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Aprovação histórica em risco: veto do Senado pode paralisar governo e humilhar Lula no STF

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    O Presidente
    O Presidente Lula e o AGU Jorge Messias / Foto: Wilton Junior/Estadão


    Entenda a guerra política entre Davi Alcolumbre e o Palácio do Planalto, e o papel decisivo do voto secreto evangélico na sabatina de Jorge Messias



    Brasília, 01 de dezembro 2025

    A indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União (AGU), ao STF (Supremo Tribunal Federal) enfrenta um momento de intensa disputa e tensão crescente entre o Senado Federal e o governo.

    A análise da indicação está marcada para 10 de dezembro, após a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

    Segundo a análise de Iuri Pitta, no CNN Prime Time, Messias fica no meio de um fogo cruzado após as manifestações públicas de ambos os lados no domingo (30/nov).

    Para ser aprovado, o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa de um mínimo de 41 votos favoráveis no plenário.

    O Fogo Cruzado Político e Acusações Veladas

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), divulgou uma nota acusando o governo de tentar interferir no processo de aprovação de Messias.

    Em resposta, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) afirmou que o governo jamais consideraria rebaixar a relação institucional com o presidente do Senado a qualquer espécie de “fisiologismo” ou negociações de cargos e emendas.

    As duas partes trocam acusações veladas de “fisiologismo“. Enquanto Alcolumbre se defende de supostas negociações de cargos para facilitar a aprovação, aliados do senador apontam que o Palácio do Planalto busca ganhar tempo para viabilizar apoios por meio de negociações políticas.

    O Planalto tentou esfriar a crise com o Congresso após a carta de Alcolumbre e reforçou que o senador nunca negociou cargos em troca de vaga no STF.

    Messias está correndo contra o tempo para fazer sua campanha junto aos senadores. Ele tem tentado um encontro com Alcolumbre, mas ainda não foi correspondido. Alcolumbre queria que Rodrigo Pacheco (PSD-MG) fosse o escolhido de Lula para a vaga.

    A Estratégia do Tempo e a Sabatina Acelerada

    O Palácio do Planalto ainda não enviou formalmente a indicação de Messias ao Senado, o que foi interpretado nos bastidores como uma tentativa de atrasar o processo e forçar o adiamento da sabatina.

    No entanto, Alcolumbre mudou sua estratégia em relação ao passado e marcou a sabatina para 10 de dezembro, concedendo pouco tempo para que o indicado consolide alianças.

    A leitura da mensagem de indicação já foi definida para a quarta-feira (03/dez), e Alcolumbre sinalizou que dará continuidade à votação, pois a publicação da indicação no Diário Oficial legitima a sabatina.

    Apesar disso, o presidente Lula estaria disposto a entregar o documento pessoalmente a Alcolumbre em um gesto de pacificação, segundo O Globo.

    O Voto Evangélico Silencioso e a “Guerra dos Números”

    Aliados de Messias acreditam que um apoio silencioso da bancada evangélica poderá ser determinante para viabilizar sua aprovação. A representação evangélica no Senado cresceu significativamente, passando de 7 para 13 parlamentares entre 2018 e 2022, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

    O voto é secreto, o que cria um ambiente propício para dissidências, longe do escrutínio dos eleitores bolsonaristas e da pressão de Alcolumbre.

    Senadores evangélicos, inclusive figuras alinhadas ao bolsonarismo, tendem a votar a favor de Messias, mesmo que dificilmente admitam essa posição publicamente.

    A cautela é alta, pois os senadores não podem declarar apoio para o Messias para não se queimar com os seus eleitores bolsonaristas nem se indispor com Davi.

    As projeções internas dos aliados de Messias preveem um placar apertado, entre 45 e 48 votos. Contudo, o grupo articulado por Davi Alcolumbre trabalha com uma projeção bem menos otimista, alegando que Messias teria apenas entre 28 e 31 votos firmes.

    Apesar do esforço da senadora evangélica Eliziane Gama (PSD-MA), setores conservadores identificam Messias como um nome ligado ao PT e a Lula, e não como um representante de valores religiosos.

    Um senador bolsonarista sintetizou essa visão, afirmando que o “rótulo de evangélico não cola” e que as condutas de Messias demonstram alinhamento ideológico não religioso.

    Os Cabos Eleitorais do STF e as Pautas Conservadoras

    Um dos principais articuladores pró-Messias entre os evangélicos é o ministro do STF André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL) em 2021. Messias é membro da Igreja Batista, e Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana. Ambos chefiaram a AGU e enfrentaram resistências comandadas por Alcolumbre.

    No caso de Mendonça, Alcolumbre (na época presidente da CCJ) adiou sua sabatina por mais de quatro meses, tentando substituí-lo por Augusto Aras.

    Além de Mendonça, o ministro Kassio Nunes Marques — também indicado por Bolsonaro e com forte interlocução conservadora — atua na busca de apoio para Messias.

    Líderes evangélicos apostam que a chegada de Messias ao STF ajude a reforçar um bloco conservador, mais resistente ao avanço de pautas progressistas.

    Estão em disputa temas estratégicos no STF, como aborto, união homoafetiva, pesquisas com células-tronco, ideologia de gênero e a participação de crianças em eventos LGBTQIA+.

    Aliados conservadores identificam Messias como alinhado a uma ala resistente à interferência do Poder Judiciário em competências do Congresso, que incluiria Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e Mendonça.

    O Risco Histórico e o Recado Institucional

    A rejeição de Messias seria um evento histórico: a primeira vez em 131 anos que uma indicação presidencial ao STF é reprovada.

    A última ocorrência foi em 1894, quando o presidente Floriano Peixoto teve cinco indicações rejeitadas, incluindo a de Barata Ribeiro.

    Para o cientista político Murilo Medeiros, a reprovação seria interpretada como uma derrota imperativa do governo no Senado e um recado institucional contundente.

    A mensagem seria a de que é preciso recompor os limites entre os Poderes e conter a crescente percepção de alinhamento político entre o Palácio do Planalto e o STF.

    A cientista política Letícia Mendes concorda, avaliando que a rejeição concretizaria o tensionamento entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional, demonstrando sinal de fraqueza do Planalto.

    Ao exercer seu poder de veto, o Senado estaria reafirmando seu papel constitucional de contrapeso e guardião do equilíbrio entre os Poderes, em vez de mero carimbador da indicação.

    A rejeição, para o país, reforçaria que as instituições estão funcionando e fortalece ainda mais a independência do Legislativo e do Judiciário.

    A decisão deve elevar o custo político para o Executivo na condução de pautas no Congresso, inclusive orçamentárias.

    Além disso, impactaria o ambiente de pré-eleição para 2026, afastando legendas de centro do arco de apoio à reeleição de Lula.

    O Congresso pode enxergar este momento como uma oportunidade para acionar mecanismos de moedas de troca e ampliar interesses eleitorais e institucionais.

    A pressão política atual sobre a indicação de um ministro ao STF funciona como uma balança de precisão num cabo de guerra: de um lado, a força institucional histórica do Executivo; do outro, a crescente autonomia e poder de barganha do Legislativo, onde cada voto secreto na bancada evangélica pode ser o fiel que define quem terá de ceder, reescrevendo as regras não ditas da relação entre os Poderes no Brasil.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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