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Setores dos EUA enfrentam crise de mão de obra e Trump sinaliza mudança na política de imigração

    Donald Trump, ainda como candidato presidencial, visita a fronteira EUAMéxico em Eagle Pass, Texas | Imagem capturada a partir de Piedras Negras, México – 29.02.2024 – Go Nakamu/Reuters

    Setores dos EUA enfrentam crise de mão de obra e Trump sinaliza mudança na política de imigração

    Falta de trabalhadores imigrantes indocumentados na agricultura, hotéis e restaurantes ameaça economia, enquanto o presidente propõe legalizar retorno de mão de obra essencial – SAIBA MAIS

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    Washington, D.C., 17 de abril de 2025

    A escassez de trabalhadores imigrantes indocumentados está gerando preocupação nos setores agrícola, hoteleiro e de restaurantes dos Estados Unidos, que dependem fortemente dessa mão de obra.

    Cerca de 40% dos trabalhadores agrícolas de cultivo são indocumentados, enquanto 1,1 milhão atuam na hospitalidade, representando 7,6% da força de trabalho em 2023, segundo a NBC News.

    Empresários alertam que a ausência desses trabalhadores pode levar a perdas significativas, com o Newsweek estimando uma queda na produção agrícola entre US$ 30 e US$ 60 bilhões, caso as deportações em massa prometidas por Trump sejam implementadas.

    Além disso, a Reuters prevê que os restaurantes enfrentarão impactos econômicos similares à pandemia, com menus mais caros e possível fechamento de estabelecimentos.

    Em resposta às pressões do setor, o presidente Donald Trump sugeriu, durante uma reunião de gabinete em 10 de abril, um plano para permitir que trabalhadores indocumentados desses setores saiam do país e retornem legalmente, desde que seus empregadores atestem sua importância.

    “Vamos cuidar dos nossos fazendeiros e hotéis, trazendo-os de volta como trabalhadores legais,” afirmou Trump, conforme reportado pela AgDaily.

    No entanto, a proposta é vista com ceticismo por sindicatos como a United Farm Workers, que, segundo a NBC News, exigem um plano concreto, especialmente após a deportação de cerca de 300 pessoas no último mês, a maioria venezuelanos, para uma megaprissão em El Salvador.

    A crise é agravada pelo medo entre os imigrantes, que estão evitando sair de casa, o que já causa impactos em outras indústrias, como construção e cuidados a idosos, de acordo com o The New York Times.

    Em Nova Jersey, trabalhadores diaristas latinos, em sua maioria indocumentados, deixaram de comparecer a pontos de contratação devido ao temor de operações de deportação.

    Enquanto isso, a Axios destaca que a construção e a agricultura têm as maiores proporções de trabalhadores indocumentados, com 39% dos rebocadores e 28% dos classificadores agrícolas sendo imigrantes sem documentos, o que pode levar a uma perda de 4,2% a 6,8% do PIB anual dos EUA.

    Economistas e líderes empresariais pedem reformas imigratórias mais amplas, como a expansão do programa de vistos H-2A, mas enfrentam desafios.

    O portal Politico aponta que, historicamente, trabalhadores americanos evitam empregos agrícolas devido às condições adversas e baixos salários, e um aumento no uso de vistos H-2 pode tornar a força de trabalho mais vulnerável a abusos.

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    Enquanto Trump busca equilibrar sua promessa de deportações com as necessidades econômicas, o futuro desses setores permanece incerto, com impactos que podem afetar diretamente os consumidores americanos.

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