Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Rússia e Venezuela unem forças contra sanções dos EUA: aliança estratégica desafia hegemonia

    Clickable caption
    Maduro e Putin
    Maduro e Putin no Kremlin Foto Sergei Bobylev, RIA Novosti


    Em um cenário geopolítico tenso, Moscou reforça laços com Caracas para mitigar impactos econômicos e promover soberania regional, abrindo caminhos para cooperação global



    Caracas e Moscou, 14 de outubro de 2025

    Em meio a uma escalada de tensões internacionais, a Rússia consolida seu respaldo inabalável à Venezuela, posicionando-se como escudo contra as medidas coercitivas unilaterais impostas pelos Estados Unidos.

    Essa parceria ganha contornos ainda mais robustos com a recente ratificação de um tratado de associação estratégica, uma resposta calculada a anos de bloqueios econômicos que, segundo fontes oficiais de ambos os países, visam desestabilizar governos soberanos e impor uma ordem unipolar ao mundo.

    O epicentro dessa dinâmica ocorreu em setembro, quando a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou, em segunda discussão, o acordo bilateral com a Federação Russa.

    O documento, assinado pelos presidentes Vladímir Putin e Nicolás Maduro, abrange esferas como defesa, comércio, energia e tecnologia, com ênfase explícita na oposição a sanções unilaterais de caráter extraterritorial.

    “É a expressão de uma hermandad entre povos que rejeitam a imposição externa”, declarou a presidente da Assembleia, Ilenia Medina, durante a sessão em Caracas.

    De acordo com o texto do tratado, publicado pelo Kremlin, as nações se comprometem a fomentar uma infraestrutura financeira independente e a combater o neocolonialismo na América Latina, incluindo denúncias ao racismo e à glorificação do nazismo.

    Do lado russo, o chanceler Serguéi Lavrov reiterou, em recente pronunciamento, que Venezuela é um dos sócios mais fiéis de Moscou.

    Em entrevista ao RIA Novosti, Lavrov destacou os esforços conjuntos para reduzir a dependência de economias ocidentais, especialmente após as mais de 900 sanções impostas a Caracas pelos EUA.

    “Faremos tudo o possível para que a economia venezuelana dependa cada vez menos dos caprichos geopolíticos de Washington”, afirmou ele, ecoando uma linha de apoio que remonta a 2017, quando a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, María Zajárova, qualificou as restrições americanas como impregnadas de cinismo em reportagem da RT.

    Na perspectiva venezuelana, a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez enfatizou o impacto mútuo das sanções.

    Em intervenção no Fórum Internacional de São Petersburgo, transmitida pela teleSUR, ela comparou as mais de 30 mil medidas contra a Rússia às 947 impostas à Venezuela, argumentando que ambos os bloqueios revelam a fragilidade de uma política de pressão que fere o direito internacional.

    “Essas ações criminosas unem-nos em caminhos próprios, estáveis e soberanos”, disse Rodríguez, citando avanços em cooperação energética que beneficiaram pelo menos 20 setores econômicos, conforme reunião da Comissão Intergovernamental de Alto Nível (CIAN) em Caracas.

    Essa aliança não se limita a retórica. Exercícios militares conjuntos no Mar do Caribe e investimentos russos em campos petrolíferos como os da PDVSA demonstram pragmatismo.

    O embaixador russo em Venezuela, Sergey Mélik-Bagdasárov, reforçou essa visão em nota oficial do Governo Bolivariano: “Estamos contra as medidas coercitivas unilaterais de Washington; queremos um mundo de paz, multipolar e pluricêntrico”.

    Tal posicionamento ganha relevância em um contexto onde os EUA, sob pressão interna, mantêm ameaças veladas, incluindo exercícios navais próximos às costas venezuelanas, como denunciado por Zajárova em agosto à RT.

    Analistas observam que essa frente russo-venezuelana inspira outros atores regionais, como membros da CELAC e ALBA-TCP, a questionar a legitimidade das sanções.

    “É uma jogada inteligente: transforma vítimas em protagonistas de uma narrativa multipolar”, comenta um observador em Moscou.

    No entanto, desafios persistem, como a volatilidade dos preços do petróleo e a necessidade de diversificar exportações.

    Para Maduro, que se reuniu com Putin em Moscou no último mês, o foco é claro: normalizar relações com todos, sem condições políticas impostas.

    Essa parceria, portanto, transcende a defesa mútua: sinaliza o declínio de uma era de intervenções unilaterais, pavimentando um futuro onde América Latina e Eurásia dialogam em igualdade.

    Resta saber se Washington ajustará sua estratégia ou dobrará a aposta – o tabuleiro global, por ora, favorece os resilientes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading