O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, em foto no Palácio do Planalto com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e as fotos dos artistas Zezé Motta e Djavan, usadas para criticar o movimento ‘Imagine a Dor, Advinhe a Cor’, contra a violência policial | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
“Temos sim, uma dor ancestral, uma luta que, pelo visto, não vai acabar tão cedo, devido a ‘contribuição nefasta’ de certos tipos”
No Twitter, Sérgio Camargo chamou Zezé Motta e Djavan de “pretos vergonhosos“, em crítica ao movimento “Imagine a dor, advinhe a cor“, conforme visto nas camisas dos artistas, contra violência policial, e a atriz resolveu responder a este e a outros insultos, escritos nos mesmos tuítes do presidente da Fundação Palmares: “Temos sim, uma dor ancestral, uma luta que, pelo visto, não vai acabar tão cedo, devido a ‘contribuição nefasta’ de certos tipos“.
Camargo disse que “não existe nenhuma dor (angústia) exclusiva e específica dos negros por causa da cor da pele” e ainda ofendeu a todos os que acreditam no movimento. “Quem acredita nisso é racista ou um completo imbecil“.
“As emoções dos negros são comuns a todos os seres humanos“, afirmou tentando justificar. “O monopólio racial do sofrimento é uma invenção de artistas desocupados!“, disse.
Ele também atacou Caetano Veloso, Alcione e outras personalidades, diz a matéria no Globo.
Nesta terça-feira, Zezé Motta postou a resposta em seu perfil no Instagram:
Leia a seguir:
“Uma dor ancestral. Existe sim! Uma ‘dor ancestral’ de todo povo negro/afrodescendente, que continua vigente, que ‘nós os não alienados’ resistentes, que lutamos por um país, por um mundo melhor, sem desigualdades, sem meritocracias, sem alienados que ocupam cargos extremamente significativos nas Instituições que só nos dizem respeito, que são de extrema importância para a história do nosso povo. Para que possamos ter pleno conhecimento de tudo que faz parte da nossa trajetória de dores e conquistas – através de inúmeras batalhas e muita angústia!
O ato de um ‘alienado’, compactuar com o aviltamento de artistas que sempre lutaram pela preservação e o respeito à nossa história e às nossas referencias, nos leva a resistir ao fato da nossa Fundação Palmares, estar sob a sua tutela.
Pretos vergonhosos? Somos nós que lutamos todos os dias para que a ‘nossa’ Fundação Palmares, continue com a filosofia, ideologia e a linha de ação política implantada, que tanto lutamos para que fossem instauradas.
Temos sim, uma dor ancestral, uma luta que, pelo visto, não vai acabar tão cedo, devido a ‘contribuição nefasta’ de certos tipos, que só contribuem para um retrocesso que só interessa ao jogo da podridão que só favorece aos jogos de interesses que são contra o avanço e o esclarecimento do nosso povo.
Lutamos por um país melhor, sem dores, sem angústias, sem desesperos, sem monopólios dos ‘despreparados’ que não respeitam as dores diárias do nosso povo tão ‘doido’ tão sofrido e machucado pelos alienados que só contribuem para que a ‘nossa dor’ seja cada vez maior.
O que está acontecendo quotidianamente: retrocesso, desrespeito ao nosso povo de todos os segmentos, aos artistas e todos que se rebelam contra as manipulações, conveniências e torturas.
Salve todos os nossos ancestrais! Porque, tudo o que nos foi deixado é o que nos impulsiona para irmos em frente.
Com muito Asé!
Zezé Motta”
