Deputado alerta para rombo fiscal de R$ 35 bilhões no orçamento e convoca organizadores para mobilização nas ruas contra a articulação que ameaça estabilidade econômica nacional em ano pré-eleitoral
Brasília, 08 de outubro de 2025
Eles querem SABOTAR o BRASIL a todo custo, para beneficiar o agro e grandes empresários. O que eles estão fazendo é uma irresponsabilidade, um golpe direto no povo! Vamos nos mobilizar nas redes: TAXAÇÃO BBB JÁ! pic.twitter.com/HL5t9cEciG
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) October 8, 2025
Em um dia crucial para as contas públicas do país, a Câmara dos Deputados vive horas de tensão com a votação da Medida Provisória 1.303/2025, alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) derrubado pelo Congresso em maio.
Editada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em junho, a MP visa taxar setores como agronegócio, bets e aplicações financeiras isentas — como LCIs e LCAs —, prevendo arrecadação de R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 20 bilhões em 2026.
Hoje, 8 de outubro, é o último prazo para aprovação; caso caduque, o impacto pode chegar a R$ 35 bilhões em rombo fiscal, forçando cortes em programas sociais ou bloqueios de emendas parlamentares.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), não poupou críticas em vídeo postado no X (antigo Twitter) nesta terça-feira, acusando o Centrão de armar uma “sabotagem contra o Brasil”.
“Eles estão querendo derrubar uma medida provisória do governo, que é uma medida provisória que taxava vários setores econômicos, tinha tributação. Eles estão querendo derrubar”, disparou Farias, destacando que o movimento não visa o governo Lula, mas o equilíbrio econômico nacional.
Segundo ele, o impacto de R$ 35 bilhões no próximo ano seria um “tiro no pé” para o Congresso, ecoando o método do Eduardo Cunha — referência à era de pautas-bomba que paralisaram o país em 2015.
A articulação, segundo o deputado, conta com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o líder do PP, Ciro Nogueira, e o líder do União Brasil.
O setor agro, que negociou isenções parciais no texto do relator Carlos Zarattini (PT-SP), ainda pressiona pela derrubada total.
“Mesmo assim, eles querem derrubar. Porque o que querem aqui é tentar criar dificuldades na economia, criar um rombo fiscal”, alertou Farias, apontando uma antecipação do calendário eleitoral de 2026 para desgastar o Executivo.
O governo, representado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinaliza saídas: medidas unilaterais via decreto, como taxações mais duras sobre os setores envolvidos, ou congelamentos adicionais no Orçamento.
“O governo tem instrumentos. Se essa turma dos lobbies está achando que vai se safar, pelo contrário: a situação pode ficar pior”, rebateu Farias.
O relator Zarattini endossou: setores que rejeitaram o acordo atual podem enfrentar retaliações piores, como fim de isenções para créditos rurais.
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Essa não é a primeira batalha fiscal este ano. A MP surgiu após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar parte do decreto do IOF por inconstitucionalidade, gerando perda de R$ 12 bilhões só em 2025.
Concessões já foram feitas — como manutenção de isenções para o agro e elevação gradual da alíquota sobre bets de 15% para 18% —, mas o Centrão resiste, priorizando interesses setoriais sobre a meta fiscal zero-deficit.
Analistas veem nisso uma repetição de 2024, quando a isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil — vitória recente do governo, impulsionada por mobilizações como a de 21 de setembro — demandou compensações árduas.
Lindbergh Farias clama por mobilização popular nas redes: “Eu chamo a atenção de deputados aqui nesse momento. Esse é um erro gigantesco. Nós vamos resistir aqui pessoal, é importante vocês estarem atentos e mobilizados”.
Com o plenário convocado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação pode ocorrer a qualquer momento.
Um “não” à MP não derruba o governo, mas agrava a crise: menos recursos para saúde, educação e Bolsa Família em um ano de chuvas intensas no Sul e recuperação pós-pandemia.
O episódio expõe as fissuras no pacto federativo. Enquanto Tarcísio de Freitas é acusado de ligar diretamente a parlamentares para boicotar a medida — um “movimento covarde”, nas palavras do petista —, o Senado, sob Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), monitora o desfecho para endosso.
Se aprovada, a MP avança para análise final; se rejeitada, o Brasil acorda amanhã com um buraco nas contas que ecoará até 2026.
Pontos Chave da MP da Taxação BBB
A MP da taxação BBB é um conjunto de medidas que visa aumentar a arrecadação em setores com regimes tributários considerados “privilegiados” ou insuficientes. Entre as principais ações estão:
| Setor | Mudança Principal (Projeção) |
| Bancos (e grandes empresas) | Aumento do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), elevando a alíquota de 15% para 18% (R$ 4,9 bilhões em 2026). |
| Bets (Apostas Esportivas) | Taxação sobre o faturamento líquido das casas de apostas (R$ 1,7 bilhão em 2026). |
| Bilionários (e Investimentos) | Endurecimento das regras de compensação tributária e do fim de isenções para títulos privados incentivados (como LCIs/LCAs, CRIs/CRAs), o que impacta grandes investidores (total de R$ 12,6 bilhões em 2026, incluindo outras regras de ativos). |
| Outros | Taxação de ativos digitais (como criptomoedas) e reajuste sobre fintechs. |







