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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
A criptomoeda por si só não permitirá que a Federação Russa contorne todas as sanções que estão sendo impostas como punição a Moscou pela invasão da Ucrânia
Liderado por EUA, o Reino Unido, a União Europeia e o Canadá anunciaram, nesta segunda-feira (28/2), novas sanções à Moscou como punição pela ação de Putin na Ucrânia. O foco, desta vez, foi o banco central da Rússia e o Fundo Nacional de Riqueza do país. O Departamento do Tesouro dos EUA limitou o uso, pelo presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, de US$ 630 bilhões do país em reservas estrangeiras.
No dia anterior, EUA e aliados cortaram alguns bancos russos da SWIFT (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais), que é a sociedade cooperativa internacional que canaliza a comunicação global entre seus participantes e padroniza transações financeiras internacionais, com o alcance de trilhões de dólares.
Ontem, o rublo, moeda russa, teve baixa histórica, o que fez o banco central elevar sua taxa de juros para 20% e a bolsa de valores permaneceu fechada.
Para que sanções sejam aplicadas, as transações precisam ser rastreadas, normalmente por meio do sistema bancário. No caso do Irã e da Coreia do Norte, os dois países usaram criptomoedas para contorná-las, evitando sanções ao esconder riquezas, mas no caso da Rússia, especialistas disseram ao jornal Al Jazeera que é diferente, pois o país não consegue manobrar devido à escala do golpe econômico e sua adoção limitada de moedas digitais.
Ao contrário da Coreia do Norte, Venezuela e Irã, a Rússia está profundamente enraizada no sistema financeiro global há décadas. Oitenta por cento de suas transações diárias de câmbio e metade de seu comércio internacional são realizados em dólares. É muito difícil mover grandes quantidades de criptomoedas e convertê-las em moeda utilizável. A Rússia não pode usar criptomoedas para substituir as centenas de bilhões de dólares que podem ser potencialmente bloqueados ou congelados.
Medidas também estão em vigor para impedir a evasão de sanções via criptomoeda. Trocas de criptomoedas são postadas em um livro blockchain, onde cada transação e o endereço associado a ela são visíveis ao público. E embora os governos sancionadores não possam saber quem é o proprietário do endereço que envia a criptomoeda, eles podem ver o volume do fluxo, a quantidade de dinheiro que é movida. Depois que um endereço suspeito é sinalizado, esses fundos podem ser monitorados.
Petróleo e gás são um setor da economia da Rússia que não foi alvo das sanções, embora empresas como Shell e BP tenham anunciado que estão retirando seus negócios do país. A Rússia é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, com cerca de 25% direcionados à Europa. O país também fornece cerca de 40% do gás natural à Região.
Se as sanções futuras atingirem o setor de energia, Moscou poderia imitar Teerã usando energia excedente ou poder de computação para gerar criptomoeda. A mineração de criptomoedas permite que eles monetizem suas reservas de energia no mercado global, sem precisar movê-las para fora do país. Mas isso provavelmente seria apenas uma gota no balde para uma grande potência exportadora de petróleo e gás como a Rússia.
No momento, as sanções sobre petróleo e gás parecem improváveis. Uma interrupção no fornecimento de até 5 milhões de barris por dia de petróleo russo não apenas aprofundaria a já frágil crise de energia global, como também seria interpretada pela Rússia como um ato de guerra.
O Departamento do Tesouro dos EUA alertou recentemente que moedas digitais e plataformas alternativas de pagamento podem prejudicar a eficácia das sanções dos EUA. A plataforma de dados blockchain Chainalysis mostra que cerca de 74% da receita de ransomware em 2021 – mais de US$ 400 milhões em criptomoedas – foi para entidades com alta probabilidade de serem afiliadas à Rússia de alguma forma.
Novas tecnologias permitiram que atores mal-intencionados retenham e transfiram dinheiro fora do sistema financeiro tradicional baseado em dólar enquanto capacitam adversários que buscam construir novos sistemas financeiros e de pagamentos destinados a diminuir o papel global do dólar.
Embora as sanções contra a Rússia sejam projetadas para pressionar Moscou, elas podem acelerar a chegada da nova ordem financeira sobre a qual os EUA alertaram. A Rússia ser expulsa do SWIFT e perder o acesso às suas reservas acelerará a desdolarização do comércio.
