Rússia registra vacina contra covid-19 e Paraná deve fechar acordo para produção

11/08/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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Assessoria de imprensa do Ministério da Saúde russo divulgou imagem da droga registrada nesta terça (11). Governo do Paraná sai na frente e anuncia acordo

Última atualização em 11/08/2020 – 18:25GMT

A Rússia anunciou que registrou nesta terça-feira (11) o que diz ser a primeira vacina do mundo contra a covid-19, além de divulgar a imagem da droga através de seu Ministério da Saúde. De acordo com o governo russo, o lançamento em massa está previsto para 1º de janeiro de 2021. No Brasil, o Estado do Paraná anunciou que produzirá a vacina e as negociações estão em andamento.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a vacina, batizada de “Sputnik 5”, em homenagem ao satélite soviético, apresentou alta eficiência e segurança e, conforme havia anunciado há alguns dias atrás, cumpriu a promessa de realizar o registro.

O anúncio do líder da Rússia foi apresentado durante uma reunião com o governo, quando também afirmou que uma de suas filhas foi vacinada e passa bem:

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“Pelo que eu sei, esta manhã uma vacina contra o novo coronavírus foi registrada pela primeira vez no mundo. Eu sei que ela funciona com bastante eficácia, forma uma imunidade estável e, repito, passou em todos os testes necessários”

Depois da primeira dose, a temperatura dela era 38ºC, no dia seguinte era 37ºC, menor. É isso. Depois da segunda injeção, a temperatura subiu um pouco e depois se normalizou. Estou otimista quanto aos créditos da droga“, disse Putin.


Vladimir Putin
Presidente da Rússia

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No sábado (8), o diretor do Instituto de Pesquisa N.F. Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia, membro da Academia Russa de Ciências Médicas, Professor Alexander Gintsburg, parabenizou todos os especialistas que trabalharam no desenvolvimento da vacina e declarou:

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“Espero que possamos começar, em um futuro próximo, a produção em massa dessa droga. A administração ao público deve ser feita exclusivamente de forma voluntária. Quem quiser, pode aproveitar os avanços e conquistas dos nossos especialistas”.


Professor Alexander Gintsburg
Diretor do Instituto de Pesquisa N.F. Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia

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A nova vacina russa está prevista para ser produzida no Centro Gamaleya e na empresa Binnopharm. 

Ontem (10) o Serviço Federal de Supervisão da Proteção dos Direitos do Consumidor e Bem-Estar Humano (chamado de Rospotrebnadzor na Rússia) anunciou que confirmou o desenvolvimento de anticorpos que dão imunidade contra o coronavírus. A chefe do departamento, Anna Popova, disse:

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“Realizamos os mesmos estudos feitos há pouco mais de 30 dias nas mesmas pessoas e a proporção de imunidade distendida aumentou para 49,4%. Ou seja, o que dizem os cientistas está confirmado por resultados de pesquisas práticas … quando depois de um certo tempo é produzido a quantidade adequada de anticorpos”, explicou Popova.


Ana Popova
Chefe do ‘Rospotrebnadzor’

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Paraná anuncia acordo para produzir vacina russa

No Brasil, o diretor-presidente do Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), o biólogo Jorge Augusto Callado Afonso, disse, em entrevista concedida hoje à GloboNews, que tratativas para a produção da vacina no Estado estão em fases iniciais e acordo pode ser fechado nesta quarta (12):

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“Estamos numa fase muito inicial dessas tratativas, para que tenha qualquer troca de informações, qualquer reunião mais avançada, é necessária a assinatura do acordo entre o governo do Paraná e a Rússia, que está prevista para acontecer. Estamos num momento de pandemia, possivelmente essas reuniões ocorrerão por videoconferência, quando for muito necessário, atendendo a todos os limites e prudência sanitárias algumas reuniões presenciais, mas o importante é que existe mais uma opção de vacina”


Jorge Augusto Callado Afonso
Diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná

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Clique na imagem para assistir à entrevista:

Apesar do registro da vacina anunciado pelo governo russo a comunidade científica internacional trata o assunto com cautela.

