Sâmia Bomfim e Flávio Bolsonaro (imagens reprodução de vídeo) com ministros do STF (Foto: Gustavo Sampaio / STF) ao fundo
| Brasília (DF)
14 de maio de 2026
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou, nesta quarta-feira (13/mai), ofício ao ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, solicitando a análise urgente de prisão preventiva e medidas cautelares contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A ação baseia-se em áudios e documentos publicados com exclusividade pelo The Intercept Brasil, que revelam negociação direta entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro cobrou o repasse de até 24 milhões de dólares — o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época — para a produção do longa.
Documentos mostram que pelo menos 10,6 milhões de dólares (R$ 61 milhões) foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Um áudio enviado em 8 de setembro de 2025 registra o senador alertando para o risco de “dar calote” em atores como Jim Caviezel e no diretor Cyrus Nowrasteh.
Em mensagem de 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
Sâmia Bomfim requer que o STF junte a reportagem aos autos da Operação Compliance Zero, remeta os fatos à Procuradoria-Geral da República para investigação específica e determine diligências para preservação de provas, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal.
Em caráter sucessivo, a deputada pede avaliação de prisão preventiva caso surjam indícios de risco de destruição de provas, coação de testemunhas ou obstrução das investigações.
O caso ganha contornos ainda mais graves porque Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, acusado de comandar fraudes que geraram rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos.
A intimidade revelada nos diálogos — com ambos se tratando por “irmão” — contrasta com a negativa anterior de Flávio Bolsonaro de qualquer vínculo pessoal com o banqueiro.
Parlamentares de diferentes legendas da oposição reforçaram o pedido. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou que protocolará na Polícia Federal solicitação de prisão preventiva do senador, afirmando que “há indícios de financiamento milionário e relação íntima”.
A bancada da federação PSOL/Rede, por meio de Henrique Vieira e Tarcísio Motta, protocolou representações à PGR e à PF para apurar o envolvimento de Flávio Bolsonaro, aliados da família e operadores financeiros ligados ao esquema do Banco Master.
Em nota, Flávio Bolsonaro reconheceu a autenticidade do áudio, mas classificou o contato como “patrocínio privado legítimo” para um filme sem recursos públicos ou uso da Lei Rouanet.
O senador afirmou ter conhecido Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando não havia acusações públicas contra o banqueiro, e que o diálogo foi retomado apenas por atrasos nos pagamentos.
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FAQ Rápido
1. O que exatamente Sâmia Bomfim pediu ao STF?
Prisão preventiva, quebra de sigilos bancário e fiscal, diligências para preservação de provas e remessa dos fatos à PGR para investigação específica contra Flávio Bolsonaro.
2. Qual o valor negociado com Vorcaro?
Até 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões), com pelo menos R$ 61 milhões já pagos para o filme Dark Horse.
3. Flávio Bolsonaro nega irregularidades?
Sim. Ele confirma o áudio, mas afirma tratar-se de patrocínio privado sem contrapartida ou dinheiro público.
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