O jornalão usou “tentativa tosca de retaliação” após sua crítica sobre o caso da “dama do tráfico”, publicada para atacar o Ministro da Justiça, Flávio Dino
“VEJAM QUE HISTÓRIA CURIOSA – Depois que eu publiquei minha avaliação sobre esse caso da “Dama do Tráfico do Amazonas”, um dos repórteres do Estadão, que assinou a primeira reportagem do caso, pediu à TV Brasil detalhes sobre meus salário. Chama atenção que Tácio Lorran (@taciolorran) reaja a uma crítica pontual a seu trabalho – que fiz de forma aberta, sem pessoalizar – com o que, me parece, uma tentativa tosca de retaliação, pra ficar em termos republicanos“, escreve Leandro Demori, em sua conta no ‘X’, nesta quinta-feira (16/11).
O jornalista investigativo se popularizou no site ‘The Intercept Brasil’ ao divulgar a série Vaza Jato, que continha publicações das conversas, no aplicativo de mensagens ‘Telegram‘, que haviam sido hackeadas por Walter Delgatti Neto, entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz parcial Sergio Moro, hoje senador após ter servido como ministro da Justiça do inelegível Jair Bolsonaro (PL).
Na tarde de ontem, Leandro Demori disse, em outra postagem na plataforma, que “é impressionante como a necessidade de manter essa história viva vai entortando fatos importantes“. O jornalista está conseguindo tirar toda a credibilidade, se é que existia alguma, da matéria do jornalão, curiosamente famoso por atuar em paralelo com aqueles que veem o Estado Democrático como um desafeto.
O jornalista mostrou que, “nas primeiras matérias, dizia-se que Luciane Barbosa Faria era condenada por tráfico. Nenhum veículo deu a data de condenação. Por que? Não sei, mas eu fui atrás porque é o mínimo que é preciso saber. Falei sobre isso no Desperta ICL: quando visitou os ministérios (e a Câmara e o CNJ, curiosamente poupados do fogo maior) ela não era condenada. As visitas foram em março e maio. A condenação só viria no mês passado“, explicou.
“Portanto, nenhum tipo de controle barraria a pessoa naquele momento porque, para além de não ser condenada, ela tinha sido inocentada pela Justiça por falta de provas (ver print da sentença)“, escreveu na quarta-feira.

“Superado esse ‘pequeno detalhe’, notem que a matéria da Folha hoje já não fala mais que ela é condenada. A palavra sumiu da cobertura. Agora o “crime” da pessoa é ser esposa de bandido”, argumenta Demori sobre a publicação no jornal ‘Folha de S. Paulo‘, que se referiu a ela, em ao menos duas matérias, como “esposa de líder do CV“.
“Nesse ponto, a cobertura assume um tom moralista, já que condenação judicial não havia. Por essa lógica, parentes de cidadãos que cometem crimes são párias e não podem ter acesso à coisa pública”, prosseguiu Demori, na publicação de ontem, antes de concluir:
“Do meu ponto de vista, esse caso, alardeado como está sendo, é um completo vazio. A defesa de Luciane Barbosa Faria é problema dela. Caso envolvida com o tráfico, que pague a pena devida. O ponto aqui é bem outro”.
A “tentativa de retaliação tosca”
Nesta quinta-feira, o jornalista expôs que o Estadão o está tentando intimidar: “Qual o interesse na minha remuneração? Isso é pauta? Então vamos lá: antes de mais nada, essa informação é pública e está acessível a qualquer cidadão desde o dia 1 do contrato. Isso não só é uma exigência legal como eu fiz questão de ressaltar a importância de tornar essa informação acessível. Porque, além de tudo, eu sabia que a extrema direita tentaria usar isso pra me atacar, como fizeram com a Vera Magalhães no passado, em relação a seu salário no Roda Viva. No meu caso, bem, não só a extrema direita, como se percebe. Pra facilitar, vamos às informações:
Fui contratado em setembro para apresentar, toda terça-feira, 22h, o programa da TV Brasil, Dando a Real com Demori. O valor mensal do contrato gira em torno de R$ 36 mil. ISSO É O MEU “SALÁRIO”? Não. Isso é o valor do contrato que inclui pagamentos que cabem a mim: hospedagem e passagem (não vivo em Brasília e tenho ido quase toda a semana para a capital, ficando de três a quatro dias por viagem), traslado, alimentação, impostos, vestuário e custos administrativos. Ou seja: a minha remuneração, de fato, é muito inferior a isso, estando totalmente em linha com o mercado (há, evidentemente, apresentadores que ganham muito mais que isso).
Se houver contratempos, como já houve (convidados remarcando datas, por exemplo), o custo de remarcação de passagens e hospedagem é inteiramente meu. No limite, se o contrato de prejuízo, o problema é inteiramente meu. Meu programa estreou em 26/09 com a participação do ministro do STF, Gilmar Mendes. Já recebi Roger Waters, Erika Hilton, Michel Melamed, Jandira Feghali, Silvio Almeida, Camila Jara, Alexandre Coimbra Amaral entre outras personalidades.
Todas essas pessoas atenderam gentilmente aos meus convites pessoais. Cabe ao público avaliar se estou entregando ou não um programa de alto nível. Todas essas informações, como eu disse, são públicas.
Por que motivos o jornal @Estadao está permitindo esse tipo de procedimento? É assim que um repórter do jornal lida com críticas? Eu comecei minha carreira no interior do Brasil em meados dos anos 1990. Achei que esse modus operandi tinha ficado no passado – vi muito disso ao longo da vida. Aparentemente há um jovem repórter se inspirando em velhas práticas – sob a guarda de seus editores. Se acham que vão me intimidar, entrem na fila.