O que a OMS diz

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou, nesta terça (11), que tem acompanhado o progresso da Rússia no desenvolvimento da vacina contra a covid-19.

Tarik Jasarevic, porta-voz da entidade, se mostrou preocupado com a doença no mundo e afirmou que a “pandemia está ameaçando vidas e economias“. Jasarevic acrescentou que a pré-qualificação, pela OMS, de qualquer vacina precisa de revisão e avaliação rigorosas:

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“É vital aplicarmos todas as medidas que sabemos que estão funcionando. Precisamos continuar a investir e acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos seguros e eficazes que nos ajudarão a reduzir a transmissão de doenças no futuro.

Estamos em contato próximo com as autoridades de saúde russas e discussões estão acontecendo com relação a uma possível pré-qualificação da vacina. Assim que os dados essenciais do ensaio clínico estiverem disponíveis, os órgãos reguladores precisam estar prontos para revisá-los com segurança e eficácia antes de usá-los.

Mantemos o esboço do panorama de todas as vacinas candidatas e acompanhamos seu o progresso, que é atualizado todas as semanas em nosso site. A OMS lista 25 na avaliação clínica e 139 em uma avaliação pré-clínica. Nosso programa busca acelerar a pesquisa de uma vacina eficaz para todos os países. Ao mesmo tempo, estamos apoiando a construção de capacidades de manufatura e a compra de suprimentos antecipadamente para que tenhamos doses que possam ser distribuídas de forma equitativa em 2021.

Acelerar o desenvolvimento de vacinas envolve seguir os processos de teste, fabricação e logística. A vacina que a Rússia registrou  deve seguir todos os  procedimentos de pré-qualificação e revisão rigorosa, estabelecidos pela Organização, dos dados de segurança e eficácia obtidos através dos testes. A velocidade com que várias vacinas estão sendo desenvolvidas é encorajadora e esperamos que algumas se mostrem seguras e eficientes depois de passar pelos protocolos e testes correspondentes.

Da mesma forma, quando isso for alcançado, a OMS poderá adquirir doses para distribuição equitativa aos diferentes países”.


Tarik Jasarevic
Porta-voz da OMS

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Anvisa não recebeu pedido para pesquisa ou registro da Sputnik 5

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse que não foi procurada pelo laboratório russo nem recebeu pedidos para autorização de pesquisa ou registro da vacina, apesar do governo da Rússia ter declarado que países da América Latina começam a produzir a vacina em novembro.

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“Até o momento o laboratório russo responsável pelo desenvolvimento da vacina não apresentou nenhum pedido de autorização de protocolo de pesquisa ou de registro da vacina para a Anvisa.

A análise da Anvisa começa a partir da solicitação do laboratório farmacêutico.​ Desta forma, não é possível para a Agência fazer qualquer avaliação ou pronunciamento em relação a segurança e eficácia deste produto antes que tenha acesso a dados oficiais apresentados pelo laboratório.

Desde o início da pandemia, a Agência tem dado prioridade para a avaliação de medicamentos de combate à Covid-19. As solicitações de autorização de estudo clínico tem sido avaliadas em um prazo de 72 horas.

Os medicamentos ou vacinas passam por três etapas: desenvolvimento exploratório, pesquisa pré-clínica, pesquisa clínica (uso em humanos) e registro. Após o registro, a vacina é então monitorada no período pós-mercado”.


Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Nesta terça, o mundo registrou 20.113.592 casos de covid-19 confirmados, com 737.022 mortes e mais de 12 milhões de recuperações. Com 895.691 casos, a Rússia tem o quarto maior número de casos do mundo.

Os dados mais recentes sobre a doença na Rússia e no mundo são apresentados no portal stopkoronavirus.ru

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