Luis Ricardo Miranda, do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, revelou nomes dos superiores que o teriam pressionado para dar celeridade nas tratativas pela compra dos imunizantes
Luis Ricardo Miranda, do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, revelou, à CPI da Covid, nomes dos superiores que teriam, segundo ele, o pressionado para dar celeridade nas tratativas pela compra de imunizantes Covaxin e apontou supostos indícios de pagamento de propina a gestores da Saúde na compra de imunizantes.
Convidado após a CPI ter tido acesso ao depoimento dele ao Ministério Público Federal (MPF), em investigações sobre supostas irregularidades no processo de aquisição do imunizante indiano, o servidor disse ter sofrido pressão atípica de superiores e revelou que membros do governo federal articularam, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em favor da vacina.
“O ministério estava sem vacina. E um colega, Rodrigo, servidor, disse que um rapaz vendia vacina. E esse rapaz disse que alguns gestores estavam recebendo propina. Ele não disse nomes”
Entre os nomes o teriam pressionado, o funcionário publicou citou o coronel Marcelo Pires. O militar chefiava desde janeiro a Diretoria de Programas do ministério, mas foi exonerado em meados de abril após a chegada do atual ministro Marcelo Queiroga. Ele também disse ter sofrido pressões do coordenador Alex Lial Marinho e do diretor Roberto Ferreira Dias. Segundo Miranda, a cúpula do setor o procurava, constantemente, para saber detalhes do andamento das negociações.
“Me procuravam para saber detalhes: se acionou a empresa, se conseguiu a documentação, se já foi protocolado na Anvisa, sempre o andamento, mas com bastante constância”
O servidor relata ter se sentido desconfortável com a conduta dos superiores.
“Com essa pressão e as formas como recebemos os documentos, toda equipe do setor não se sentiu confortável com essa pressão, como estavam me pressionando, eu conversei e acionei o meu irmão [deputado federal Luis Miranda (DEM-DF)], que procurou o presidente”.
O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor do Ministério da Saúde, prestaram depoimento, nesta sexta-feira (25), à CPI da Covid, acerca das negociações da vacina Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.
O parlamentar colocou-se à disposição da comissão para participar ao lado do irmão, alegando ter mais informações sobre o caso e disse que os dois foram expostos pelo vazamento de uma gravação registrada pelo Ministério Público Federal. O parlamentar confirmou o encontro com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para falar da pressão sofrida pelo irmão.
“Não procuramos essa CPI, fomos procurados. Procurei meus colegas parlamentares desta CPI para explicar que o caminho poderia ser muito ruim para meu irmão. A maioria dos problemas ocorreu na semana que antecedeu o encontro com o presidente da República, em 20 de março.”
Luis Miranda disse que, ao procurar Bolsonaro, fez “o que qualquer cidadão brasileiro deveria fazer”:
“Não sou policial, não sou promotor de Justiça, não sou investigador. Levei para a pessoa certa, na minha opinião. Presidente olhou nos meus olhos e disse: ‘Isso é grave. Vou acionar o DG (diretor-geral) da Polícia Federal’”
Para o parlamentar, a decisão tomada por ele e o irmão foi o suficiente para o Brasil não dispender dinheiro público com um imunizante ainda não utilizado.
“Se não fôssemos nós, 45 milhões de dólares seriam pagos por uma vacina que até agora não se resolveu e não sabemos se vai se resolver”

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