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“Roubalheira” no INSS iniciada no governo Bolsonaro coloca-o cada vez mais sob suspeita da CGU

    “Roubalheira” no INSS iniciada no governo Bolsonaro coloca-o cada vez mais sob suspeita da CGU


    Idosa recebe pensão do INSS | imagem divulgação/Aapen


    Levantamento revela que maioria das associações investigadas por descontos ilegais firmou convênios durante gestão anterior, lesando milhões de aposentados – SAIBA MAIS

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    Brasília, 19 de maio de 2025

    A investigação conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF)revelou que sete dos nove convênios envolvidos em fraudes bilionárias no INSS foram assinados durante o governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022.

    O esquema, que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos não autorizados, afetou cerca de 9 milhões de beneficiários.

    Segundo Lauro Jardim, no Globo, “a campeã das fraudes é a Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec) que há quatro anos tinha apenas três associados. Em 2022, começou a praticar as fraudes. Naquele ano, descontou um total de R$ 25 milhões. E em 2024, quase decuplicou esse resultado: descontou de forma irregular R$ 231 milhões de aposentados e pensionistas“.

    A CGU constatou que associações e sindicatos falsificavam assinaturas para realizar cobranças indevidas, muitas vezes sem que os segurados soubessem que eram associados.

    A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, resultou na suspensão de todos os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) e no afastamento de seis servidores, incluindo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

    O esquema, que teve início em 2019, intensificou-se após uma instrução normativa de 2022 que facilitou os descontos associativos.

    A CGU entrevistou 1.273 beneficiários, dos quais 97% negaram ter autorizado as cobranças, muitas vezes disfarçadas como mensalidades por serviços inexistentes, como assistência jurídica ou descontos em planos de saúde.

    Em 2023, o número de pedidos de cancelamento de descontos saltou de 22 mil para 192 mil, evidenciando a escalada do problema.

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    A Folha de S. Paulo destacou que, em alguns casos, documentos apresentados pelas associações continham assinaturas não reconhecidas por aposentados, incluindo pessoas com deficiência ou moradores de áreas remotas.

    O governo Lula, pressionado pelo escândalo, anunciou medidas para ressarcir as vítimas.

    A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu o bloqueio de R$ 2,56 bilhões em bens de 12 entidades investigadas para garantir a devolução dos valores.

    O novo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, informou que 9 milhões de beneficiários seriam notificados a partir de 14 de maio para confirmar ou contestar os descontos, com o ressarcimento a ser pago pelo Tesouro Nacional, que depois buscará reaver os valores das associações.

    O governo estuda incluir atualização monetária e juros nos valores devolvidos, embora sem prazo definido.

    A oposição, liderada por deputados bolsonaristas, protocolou um pedido de CPI para investigar o caso, mas parlamentares governistas alertam que a comissão pode expor ainda mais irregularidades da gestão anterior.

    Entidades como a Conafer e a Contag estariam entre as investigadas, sugerindo que o esquema envolve conexões políticas amplas.

    O INSS orienta que os beneficiários verifiquem seus extratos no aplicativo Meu INSS ou pela Central 135 para identificar e bloquear descontos indevidos, sem a necessidade de comparecer a agências.

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