dentro, deputados votavam um PL que autoriza a mineração em terras indígenas.

De acordo com a agência da Câmara dos Deputados, o Plenário aprovou, por 279 votos a 180, o requerimento do líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), para tramitação em regime de urgência do Projeto de Lei 191/20, sobre a mineração em terras indígenas, enquanto a oposição criticou a decisão.

A líder do PSOL na Câmara, Sâmia Bomfim (SP), disse que “a mera criação de um grupo de trabalho demonstra que não há urgência na votação deste tema”.

O líder do PT, deputado Reginaldo Lopes (MG), defendeu a rejeição da urgência argumentando que o tema só deveria vir à pauta após a discussão no grupo de trabalho: “Durante as reuniões, mesmo os líderes da base do governo manifestaram divergências em relação ao texto”, disse.

A representante da Rede, deputada Joenia Wapichana (RR), afirmou que a proposta viola direitos das populações indígenas: “Vai levar à morte, à devastação das vidas e das terras indígenas. Não se pode colocar uma ameaça de falta de fertilizantes para autorizar a mineração em terras indígenas, mas essas minas [de materiais utilizados na fabricação de fertilizantes] não estão na Amazônia, estão em São Paulo e em Minas Gerais”, declarou.

Para o deputado Nilto Tatto (PT-SP), a Casa dá um passo contrário às demandas da sociedade reunida em frente ao gramado do Congresso Nacional no Ato em Defesa da Terra. Ele também ressaltou que as minas com insumos para a produção de fertilizantes não estão localizadas em terras indígenas: “Neste momento, a sociedade civil e os movimentos populares estão lá fora clamando para que esta Casa pare de votar a destruição da natureza. E a base do governo insiste em querer votar aqui autorização para mineração, a monocultura e a construção de hidrelétricas em terras indígenas”, lamentou.

O show

Enquanto artistas, ambientalistas, movimentos sociais e estudantes fizeram um ato público em frente ao Congresso Nacional, o cantor e compositor Caetano Veloso foi recebido pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como parte da agenda de mobilizações em protesto contra o chamado “Pacote da Destruição“, conforme noticiou o RBA.

O conjunto de projetos de lei em tramitação vai facilitar o desmatamento, a mineração e o garimpo em terras indígenas, além de deixar a floresta à mercê da ação de grileiros e criminosos e até descontrolar completamente o uso de agrotóxicos no país, conforme nocitia o portal. O protesto foi especialmente contra seis projetos de lei (PL):

  • o PL nº 2.159, que torna o licenciamento ambiental uma exceção, em vez de ser a regra;
  • o PL nº 2.633 e o PL nº 510, que concedem anistia à grilagem em terras públicas;
  • o PL nº 490, que trata do chamado “marco temporal” das terras indígenas, que estabelece que povos indígenas só podem reivindicar as terras que eles ocupavam no momento em que a Constituição de 1988 foi aprovada;
  • o PL nº 191, que autoriza a mineração e a construção de hidrelétricas em terras indígenas, até mesmo naquelas em que há indígenas isolados;
  • e o PL nº 6.299, o chamado “Pacote do Veneno”, que revoga a atual Lei de Agrotóxicos (7.802/89) e flexibiliza ainda mais a aprovação e o uso de agrotóxicos no país.

Antes do grande cultural, às 15h ambientalistas e representantes de organizações sociais participaram de uma audiência pública no Senado. Eles conversaram com o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Na oportunidade, Caetano Veloso entregou uma carta ao chefe do Senado e chegou a cantar o refrão da música Terra, no Salão Negro do Congresso.

Dirigindo-se ao senador, o artista lembrou o sofrimento humano provocado por tragédias climáticas e ambientais como Mariana, Brumadinho, as chuvas recentes em regiões dos estados de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, onde a cidade de Petrópolis ainda recolhe vitimas entre destroços. E advertiu que tudo pode piorar. “O Brasil vive hoje sua maior encruzilhada ambiental desde a democratização. O desmatamento saindo do controle. A violência contra indígenas e povos tradicionais e a nossa credibilidade internacional arrasada”.

Caetano Veloso apelou a Rodrigo Pacheco: “O simples fato de o senhor nos receber aqui é sinal de que tem preocupação com essa agenda, que é central no presente e futuro do Brasil. E nós dois temos motivos de sobra para estarmos preocupados com a questão ambiental”.

Veja abaixo e leia mais a seguir:

Por sua vez, Pacheco afirmou que embora o agronegócio brasileiro tenha a sua importância econômica na pauta de exportações – o setor é o principal interessado na aprovação desses projetos de lei – não pode ser o único contemplado. E disse concordar que os impactos dessas propostas são graves para o meio ambiente, afirmando em público que o Senado vai analisar todas as questões “com zelo, cautela e responsabilidade”. “O Brasil não pode ser pária ambiental”, disse.

Assista à gravação de mais de 5 horas, do show, feita pelo portal Mídia Ninja:

 

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