Ex-ministro do Meio Ambiente é acusado de facilitar esquema de madeira ilegal durante gestão no governo Bolsonaro
Brasília, 05 de setembro de 2025
O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, réu em uma ação penal por suposto envolvimento em um esquema de facilitação de contrabando de produtos florestais.
A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira, 4 de setembro de 2025, marca um desdobramento significativo no caso que ganhou notoriedade após a expressão “passar a boiada”, dita por Salles em uma reunião ministerial em abril de 2020.
A frase, revelada por vídeos tornados públicos por ordem do STF, referia-se à intenção de flexibilizar normas ambientais enquanto a atenção da imprensa estava voltada para a pandemia de Covid-19.
As investigações, conduzidas pela Polícia Federal (PF), apontam que servidores do Ministério do Meio Ambiente, indicados por Salles, atuaram de forma coordenada para favorecer interesses de empresas madeireiras, especialmente em Altamira, no Pará.
O caso teve início com uma notícia-crime apresentada em maio de 2020 pelos senadores Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Fabiano Contarato (PT-ES), além dos então deputados Joenia Wapichana (Rede-RR) e Alessandro Molon (PSB-RJ).
Eles denunciaram que Salles teria facilitado a exportação ilegal de madeira, driblando normas ambientais.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada em agosto de 2023, inclui 22 pessoas e acusa Salles de crimes como associação criminosa, advocacia administrativa e obstrução à fiscalização ambiental, além de facilitação de contrabando.
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A ação penal, inicialmente arquivada em 2020, foi reaberta em 2021 após a PF apresentar novas provas. Em 2023, a 4ª Vara Federal do Pará tornou Salles réu, mas o caso retornou ao STF em março, após a Corte revisar sua jurisprudência sobre foro privilegiado, determinando que crimes cometidos durante o exercício de cargos com prerrogativa de foro devem ser julgados no Supremo, mesmo após o fim do mandato.
“A decisão segue o entendimento fixado pelo Supremo este ano sobre foro por prerrogativa de função”.
Salles, em entrevista à CNN Brasil, minimizou o caso, afirmando que “não há nada de novo” e que o processo já tramitava na primeira instância.
Ele nega as acusações e alega que as investigações são uma tentativa de criminalizar sua gestão.
A PF, no entanto, identificou operações financeiras suspeitas no escritório de advocacia de Salles desde 2019, levantando indícios de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme noticiado pelo g1.
O caso também está ligado à Operação Akuanduba, deflagrada em maio de 2021, que resultou no afastamento de dez servidores do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente.
A operação revelou que um despacho emitido sob a gestão de Salles permitia a exportação de produtos florestais sem autorização, atendendo a pedidos de empresas com cargas apreendidas nos Estados Unidos e na Europa.
A PGR reforçou que “houve ação coordenada de ocupantes de cargos em comissão indicados por Salles para garantir interesses ilegítimos de madeireiras”.
O processo, agora registrado como Ação Penal (AP) 2705, segue em andamento no STF, e novos desdobramentos são aguardados.
A decisão reforça o escrutínio sobre a gestão ambiental do governo Bolsonaro, marcada por recordes de desmatamento e críticas de organizações ambientais, como apontado pelo Instituto João Goulart.







