Mas, oficialmente, convites não foram enviados para o estadista brasileiro que foi chamado pelo futuro homólogo de “comunista, ladrão e corrupto“. Lula pode estar aguardando um pedido de desculpas
Na noite de ontem, quarta-feira (22/11), o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, disse que se o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quiser comparecer à sua posse, ele “será bem recebido“.
“Se Lula quiser vir, será bem recebido. Ele é o presidente do Brasil“, disse Milei em fala informal registrada em entrevista a um programa de TV de seu país, o que não representa um convite oficial ao estadista brasileiro.
A declaração ocorre após o futuro chefe do Estado vizinho convidar o ex-presidente derrotado para Lula em 2022 e duas vezes declarado inelegível, Jair Bolsonaro (PL), que já prepara comitiva para participar da cerimônia, marcada para 10 de dezembro.
Os convites não foram enviados para Lula, que foi chamado pelo futuro homólogo de “comunista, ladrão e corrupto” e, por esse motivo, tende a não viajar a Buenos Aires antes de um pedido de desculpas.
Na segunda-feira (20/11), o ministro da SECOM (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Paulo Pimenta (PT-RS), disse, em fala recordada e transcrita pelo ‘Globo‘, que Lula só deveria conversar com o presidente eleito “se ele ligar para se desculpar“. Por sua vez, Lula desejou “boa sorte e êxito ao novo governo“, sem citar o nome do de Milei.
O assessor do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, defendeu que o Brasil adote uma “relação de Estado” com a Argentina diante da vitória de Javier Milei e também indicou que Lula não deve comparecer à posse:
“Do que eu conheço do presidente Lula, acho difícil que ele vá, porque foi ofendido pessoalmente, mas o Estado brasileiro estará representado“, opinou.
O embaixador brasileiro no país vizinho, Júlio Bitelli, disse que a decisão do presidente eleito de convidar Bolsonaro e vários membros de sua família “não é um gesto que vá no bom sentido“:
“É um elemento a mais que tem de ser levado em consideração. Há uma série de gestos que seriam importantes, gestos que poderiam facilitar ou dificultar uma decisão do governo brasileiro a respeito do nível de participação na posse do novo governo argentino.
Haverá uma delegação oficial brasileira, e a composição dessa delegação será uma decisão que virá do presidente Lula“, declarou em entrevista ao jornal.
Mais cedo, ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ligou para Milei para parabenizar o argentino e discutir sobre a importância de “continuar a construir a sólida relação bilateral“, disse a Casa Branca. O presidente eleito na Argentina aproveitou para convidar o norte-americano para sua posse e ele respondeu que não vai.
Também ontem, o presidente do Chile, Gabriel Boric, confirmou a presença no evento e o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, de centro-direita, também já aceitou o convite para ir à posse na Casa Rosada.
Outros líderes de direita da América Latina confirmaram a participação na posse: são eles Santiago Peña, presidente do Paraguai, e o salvadorenho, Nayib Bukele, um dos primeiros convidados por Milei para assistir à cerimônia.



