Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Rudá Ricci detona o jornalista Pepe Escobar: “Vive de polêmica e de leitores incautos”

    O cientista político diz que ele “é contratado em função do seu passado” e “continua promovendo polêmicas”, como os textos “plagiado” e “inventado”, que lhe renderam demissões, na Folha e no Estadão


    Por Rudá Ricci
    em seu perfil no Twitter

    “Pepe foi jornalista da Folha e escrevia sobre tudo, até sobre a transformaça de purê de batatas em Ruffles. Escrevia à “maneira MTV”: trezentas informações por segundo num esforço enciclopédico. Até que publicou na Ilustrada uma crítica de um disco do David Bowie.

    Dias depois do artigo bombástico, a Ilustrada denunciaria que Pepe havia plagiado o texto de um livro de rock publicado pela revista “Rolling Stone”. O plágio havia sido descoberto por André Singer, que mais tarde seria porta-voz do governo Lula.

    Escobar “justificou o plágio como uma homenagem ao jogo de espelhos do escritor argentino Jorge Luis Borges, hit cult literário da época, que provocava comoção por sua cegueira e pelo precário estado de saúde, que o levou à morte em 1986.”

    Se desejar saber mais sobre este episódio, acesse este link.

    Pepe foi afastado da Folha, mas já havia se envolvido em polêmicas com integrantes das bandas Ira! e Voluntários da Pátria. Mas, as polêmicas foram além. Na revista Bizz foi identificado outro plágio em uma entrevista com Bryan Ferry, ex-líder do Roxy Music.

    No Estadão, segundo o crítico Daniel Piza, Escobar teria inventado uma entrevista com o cineasta Roman Polanski, o que gerou sua demissão. Todas essas situações estão fartamente narradas na internet, de onde retiro parte das informações.

    A partir de 1985 passou a viver no exterior: em Londres, Paris, Milão, Los Angeles, Washington, Bangkok e Hong Kong. No século XXI, concentrou sua atenção no que ocorria na Ásia, nas questões relacionadas ao jogo dos produtores de petróleo, como Rússia e Arábia Saudita.

    Pepe se tornou correspondente do site Asia Times Online. No Afeganistão, entrevistou o líder anti-talibã de Aliança do Norte, Ahmad Shah Massoud, semanas antes do seu assassinato.

    Em duas ocasiões, Pepe foi citado em documentos internos do Departamento de Estado dos EUA que o ligam a um ecossistema de fake news do governo russo de Vladimir Putin, com fortes conexões com a extrema-direita mundial. E aí começou outra fase de polêmicas em sua carreira.

    Foram disseminadas acusações de que Pepe estaria envolvido com uma rede de jornalistas pró-Rússia e anti-Ocidente, tendo como base a amizade com Alexandr Dugin, conselheiro de Putin e líder do delirante movimento Tradicionalista.

    Pepe não nega a amizade com Dugin. O movimento Tradicionalista – ao qual Olavo de Carvalho e Steve Bannon mantinham relações – sugere sabotagens para implantar o caos no Ocidente. No caso de Dugin, o objetivo seria a expansão da cultura oriental e paneslava.

    Pepe se envolveu em outras polêmicas, como as avaliações equivocadas e negacionistas sobre a Covid. Elogiou publicamente o infectologista francês Didier Raoult, defensor do uso da hidroxicloroquina como remédio para a COVID-19.

    Em artigo publicado no Asia Times, Pepe sugeriu que a França estaria “escondendo uma cura barata e testada para o vírus”. Sugeriu que os EUA teriam fabricado o vírus no Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA, em Fort Detrick, Maryland.

    Em texto publicado na rede social Reddit, se encontra uma dura crítica a essa desinformação sobre Covid disseminada por Pepe Escobar.

    O texto sustenta que Pepe teria citado o cientista que, de fato, vende remédio homeopático para tratar qualquer doença e indica o seu site.

    O texto prossegue e afirma que em 27 de março de 2020, Pepe teria publicado artigo em que afirmou que Raoult participou de um experimento clínico no qual a hidroxicloroquina e a azitromicina curaram 90% dos casos de Covid-19.

    O fato é que Didier Raoul, citado por Pepe Escobar, é o mesmo médico que Bolsonaro e bolsonaristas usaram para falar sustentar a eficiência da cloroquina.

    Enfim, Pepe vive de polêmica e de leitores incautos. É um jornalista contratado em função do seu passado. E continua promovendo polêmicas. O problema é que, agora, não trata apenas de músicas”.

    Rudá Guedes Moisés Salerno Ricci, 60, é um cientista político formado em Ciências Sociais pela PUCSP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e mestre em Ciência Política e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

    O texto aqui exposto pode não refletir integral ou parcialmente a opinião do . As informações têm por objetivo levar a público os acontecimentos mais enfáticos divulgados pelas mídias, cabendo os créditos, bem como a responsabilização, a seus respectivos autores. Nosso compromisso é transmitir aos leitores as tendências sobre assuntos em voga no Brasil e no mundo.

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading