Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

“Quem cair na mão desse cara tá ferrado”; “ele é polícia, é promotor e é juiz”: PF descobre áudio de grampo ilegal determinado por Moro

    Material inédito de 40 minutos expõe críticas duras ao ex-juiz e revela estratégia de monitoramento que ignorava prerrogativa de função

    Clickable caption
    Sergio Moro
    Sergio Moro em 2015 / Imagem reprodução Petro Noticias | 13ª Vara Federal de Curitiba, alvo de operação da PF em 3.12.2025 / Foto: Divulgação/Justiça Federal | Polícia Federal / Divulgação

    Brasília, 17 de dezembro 2025

    A Polícia Federal apreendeu, durante operação de busca na 13ª Vara Federal de Curitiba, documentos e áudios que comprovam que o ex-juiz e atual senador Sergio Moro determinou o monitoramento de autoridades com foro por prerrogativa de função, sem autorização do tribunal competente.

    O material, até então guardado em gavetas da vara, inclui um despacho de julho de 2005 em que Moro exige que o colaborador Tony Garcia tentasse gravar novamente o então presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), Heinz Herwig, porque as gravações anteriores eram insatisfatórias para os fins pretendidos.

    A coluna de Daniela Lima no UOL teve acesso exclusivo à íntegra da gravação ambiental de cerca de 40 minutos, realizada em fevereiro de 2005, e à transcrição completa – aproximadamente 20 páginas. No diálogo, tanto Tony Garcia quanto Heinz Herwig criticam abertamente a conduta do então juiz.

    “Na verdade, ele é polícia, é promotor e é juiz”, afirma Herwig. Já Garcia reclama: “Tudo o que você fala ele diz que é mentira. Quem cair na mão desse cara está ferrado”.

    O monitoramento de Heinz Herwig constava expressamente do acordo de delação premiada firmado em 2004 no âmbito do caso Banestado, mas autoridades com foro privilegiado – como presidentes de tribunais de contas e desembargadores – só poderiam ser investigadas com aval do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que nunca ocorreu.

    Além do caso de Herwig, a Polícia Federal localizou relatórios de inteligência com referências a escutas ambientais realizadas por outro colaborador, o advogado Sérgio Costa, contra desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), à época responsáveis pela revisão de decisões da Justiça Federal paranaense.

    Esses arquivos, nunca juntados aos autos, continham títulos genéricos que sugeriam gravações em situações íntimas, como um magistrado “com medo de que as fitas das festas vazassem”.

    A operação de busca, autorizada pelo ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu após repetidas solicitações não atendidas pela 13ª Vara por documentos, fitas e gravações relacionados a denúncias antigas.

    O inquérito, que tramita sob sigilo, investiga se delatores foram usados para coletar material de pressão contra autoridades fora da competência legal do juiz.

    Essas acusações não são novas. Em 2023, Tony Garcia levou ao STF relatos detalhados de que, entre 2004 e 2005, foi transformado em uma espécie de agente clandestino por Moro, com apoio inclusive de policial federal designado para acompanhar as atividades.

    Na ocasião, a Polícia Federal já havia confirmado, em relatório, a existência de grampo de quase uma hora em Heinz Herwig.

    As denúncias de Garcia ganharam força ao longo de 2023 e 2024, levando à abertura formal de apuração no STF e, agora, à descoberta de provas materiais que haviam permanecido ocultas.

    Procurado, Sergio Moro classificou as acusações como baseadas em “relatos fantasiosos do criminoso condenado Tony Garcia” e afirmou não ter acesso aos autos atuais do inquérito, impedindo comentários específicos sobre o material apreendido.

    A revelação reforça questionamentos antigos sobre os métodos empregados na 13ª Vara Federal de Curitiba antes mesmo da Operação Lava Jato, período em que acordos de colaboração eram usados para além dos limites legais de competência.

    O desenrolar da investigação no STF poderá esclarecer até que ponto tais práticas configuraram abuso de autoridade.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    1 comentário em ““Quem cair na mão desse cara tá ferrado”; “ele é polícia, é promotor e é juiz”: PF descobre áudio de grampo ilegal determinado por Moro”

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading