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RESUMO
URBS MAGNA

| Brasília (DF)
08 de setembro de 2026

O jornalista Fernando Boscardin escreveu em sua conta na rede social X sobre contas da extrema direita que aparecem na timeline, mesmo sem seguir. Ele sugeriu que se deve “sentar o dedo no block” para bloquear essa conta.

Segundo Boscardin, o algoritmo interpreta que, após vários bloqueios, aquela conta não tem relevância, o que resulta em uma diminuição de sua visibilidade e alcance. Embora reconheça que isso dá trabalho, enfatizou que é uma ação necessária.

Em seguida, afirmou que a extrema direita cria contas falsas para aplicar a mesma tática contra adversários.

A mensagem ultrapassou milhares de visualizações em poucas horas e gerou dezenas de respostas.

O perfil Nil Moretto enfatizou a necessidade de exercer bloqueios, mesmo quando as celebrações estão em andamento. Em meio a essa discussão, Outro dono de conta, Doug, trouxe à tona um ponto relevante, mencionando que, apesar de suas tentativas constantes de bloquear, as dificuldades continuam a surgir de maneira persistente.

Veja a seguir e leia mais depois


O bloqueio funciona — ou o feed volta a empurrar as mesmas contas?

As respostas ao post descrevem dois tempos. Há quem relate limpeza visível depois de meses de bloqueio em série. Há quem descreva o contrário: a conta some e reaparece sob outro perfil, ou o conteúdo retorna pelo “Para você”.

Henrique (@oiHickz) escreveu que o método “funcionou por uns meses no Facebook”, depois de cerca de duas mil páginas bloqueadas, “mas de 2 semanas pra cá, voltou a me bombardear com conteúdos redpill e da extrema direita.” CarmenGFloripa observou um limite técnico: “Pra mim, não. O bloqueado nem desaparece da tela.”

A documentação pública do próprio X ajuda a entender o mecanismo, sem resolver o dilema. Na página oficial sobre recomendações, a plataforma afirma que mute e block retiram autores da linha do tempo do usuário que acionou a ferramenta.

Guias técnicos que analisam o ranqueador em 2026, como o texto da ReplySocial, descrevem bloqueio, mute, “não tenho interesse” e denúncia como sinais negativos pesados no cálculo do feed. Isso confirma parte do conselho de Boscardin para o próprio feed. Não prova, sozinho, que o alcance geral da conta bloqueada desabe para todos os outros usuários.

IMPORTANTE: Bloquear uma conta remove aquele autor da sua linha do tempo e envia um sinal negativo ao ranqueador. Não há garantia de que um bloqueio individual “desligue” o alcance daquela conta para o restante da rede. O efeito coletivo depende de muitos usuários enviarem o mesmo sinal, e mesmo assim o sistema pode recomendar perfis semelhantes.

O que os estudos dizem sobre o viés do algoritmo?

A intuição do fio encontra respaldo em pesquisa acadêmica. Em 18 de fevereiro, a revista Nature publicou o artigo “The political effects of X’s feed algorithm”. O experimento com milhares de contas nos Estados Unidos comparou o feed cronológico com o feed algorítmico. O resultado: a troca para o algoritmo aumentou o engajamento e deslocou opiniões rumo a posições mais conservadoras. Posts anotados como conservadores tiveram probabilidade maior de aparecer no feed recomendado.

O achado não é isolado. Em 2021, auditoria publicada na PNAS já havia medido amplificação algorítmica maior para a direita institucional em seis de sete países analisados no antigo Twitter. Em 2025, a organização Global Witness, citada pela TechCrunch, encontrou viés de extrema direita nos feeds “For You” do X e do TikTok na Alemanha, em período pré-eleitoral. Contas novas, sem histórico partidário, recebiam maioria de conteúdo alinhado à AfD.

A coluna da ANPOF formula a hipótese que amarra esses estudos: o algoritmo não precisa “torcer” declaradamente para um campo. Basta premiar o conteúdo que prende atenção — raiva, medo, denúncia, teoria da conspiração. Esse tipo de peça circula com mais facilidade em repertórios da extrema direita, e o lucro por anúncio acompanha o tempo de tela.

Como usar o bloqueio sem achar que o problema acabou?

O debate do jornalista no X funciona como uma espécie de manual improvisado. A sequência prática que emerge das respostas é esta:

  • Bloquear a conta que aparece sem ser seguida.
  • Evitar responder, citar ou citar com ironia — cada resposta é sinal de interesse para o ranqueador.
  • Usar “não tenho interesse” no post e no autor, além do mute de palavras.
  • Alternar para a aba “Seguindo”, que a própria plataforma descreve como cronológica.
  • Tratar contas novas com a mesma lógica, porque o post original alerta para a criação de perfis falsos justamente para contornar o bloqueio.

O conselho viraliza agora, a menos de um mês da janela mais quente da campanha de 2026, porque o eleitor percebe o feed como território disputado. O bloqueio é instrumento de higiene digital. Não substitui regulação, transparência das plataformas nem checagem de informação. Quatro usuários no mesmo fio disseram, em formulações diferentes, a mesma coisa: o trabalho é contínuo, e a “chuva de contas” não cessa com um único gesto.

O que permanece em aberto?

Nenhuma das pesquisas citadas afirma que o bloqueio em massa, sozinho, reequilibra o ambiente informativo nacional. Elas mostram outra coisa, mais precisa: o sistema de recomendação amplia certo tipo de conteúdo político mesmo para quem não o procura. O dedo no block reduz a exposição daquela pessoa. O alcance coletivo da máquina de contas novas, bots e clones continua sendo um problema de plataforma — e de eleição.

FAQ Rápido

O bloqueio reduz o alcance da conta bloqueada para todo mundo?
Para o usuário que bloqueia, sim: a conta some do feed. O efeito sobre o alcance geral da conta depende de muitos sinais negativos simultâneos e não está demonstrado como regra automática.

Por que contas da extrema direita aparecem mesmo sem follow?
Estudos da Nature, da PNAS e de organizações como a Global Witness mostram que o feed algorítmico privilegia conteúdo de direita e de extrema direita em vários países, inclusive para contas novas.

O que fazer além de bloquear?
Não interagir com o post, usar “não tenho interesse”, mute de termos, aba “Seguindo” e desconfiança diante de perfis recém-criados que repetem o mesmo conteúdo.

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