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Marcos do Val dribla STF e viaja aos EUA mesmo com o passaporte retido pela PF: deputado posta meme

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    Os três
    Os três fugitivos – meme postado por Lindbergh Farias – reprodução


    “Senador Swat” investigado pelo Supremo embarca para Miami, ignora bloqueio judicial e alega liberdade de locomoção; Lindbergh Farias diz que é o terceiro a fugir



    Brasília, 24 de julho de 2025

    O senador Marcos do Val (Podemos-ES), conhecido por sua postura combativa e apelidado de “Senador Swat“, causou polêmica ao viajar para Miami, nos Estados Unidos, na noite de quarta-feira (23/jul).

    A viagem, confirmada por autoridades alfandegárias americanas, ocorreu apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), liderada pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinava o bloqueio de seus passaportes.

    Do Val, no entanto, utilizou seu passaporte diplomático, que não foi apreendido pela Polícia Federal, para embarcar em um voo partindo de Manaus. Ele informou ao Senado que retornará ao Brasil em 3 de agosto, mas a situação levanta dúvidas: será que ele volta mesmo?

    E sua alegação de que não há restrições legais à sua locomoção é verdadeira? Vamos destrinchar o caso.

    Por que o passaporte de Marcos do Val foi bloqueado?

    Marcos do Val está no centro de investigações sigilosas conduzidas pelo STF, relacionadas a crimes graves, como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, associação para o crime e divulgação de documentos sigilosos.

    As medidas cautelares, impostas pelo ministro Alexandre de Moraes desde agosto de 2024, incluem a apreensão de seu passaporte comum, bloqueio de redes sociais e até retenção de uma pistola Glock calibre .380.

    Em março de 2025, a Primeira Turma do STF, composta por Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, rejeitou por unanimidade um recurso do senador para liberar seu passaporte, mantendo a restrição.

    A origem das investigações remonta a 2023, quando Do Val acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro de tentar cooptá-lo para um suposto plano golpista após as eleições de 2022.

    Desde então, o senador passou a ser alvo de operações da Polícia Federal, que apreenderam seus dispositivos eletrônicos e o passaporte comum.

    Ele também enfrentou suspensão de redes sociais por atos de intimidação contra um delegado da PF e chegou a dormir no Senado, alegando dificuldades financeiras devido ao bloqueio de 70% de seu salário.

    A Viagem Polêmica: Como Do Val Conseguiu Sair do Brasil?

    Apesar do bloqueio judicial, Marcos do Val usou seu passaporte diplomático, que, segundo fontes da Polícia Federal, permaneceu em sua posse porque ele alegou não estar com o documento durante a apreensão do passaporte comum em 2024.

    O senador embarcou em um voo de Manaus para Miami, onde foi reconhecido por comissários de bordo, que, segundo relatos, o “tietaram” ao ver seu passaporte vermelho – símbolo de seu status diplomático.

    A entrada nos EUA foi registrada pela alfândega americana, confirmando sua chegada em 23 de julho.

    Em nota oficial, Do Val afirmou que sua documentação está regular, com o passaporte diplomático válido até julho de 2027 e um visto americano renovado até 2035.

    Ele declarou ter comunicado o Senado e “todas as autoridades de direito” com antecedência sobre a viagem, que seria para cumprir agendas institucionais.

    “Até o momento, não há qualquer decisão judicial válida que restrinja a minha liberdade de locomoção”, disse o senador, desafiando a ordem do STF.

    Ele ainda acusou o Supremo de violar a Constituição, argumentando que a retenção de seu passaporte só seria legal se ele tivesse sido formalmente acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), condenado pelo STF e perdido o mandato – o que não ocorreu.

    É Verdade Que Não Há Restrições Legais?

    A afirmação de Do Val é controversa. Legalmente, a decisão do STF, referendada por unanimidade, determina o bloqueio de ambos os passaportes – comum e diplomático.

    A Polícia Federal confirmou que o passaporte comum foi apreendido e bloqueado no sistema, mas o diplomático não, o que permitiu a viagem.

    O Itamaraty, responsável pela emissão de passaportes diplomáticos, disse não ter conhecimento da saída do senador e jogou a responsabilidade para a PF. O STF, por sua vez, informou que “não há informações atualizadas” sobre o caso, já que os processos contra Do Val são sigilosos.

    Especialistas apontam que o uso do passaporte diplomático pode configurar descumprimento de medida cautelar, o que poderia agravar a situação do senador.

    No entanto, Do Val insiste que a decisão do STF é “ilegal” e fere tratados internacionais, como a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José), que garantem a liberdade de locomoção.

    Ele também alega que a medida viola prerrogativas parlamentares, como o direito de exercer plenamente seu mandato, incluindo participação em eventos internacionais.

    A Reação e as Implicações Políticas

    A viagem de Do Val gerou reações imediatas. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a atitude como parte de uma série de “fugas” de bolsonaristas investigados, citando os casos de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli.

    Em postagem no X, Farias escreveu: “Primeiro Eduardo, depois Zambelli… agora Marcos do Val. O senador descumpriu medida cautelar imposta pelo STF”.

    Já o senador Plínio Valério (PSDB-AM) manifestou solidariedade a Do Val, criticando Moraes por “violações ao mandato parlamentar” e defendendo o impeachment do ministro.

    Do Val também tem apoio internacional. A União Interparlamentar (UIP), que reúne parlamentos de 181 países, reconheceu em maio de 2025 que o senador é vítima de perseguição política, apontando violações como ameaça, intimidação, ausência de devido processo legal e obstrução do mandato.

    A UIP planeja enviar uma delegação ao Brasil para investigar o caso, o que aumenta a pressão sobre o STF. Por outro lado, a viagem ocorre em um contexto de tensões diplomáticas.

    Em 18 de julho, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos de Moraes e outros sete ministros do STF, acusando-os de “perseguição política” contra Jair Bolsonaro.

    Do Val, que mantém contato com Rubio, enviou 13 mil páginas de documentos denunciando supostas irregularidades do STF, reforçando sua narrativa de vítima de abuso institucional.

    O Que Vem Por Aí?

    A saída de Marcos do Val do Brasil levanta questões sobre brechas no sistema de controle de passaportes diplomáticos e privilégios parlamentares.

    A Polícia Federal e o STF ainda não esclareceram se o senador será investigado por descumprir a ordem judicial.

    Caso retorne em 3 de agosto, como prometido, ele pode enfrentar consequências legais, como multas ou até prisão preventiva.

    Se optar por permanecer nos EUA, a situação pode escalar para uma crise diplomática, especialmente considerando o apoio de figuras como Rubio.

    O caso também reacende o debate sobre a relação entre os Poderes no Brasil. Do Val e seus aliados acusam o STF de extrapolar suas funções, enquanto críticos do senador veem sua atitude como um desafio à Justiça e à democracia.

    Resta saber se o “Senador Swat” cumprirá sua palavra e voltará ao Brasil ou se sua viagem marcará um novo capítulo na polarização política do país.

    Medo de Ser Morto

    Em setembro de 2024, Marcos do Val revelou que passou a dormir no Senado Federal por temer por sua vida. Segundo o senador, as ameaças começaram após suas denúncias contra Jair Bolsonaro e se intensificaram com as investigações do STF.

    Ele alega que a pressão psicológica e as restrições impostas pelo Supremo o levaram a adotar medidas extremas para sua segurança, como evitar retornar à sua residência.

    Essa declaração reforça a narrativa de Do Val de que é alvo de perseguição, mas também levanta questionamentos sobre a gravidade das ameaças e a real intenção por trás de sua viagem aos EUA.



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