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Sabesp recorre a água de esgoto tratada em meio a crise hídrica e críticas por privatização

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    O governador
    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, bate sete vezes o martelo e quase quebra símbolo da B3 ao encerrar leilão do Rodoanel Norte | 15.3.2023| Imagem reprodução | Ao fundo, a fachada da Sabesp / Foto Bloomberg


    Reúso de efluentes surge como solução para escassez na Grande São Paulo, mas falhas no abastecimento pós-privatização intensificam desconfiança sobre gestão



    Brasília, 06 de outubro 2025

    Com reservatórios em níveis críticos, a Sabesp, agora sob controle do Grupo Equatorial após a privatização de 2024, planeja injetar água de esgoto tratada nos rios que abastecem 22 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.

    O projeto, que promete até 2.800 litros por segundo para mananciais como o rio Taiaçupeba e o rio Cotia, é uma resposta à escassez hídrica que levou o Sistema Cantareira a míseros 31% de capacidade, pior marca desde a crise de 2014.

    Contudo, a iniciativa chega em um contexto de críticas crescentes: desde a venda da companhia, relatos de interrupções no fornecimento e aumento de tarifas alimentam debates sobre os rumos do saneamento no estado.

    O plano de recarga de mananciais prevê tratar efluentes em estações como Suzano (800 l/s) e Barueri (2.000 l/s), retornando água de alta qualidade aos rios para posterior captação e tratamento.

    Isso representa 4% do consumo diário da região (70 mil l/s), vital em um estado com disponibilidade hídrica de apenas 10% do recomendado pela ONU.

    “A gente precisa fazer a água girar dentro da bacia do Alto Tietê, de forma circular”, declarou Roberval Tavares, diretor de engenharia da Sabesp, à Folha de S. Paulo.

    Estudos, sob análise da SP Águas e CETESB, devem concluir em março de 2026, com obras até dezembro.

    Globalmente, o reúso não é novo: San Diego e Barcelona recarregam aquíferos, enquanto o Aquapolo, em Santo André, atende indústrias desde 2012.

    Mas o estigma persiste. “Há preconceito, mas os processos são rigorosos”, afirma Alceu Guérios Bittencourt, da Abes, ao jornal.

    A Sabesp também avança com o ALTABAS, em parceria com a Poli-USP, para produzir água potável direta de esgoto na ETE ABC, um teste para crises futuras.

    A privatização, porém, lançou uma sombra sobre essas inovações. Finalizada em julho de 2024 por R$ 14,7 bilhões, com o estado reduzindo sua fatia de 50% para 18%, a venda da Sabesp prometia eficiência e investimentos de R$ 70 bilhões até 2029.

    A parceria com a Ambipar, anunciada pela CNN Brasil, escalou o reúso industrial, e R$ 625 milhões foram destinados à resiliência hídrica em 2025.

    Contudo, falhas no abastecimento dispararam. Em A Nova Democracia, registra-se que 150 mil moradores do Guarujá enfrentaram falta d’água em 2025, com interrupções de até 10 dias.

    Em Osasco, relatos de torneiras secas por 72 horas em bairros como Jardim Veloso se multiplicaram, segundo o O Globo.

    No X, usuários como @sp_semagua denunciam: “Privatizaram e agora cobram mais caro por menos água.”

    Sindicatos como o Sintaema acusam a gestão privada de demitir 1.200 funcionários, comprometendo a manutenção de redes.

    René Vicente, presidente do sindicato, afirmou: “A prioridade é o lucro, não o serviço. Estamos vendo rodízios disfarçados em várias cidades.”

    Tarifas também subiram 6,4% acima da inflação em 2025, conforme a Arsesp, gerando revolta em periferias como Capão Redondo.

    Marcel Sanches, da Sabesp, insiste que o reúso é um “esforço coletivo” para “quebrar mitos e garantir água”, segundo a Metrópoles.

    Débora Longo, diretora de Operação, descarta racionamento, mas admite um cenário de “alerta máximo”.

    O governador Tarcísio de Freitas, que liderou a privatização, enfrenta pressão às vésperas de 2026.

    No X, @EcoSP2025 resume: “Água de esgoto para salvar SP? Só se salvarem primeiro o povo da má gestão.”

    O reúso pode ser uma tábua de salvação contra a seca, mas os problemas pós-privatização – de torneiras secas a contas mais altas – sugerem que a água circular da Sabesp ainda precisa convencer São Paulo de que a gestão privada entrega mais que promessas.



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